COMPARTILHANDO FATOS, IDÉIAS E VIDA ENQUANTO CAMINHAMOS

06/02/2010

UMA PITADA DE EVANGELHO: um sal pra pressão baixa!

Referencias: os quatro evangelhos.
O Evangelho manda andar quieto, com pouco peso, sem papo furado pelo caminho, indo sem força própria, mas como um cordeiro ainda que em meio aos lobos; e isso sem desejos inquietos, sem frisson social, antes, desejando paz onde se entra; e permanecendo onde quer que se seja acolhido por filhos da paz; e manda ainda o Evangelho que em se indo... — que se pregue e se cure os doentes; e que se anuncie que o reino de Deus é chegado sobre todo aquele que crê.
O Evangelho manda que se ande sem ansiedade pelo que comer ou beber; pois, o Pai sabe e cuida; antes exorta a que se busque o reino em nós como bem maior; e garante que a simples Presença Primeira do Reino em nossa existencialidade, harmoniza a vida à nossa volta, de modo que todas as coisas que nos sejam necessárias nos serão acrescentadas.
O Evangelho manda que nossa alegria seja espiritual e não fundada nas cócegas irrisórias dos valores de neblina deste mundo.
O Evangelho ordena que a ninguém olhemos com preconceito, a menos que desejemos receber o conceito de Deus contra nós.
O Evangelho manda que nossas melhores festas sejam dadas a quem nunca tem alegria, como pobres, cegos, coxos, paralíticos, marginalizados e doentes.
O Evangelho diz-nos que perdoemos sempre; mesmo que seja algo inconcebível como 70 x 7 por dia.
O Evangelho afirma que Jesus só comparece a ajuntamentos de perdão, reconciliação e harmonia; ainda que apenas de duas ou três pessoas.
O Evangelho não ensina a fazer da Fé um Show e menos ainda o Show da Fé; ao contrario, manda que tudo seja feito de modo que mesmo o maior impacto seja logo esvaziado de todo show, para que fique apenas a pessoa e Jesus.
O Evangelho manda que não se tenha respeitos humanos, mas apenas respeito pelo ser humano; sendo que o primeiro tem a ver com posições e poder; e o segundo com a mera constatação reverente do outro como um ser.
O Evangelho designa homens e mulheres para serem sal, luz, sombra, ninho, abrigo, água fresca, pão, telhado, abraço, acolhida, hospitalidade, solidariedade, verdade, justiça, presteza, integridade, honestidade, lealdade, simplicidade e amor de Deus para com todos os homens; e, antes disso, uns para com os outros como discípulos de Jesus.
O Evangelho manda fazer o bem com a ignorância da naturalidade do amor de uma pomba; e discernir o mau com o olhar de uma serpente.
O Evangelho manda amar ao próximo como a nós mesmos, pois, somente assim o bem ao próximo é feito como quem toma banho, cuida de uma ferida, e penteia o cabelo sem virtude pessoal no que faz por si mesmo.
O Evangelho manda amar a Deus sobre tudo e todas as coisas, pois, sem o amor de Deus, que coisas haverá para serem de fato amadas e apreciadas?
Ora, eu poderia escrever até morrer de exaustão, sempre dizendo o que é o Evangelho e o que ele nos ordena como discípulos. Todavia, tudo o que se diga para sempre sobre isso, jamais será mais do que o que o Evangelho é: Deus, em Cristo Jesus, reconciliando consigo mesmo o mundo; e a nós de quebra...; e nós, por essa razão, tornando-nos os mais felizes, gratos e perdoadores de todos os seres humanos; inclusive de nós para nós —; e, portanto, os pobres que enriquecem a muitos.
Mas para quem desejar conferir por só saber que algo é o Evangelho se vier "entre aspas" ou com um monte de referencias ao "livro Bíblia", abra a Bíblia e veja.
Eu, entretanto, escrevo assim [sem referencias ou citações], de propósito, desafiando os descrentes a lerem os evangelhos a fim de encontrarem qualquer coisa que não seja exatamente aquilo que nas palavras acima ditas expressam o espírito das palavras do Evangelho.
É somente assim o caminho que leva de meninos a homens! — Boys to Men!
Nele, que é a Palavra da Vida; o Evangelho,
Caio
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Assista: O Evangelho é assim...

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03/02/2010

CARTA PÓS-MISSÃO DA NIGÉRIA

Quando homens começam a dominar outros homens, o resultado é a opressão e introdução de suas próprias regras e doutrinas para sustentar a posição de autoridade adquirida sobre os menos informados.
Num período de um pouco mais de 2 semanas, trabalhar com o time do Way to the Nations (Caminho às Nações) foi algo novo. Trouxe um despertar de consciência para o fato de que as crianças podem em breve crescer odiando Jesus que tanto as ama e zela por elas.
Visitar com eles igrejas, crianças estigmatizadas e trabalhar para mudar as crenças na "bruxaria infantil" propagadas por "pastores ignorantes" me deu a oportunidade de explorar a bíblia por mim mesma e me equipou com respostas a questões relacionadas às crenças de crianças bruxas, introduzindo uma inteira e nova dimensão à minha paixão pelas crianças e pelo nome de Jesus, o qual tem sido tanto "bastardizado".
A experiência também intensificou meu ódio por doutrinas que de forma alguma estão empregadas para reconstrução do relacionamento entre os homens e Deus através de Jesus. Apesar de eu não estar à procura de nenhum grupo para pertencer, eu sinceramente desejo que Deus possa encher meu coração com paz, misericórdia e amor em abundância para que eu possa então alcançar aqueles para os quais Ele me chamou para alcançar.
Algo que significou muito para mim foi perceber o fato de que as crianças tem anjos que estão constantemente perante a face de Deus. Como poderia então Deus ser tão mal a ponto de permitir que crianças se tornassem bruxos?
A obra é realmente grande, a colheita é abundante, mas os trabalhadores são poucos e eu oro a Deus para prover muitos mais com graça para transformar a vida das crianças de uma forma que agradará o Pai da humanidade. Eu tenho que descrever este período como outra oportunidade de aprendizado e como plataforma para intensificar meus esforços no trabalho que faço com e por estas crianças.
Fiz novos amigos, cortando as barreiras de raças, cor de pele, diferenças culturais, crenças pessoais e éticas, mas tudo com uma coisa em comum "compartilhar o amor de Cristo e o desejo de espalhar do mesmo amor para a humanidade".
Vocês foram exemplo de paz, amor e união durante sua estadia aqui. Não me arrependo de ter investido meu tempo trabalhando com vocês. Eu oro para que a alegria que encheu nossos corações permaneça fresca e que juntos possamos fazer a nossa parte como agentes de transformação para gerações ainda por vir.
Com amor para Leo, Marcelo, Leo 2, Jojó, Cesar (Adailton), Willian e Clayton.
Diana Udua, 01/02/2010
Eket – Akwa Ibom State –Nigeria
(Diana trabalha como assistente social para a Stepping Stone Nigeria, ONG do Gary Foxcroft que luta pelos direitos da criança na Nigéria.)
Carta traduzida do original em inglês.

FOTOS

Leonardo Lepsch - Photographer

 

 

 

 

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DIÁRIO 25 | E CAIU AOS PÉS DO SENHOR A COLUNA QUE NÃO ERA DO MAL, MAS DA IGNORÂNCIA!

Havíamos acabado de visitar uma igreja na vila de Esit-Eket de onde também haviam saído duas crianças para o orfanato do Sam, acusadas de serem bruxos pelo próprio pai. A Diana, da Stepping Stone Nigéria, nos disse que Esit-Eket parace competir com a vila de Oron para ver quem mais rotula crianças como bruxos. Então, resolvemos aproveitar e ir visitar a comunidade e nos dirigíamos através da única rua “asfalto-esburacada” da vila, procurando uma estrada de terra que nos levasse mais para dentro da vila, na alma do povo, aonde pudéssemos visitar e falar de casa em casa.
Mas de repente, ali mesmo, do lado esquerdo da pista, observamos uma pequena feira, daquelas onde se vende comida exposta sobre esteiras de vime estendidas no chão e não resistimos a idéia... “Vamos parar aqui e falar onde já há bastante gente ao invés de bater de porta em porta hoje”. O grupo foi unânime, e o Emmanuel, nosso ‘motorista’, fez um retorno ali mesmo e foi adentrando com o carro pela feira que estava concentrada no canto esquerdo de uma grande área de terra batida cercada por muros velhos e portões enferrujados que certamente não fecham mais.



Estacionamos o carro no canto direito da feira, saímos e começamos a pensar numa estratégia de aproximação para abordar o povo que naquela altura já tinha todos os olhos voltados para aquele carro de onde não parava de sair ‘white-men’. De repente nosso guia daquele dia, o pequenino gigante Victor, que trabalha voluntariamente para o orfanato do CRARN e da mesma forma voluntária andava conosco, depois de ter sido abordado por uma pessoa local, veio até a nós e disse que antes de falarmos com o povo teríamos que pedir permissão ao Chief (chefe) da vila. Perguntamos onde poderíamos encontrá-lo e apontaram para uma área coberta no fundo da feira, onde havia um carro estacionado e algumas pessoas conversando próximo a ele.

Começamos a nos dirigir para lá, mas por um momento olhei para trás e vi que o Marcelo caminhava em outra direção. Ele ia em direção a um amontoado de postes de energia que estavam deitados no chão com moitas de capim nascendo ao redor, provavelmente mais uma promessa de luz não cumprida para mais um povo que ainda anda nas trevas do cristianismo-pagão.

O Marcelo, que era o mais branco ‘white-man’ entre nós, ficou ali de pé sobre os postes até que percebeu que aquela autorização não seria coisa de dois minutos e ele então veio até nós.

O povo também já vinha se encaminhando lentamente em nossa direção, com olhares curiosos, mas também desconfiados, por isso ainda mantinham certa distância.

Já havíamos dado o ponta-pé inicial com o Chief que, sentado numa cadeira de forma bem ‘espalhada’, exibindo uma bengala e sua barriga bem nutrida em se comparando com a maioria de seu povo, nos recebera com cordialidade quando eu disse que éramos missionários do Brasil. ‘DO BRASIL!?’ – disse ele. ‘Bom! Muito bom!’ repetiu com um sorriso no rosto.

Depois de uma breve menção sobre futebol e a vitória deles sobre o Brasil da qual se orgulham demais, introduzimos o assunto e disse o porquê estávamos ali. Enquanto mostrávamos a revista ‘Jesus and the Children’ e afirmávamos que Jesus era contra tudo aquilo, os sorrisos desapareceram imediatamente, todos ficaram sérios. Mas, de repente, ele voltou a rir só que agora com um sorriso de deboche e dizendo que nós não sabíamos do que falávamos.



Ele disse que ali mesmo na vila dele existiam muitas crianças bruxas, e disse que se a Bíblia afirmasse que bruxaria não existe ele acreditaria, mas que a Bíblia menciona bruxaria.

Então perguntamos a ele onde é que a Bíblia menciona bruxaria e a relaciona com crianças. E ele mencionava versículos e fazia cada interpretação que nos fazia doer os ouvidos. Chegou a dizer até que “a Palavra diz que o inimigo vem como lobo vestido de ovelha”, associando as crianças travessas que tem aparência inocente, mas um lobo dentro de si.

Cheio de indignação e espanto por falarem isto das crianças, da minha alma só saiu uma pergunta: “Como vocês tem a coragem de fazer isto?” Olhei para o lado e disse em português aos rapazes: “Esta é a coluna do mal aqui. A gente hoje não sairá daqui enquanto ela não cair”. Mas confesso que na minha pequena fé nos imaginei atravessando a noite em um debate com aquele Chief que parecia mesmo era gostar de conversar com os ‘white-men’ e exibir a eles seus “conhecimentos bíblicos”.

Nesta altura já estávamos cercados de pessoas da vila. Já não precisávamos mais da autorização, pois tudo já estava acontecendo. Foi quando o Chief pediu então um de seus amigos para pegar para ele sua maleta dentro do carro, de onde saiu uma Bíblia de estudos impecavelmente limpa e brilhando.

E ele mencionou outra passagem dizendo: ‘Em 2 Timóteo no capítulo 3 dos versos 1 a 5 diz...’:

Sabe, porém, isto: Que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.
Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.
Já percebendo onde ele queria chegar o Marcelo, lembrando que o Emmanuel tinha uma Bíblia dentro do carro, pediu que a pegasse, pois nós estávamos carregando somente os livros ‘The Good News of Jesus’ que continham somente os Quatro Evangelhos.
Neste meio tempo, o Chief foi dando sua interpretação da passagem ‘desobedientes a pais e mães’, ‘destes afasta-te’... Querendo justificar o fato dos pais estarem rotulando seus filhos de bruxos e os abandonando nas ruas.
Daí o Marcelo abriu na passagem e convidou ao Chief para relerem a passagem juntos. Dirigindo-se ao povo que já nos rodeava, em voz alta o Marcelo lia verso após verso e todos prestavam atenção. Mas quando chegou no verso 6 o Marcelo em uma pausa na leitura disse “agora prestem atenção!” e continuou a leitura:
Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, seduzem e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade.
E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé.

Quando terminou de ler, o Marcelo apontou para uma criança no meio do povo e a chamou para o meio da roda.

Com sua mão sobre a cabeça daquele garoto o Marcelo perguntava ao povo, vocês acham que este menino é capaz de seduzir uma mulher? O Chief, em silêncio, fazia sozinho a releitura o texto.



As pessoas ainda meio com receio de se posicionar e vendo que seu Chief estava calado, timidamente só abanavam suas cabeças como quem diz ‘Não’.

O Marcelo, literalmente gritando, perguntava novamente ao povo: ‘VOCÊS ACREDITAM QUE ESTE MENINO CONSEGUIRIA SEDUZIR UMA MULHER?’



Finalmente ouvimos a voz do povo dizendo ‘NÃO’! E o Marcelo continuou... ‘Claro que não! Porque esta passagem está falando de homens adultos! Então arranjem outra passagem ou outra desculpa para fazerem o que estão fazendo com suas crianças, mas ESTA PASSAGEM NÃO!!!’



Aproveitando um momento de ‘silêncio’ comecei a mencionar as passagens onde Jesus abençoa e fala sobre crianças, todas mencionadas nas revistas ‘Jesus and the Children’ que começaram a ser distribuídas ao povo naquele momento. Enquanto eu falava, um senhor baixinho que estava no meio do povo saltou para o meio da roda, e olhando na direção do povo começou a traduzir o que eu falava, do inglês para o Ibibio – dialeto local. Talvez a maioria, mas nem todos os que ali estavam entendiam inglês e ele parece ter percebido isto e nem se voluntariou, ele simplesmente foi!



Coloquei a mão sobre o ombro dele e continuei a falar e ele a traduzir. Naquele instante, o Espírito Santo estava concluindo a obra. Somente uma pedrada da verdade lançada pelo Marcelo, no meio da testa daquele que se pensava um gigante, foi o suficiente para fazê-lo desabar. E, de repente, já não éramos nós que falávamos acerca daquelas coisas, mas o próprio Chief dirigindo-se ao seu povo começou a ensinar que as crianças não deveriam mais serem rotuladas de bruxas em sua vila. A obra estava completa. E chamando suas crianças à frente e pedindo aos pais que levantassem suas mãos na direção de seus filhos, convidamos a todos a orar e com eles oramos.



Antes de sairmos dali os fizemos prometer que não só não iriam mais rotular suas crianças de bruxas, mas também não iriam aceitar que ninguém de fora tentasse fazê-lo. Acaso alguém tentasse, que mandassem a tal pessoa embora. Também pedimos que pelo amor a Cristo e a sua Palavra que não deixassem de ensinar aqueles que os rodeiam acerca destas coisas também.



Fomos embora, maravilhados com o que Deus havia feito naquele lugar! Como alguém dentre nós disse: ‘foi como ver Atos acontecendo nos dias de hoje’. De fato o foi!

A Ele seja dada toda a glória! Para Ele não há nada impossível! Amém!

Leo Rocha
St. Albans – Reino Unido
02/02/2010

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26/01/2010

DIÁRIO 24 | “NÃO VIM TRAZER PAZ, VIM TRAZER ESPADA”


Amigos e Irmão em Missão conosco: Paz seja na sua casa!

No domingo que antecedeu nossa última cruzada, que ocorreu na segunda-feira dia 18, eu acordei virado do avesso. Já estava muito cansado. E no dia anterior, durante o "Surf com a Comunidade" havíamos cruzado com os primeiros homens brancos que fossem nós mesmos. Um grupo de gerentes petrolíferos canadenses estava "tomando umas" na praia. O Leo parou para conversar com eles e me contou o que eles disseram: "Sabe quando vocês vão conseguir resolver esse problema? - Nunca! Esse povo aqui não presta, é ignorante demais pra mudar". O Leonardo lhes contou, com toda sua calma mineira, tudo que Deus já tinha feito durante os dias de Campanha! Eles se surpreenderam... "Nunca antes na história desse país", algo tinha dado tão certo nesse sentido como estava acontecendo conosco!

Mas domingo cedinho já se ouviam os louvores da igreja ao lado. Rica e ostentadora, cheia de gritos de guerra triunfalista e vestidos das vanglórias da "prosperidade".

Lembrei-me que foi a primeira na qual entramos e assistimos a reunião, sendo também a última, pois foi ali que o ultra-mega-super-reverendo nos recebeu em seu escritório para dizer que "se os porcos puderam ficar possessos, porque não as crianças!" - Em seguida, ele emendou: Sou contra a bruxificação infantil, mas não quero me meter, não posso fazer NADA! Levantamos e fomos embora. Encontramos muitos outros assim: Em cima do muro, polidos, políticos, covardes, rendidos, nem contra e nem favor... Eu já andava meio enojado de líderes que escolheram o pior lugar para ficar: em sua zona de conforto, onde não podem se machucar!

Então, levantei da cama decidido a encontrar gente como a gente: Gente disposta a tudo! E eu sabia onde encontrá-los!

Assim, despertei o Leonardo e o Adailton dizendo: "Vamos, hoje vamos ao culto na Liberty Gospel, de Helen Ukpabio!"

Queria cruzar as linhas inimigas e dizer a eles claramente que a guerra contra a estigmatização infantil estava aberta e declarada e que não adiantava mais eles se fingirem de surdos. Dizer a eles que finalmente eles teriam diante deles o obstáculo de gente que crê em Deus e em Sua Palavra! Lá no fundo do meu coração ainda cheguei a vislumbrar a possibilidade de uma conversa diplomática que abrisse, ao menos, um canal de discussão; considerando que eles NUNCA foram confrontados "espiritualmente" em sua insanidade. Na pior das hipóteses, guardei a orientação de Paulo a Tito quanto a "fazer calar os insubordinados, faladores frívolos e enganadores: eles devem ser repreendidos severamente, para que sejam sadios na fé".



Pedimos ao motorista, o Emmanuel, que nos levasse à franquia mais próxima dessa grande denominação. Ele olhou com estranheza para nós, e eu disse a ele: É isso mesmo meu amigo, L-I-B-E-R-T-Y G-O-S-P-E-L! Ok?



O Emman estava todo engravatado, bonitão... Ele já sabia que iríamos fazer incursões pelas igrejas para continuar a convidar famílias para a cruzada de despedida no dia seguinte. Ele só não imaginava que iríamos convidar justamente aqueles que têm causado tanto estrago na sociedade cristã daquele país, através de contínuas pregações, livros de Batalha Espiritual, filmes como aquele que apresentamos no Dossiê (End of the Wicked) e muitos exorcismos infantis.



A opinião do motorista eu já conhecia pelo que ouvia dos pastores o tempo todo: A Liberty Gospel é formada por gente que fica agressiva, raivosa, contenciosa... Eles invadem conferências, impedem a ação das ONGs, abrem processos judiciais contra opositores. O povo deles se movimenta como um batalhão. O batalhão da prosperidade, do grito de guerra, do domínio de território mediante o declarar da autoridade do nome de Jesus, e todas essas coisas que já são velhas do lado de cá do Atlântico.



Assim que voltamos da visita, derramei meu coração junto aos meus irmãos em Santos. Às vezes, tenho que falar, colocar para fora, dizer como me sinto... Faço isso escrevendo para o Caio, meu pai na Fé e pai dessa Missão; e outras vezes para o Bregantim, pastor do meu coração, que me ouve quando estou indignado. Também me queixo com Rejane... No fundo quero receber um carinho, um cafuné, e seguir adiante. Ela sempre me diz: "Ai, ai, ai, Má... só se mete em confusão esse meu marido... Você gosta, né? Você só pode estar se divertindo, né?" Eu acho engraçado ouvi-la falar assim e me restauro... rsrs...

Dessa vez, escrevi para Santos, o grupo todo de emails.... Umas 300 pessoas. Escrevi sobre nosso encontro com os profetas do infanticídio em nome de Deus. E foi conforme está abaixo. Transcrevo aqui para que não tenha que recontar a mesma história. Gostaria muito que vocês lessem, pois manifesta muito do espírito dos dias finais dessa primeira viagem da Missão Pequeninos na Nigéria. E esclarece porque voltamos certos de que não deixaremos o campo de batalhas até que a bruxificação infantil tenha sido varrida de lá! (Aos que não crêem, meu lamento e minha gratidão por nos suportar em nossa insensatez).



Gente querida do Litoral Paulista,


Não consigo escrever porque a conexão é ruim, quando tem... e o tempo é curto, quando tem!


Mas preciso lhes dizer sobre a manhã desse domingo: Hoje falamos com o diabo. Dentro do escritório dela, cercado por um monte de homens imensos, ouvimos as maiores heresias que um ouvido cristão podia ouvir.



E para completar, ainda fomos amaldiçoados em nome de Jesus, mandados de volta para nossa área, nossa "Jerusalém" - ela dizia; e nosso país, porque aqui é território deles! Ela disse que queremos ficar ricos e fazer dinheiro na África (Meu Deus!), e que, respaldada na Bíblia, ela tinha autoridade de nos repreender e julgar! Ela já sabia da nossa existência e tinha mandado "espias" na primeira cruzada...(mentira dela!)


Nós a retrucamos, falando que Deus vai calar a boca assassina dela; falamos que nossa área são os confins de toda a Terra, e que nossa autoridade em Nome de Jesus era sobre todo território onde existia vida humana, falamos que se ela não mudar e continuar pregando a violência contra criancinhas que, então, JESUS, e não nós, vai dizer a ela no último dia: Não conheço você!


Ela tremia. Estávamos calmos. Mas nossa paz já ia fugindo de nós, dada a intenção dela de irritar com seu falar frenético...


Mas só perdi a calma quando ela nos enxotou do escritório (Nós fomos levados para o escritório assim que chegamos, outra pessoa assumiu o púlpito e essa senhora, clone Ukpabiana, gritava: As crianças tem espírito de adivinhação! Voltem para a Jerusalém de vocês!)... Assim que saímos da sala, diáconos e diaconisas nos assistiam com um sorriso de canto de lábio.



O Adailton, então, sacudiu a areia das sandálias, simbolicamente. Depois o Leonardo: "Você reconhece esse gesto?". E eu em seguida, tirando a poeira dos nossos pés e dizendo aos berros: "Viemos em paz! Nossa paz agora volta sobre nós!"



Os homens, feito estátuas, nem se mexiam... Ela gritava!



Bati minhas sandálias-sapato contra eles com tanta força e tantas vezes que subia areia na minha própria cara! Fiquei fora de mim... Eu quase esmaguei um sapato contra o outro! Andei de meias pela rua e se o Emmanuel não me contém acho que eu estava até agora lá, me livrando da impregnação daquele chão!



Chorei no carro. Chorei de raiva! Chorei de expor o Emmanuel também, que vai ficar na Nigéria enquanto nós vamos embora! Não gostei disso. Pedi "Sorry, Emman...! Sorry, my friend!"


"Bater as sandálias" é uma experiência horrível (Lucas 10). Significa que eles ouviram e rejeitaram... E para além disso, nenhum paz é possível e que, então, virá ESPADA. Sim, igreja contra igreja, filhos contra pais, ovelhas contra pastores, autoridade contra autoridade, pois uns crerão e outros não.



Pena que agora a guerra tem cara, nome, placa. Quem está do nosso lado e do lado das crianças CONTRA o espírito que opera nos "filhos de Helena Ukpabio", da Liberty Gospel Church.


Amigos, amanhã acontecerá nossa CRUZADA FINAL, de despedida, em campo aberto. E nosso único colete à prova de balas procede do Espírito que nos cobre. Não temos medo. Mas a polícia já avisou que vai estar lá para evitar confusões. Os pastores locais que nos apóiam foram convidados a sair da toca e comparecer.

 
Por favor, meus irmãos, orem por nós. Orem por mim,  por todos. Orem pela Nigéria. Para que, não importando o que nos aconteça, a palavra de Deus NUNCA fique PRESA, mas vá e cumpra o que a DEUS apraz fazer!



Estrategicamente não era hora de ver o diabo nos olhos, porque agora podemos ser vigiados e ameaçados, e isso pode atrapalhar o andamento acelerado das coisas. Mas, por outro lado, eu não via a hora de vê-lo e de falar na cara dele, como fiz olhando nos olhos dela:


"Eu conheço você! E seu espírito não é de Deus! Nós, discípulos de Jesus, somos bravos como vocês são; e só vamos embora quando isso acabar! A gente é igual vocês e não vai desistir NUNCA! NUNCA!



Guardem esse nome, disse o Leonardo: WAY TO THE NATIONS! Nunca deixaremos esse país! Até que isso acabe!


Foi a primeira vez que alguém lhes resistiu na face, pois quando o fazem aqui é sempre escondido, em púlpitos distantes...



Também foi a primeira vez que alguém nos enfrentou frontalmente durante todos esses dias. E não tiveram medo de nós e da nossa autoridade em nome de Jesus.

 
Está acabando...


Mas nem começamos...


Domingo próximo verei o rosto de cada um na Estação em Santos, se o Senhor assim o permitir!


Marcelo


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24/01/2010

DIARIO 23 | A ÁFRICA DOS MEUS SONHOS - Por Marcelo Quintela


Não trouxe a África nem nas minhas bagagens! Nenhuma lembrancinha de aeroporto.
Pra que lembranças se não vou esquecer?
Esculturas artesanais que desenham lindas mulheres negras vivendo o cotidiano de carregar lenhas eu já as tenho em casa faz tempo por iniciativa da minha esposa. Temos negras, japonesas, espanholitas, nordestinas, holandesas, indígenas... Souvenires de amor transcultural.
 

Entretanto, nessa primeira madrugada uma torrente de sonhos transpassou toda a noite em muitas memórias e ecos.



Sonhos. Sonhos muitos. Sons estranhos. Misturados. Faces várias de crianças tantas.





Trouxe a África comigo. Trouxe as ocultas personagens desse intercâmbio. Trouxe os rostinhos dos que ficaram no meio do caminho enquanto prosseguíamos. Sinceramente não sirvo para salvar ninguém por estatística. Ou dou um jeito logo em tudo, ou é melhor nem ter começado!

Nos meus sonhos, voltei a um vilarejo miserável em Oron, miserável cidade de Akwa Ibom State.


Devolvemos a essa vila um jovenzinho-bruxo todo quebrado pelo "vodu cristão"! Ele foi levado ao campo pelo irmão mais velho e quando ia ser imolado com um facão, foi arrancado da morte pelos homens do Chief Mr. Medekon, um dos maiores e mais respeitados anciãos da cidade. Conduzido ao orfanato, coube-nos investigar a causa de sua bruxificação e conversar com seus pais a respeito.


Mr. Medekon e sua equipe nos levaram ao vilarejo de origem. Lugar escuro, casebres de argila, aspecto tribal, sem ruas, mantido resfriado pelas palmeiras que se levantam ao redor. Parecia que todos já nos esperavam, inclusive a "vítima", Emilia, a criança a quem o garoto, supostamente, impôs feitiços: uma menininha com cara de dor, com uns 5 aninhos, que carrega uma corcunda no meio das costas, entre as clavículas. É um edema que desvia sua coluna e aperta de dor seu pequeno peito. O Chief, casado com uma enfermeira inglesa aposentada, suspeita de uma má-formação vertebral. Tomei em meu colo a criança. Ela não anda. Dói. As crianças a carregam. Sua mãe olhava esperançosa para mim. Mal sabia que eu mal sei. Toquei, apalpei, circunscrevi, pensei, consultei o arsenal mínimo de informações que a semiologia me deu durante esses anos que trabalho com neurologistas e minha sugestão diz respeito a uma tumoração que está esmagando o que tem ao redor de si. Sua origem só exames de ressonância poderão mostrar. Sua extensão aparecerá em tomografias com cortes precisos das imagens. Sua malignidade, só via-biópsia. Sua possibilidade de cura, só um neurocirurgião pode determinar; pois caso seja maligno, precisa saber se é invasivo – metido entre vértebras ou peritônio. E só será operável em função da nobreza da região no qual se está implantado. Se for ortopédico, há um longo caminho entre intervenções cirúrgicas e fisioterapias.


O chief, apoiado sobre sua bengala-cedro, nos chamou de canto e falou baixinho para que as dezenas de moradores que nos cercavam não ouvissem: "Amigos, se vocês conseguirem curar essa moça por vias médicas que não temos aqui,daí com um único exemplo, nós derrubaremos a crença mitológica de meu povo ignorante! Façam isso por nós, por favor!"

Ele usou de uma lógica ingênua e ao mesmo tempo racional: Ora, se a causa de muitas crianças serem expulsas dessa vila (bastando para tanto confessarem que são bruxos) está relacionada ao incurável desvio ortopédico da menininha, a cura dela cessaria o fluxo de acusações e suspeitas que viviam recaindo sobre as demais crianças moradoras do local.


Ali mesmo, sem mesas de escritório e mapas estratégicos, acreditamos que nada nos seria impossível, mesmo sendo tão desafiador! Lembrei-me que Jesus mandou curar os enfermos e expulsar os demônios dos vilarejos e cidades que entrássemos, anunciando-lhes que o Reino é chegado! – É foi o que decidimos fazer!

Pedi à Diana – nigeriana da Stepping Stones Nigeria que estava secretariando nossa visita a essa cidade – que anotasse os caminhos:

Procurar um médico clínico que providencie um hospital para exames de imagens e diagnóstico, e encontrar tal médico e tais exames nem que fosse seja lá aonde!

Com o diagnóstico médico, ter detalhes do tratamento a ser instituído e sua morbidade;

Se for tratável, levar a menina Emilia para a Europa através de um grande levante de fundos junto aos amigos do "Caminho" pelo mundo, não deixando de crer na possibilidade de que uma equipe de anjos a opere gratuitamente, considerando fatores de extrema pobreza e gravidade do caso;

A tempo, ainda estávamos lá dias depois, quando a Diana encontrou um hospital-escola no centro do país que disse que faria exames imaginológicos a um valor que só saberíamos na hora da consulta (Na Nigéria, não tem SUS!). Deixamos com ela o dinheiro para o transporte da família até o hospital e vamos aguardar os resultados.

Após o "exame clínico" da criança, Mr. Medekon nos pediu mais um favor: Falar com aquele que ele considera o maior culpado pela persistência dessa relação "doença de uma criança – caça de outra".

Pedi para chamar o pastor, então.

O homem apareceu quase imediatamente entre nós, de motinha. Suava muito debaixo de um terno que não tinha nada a ver com aquele monte de crianças peladas e adultos maltrapilhos.

Sua igrejinha não era ali perto. Não. Era exatamente onde estávamos! O chão no qual nos sentamos era o cimentado da igreja e nós nem sabíamos. E a igreja era mais um casebre dentre tantos ali, uma Assembléia de Deus abandonada pela Assembléia de Deus como a maioria das Assembléias de Deus que assembleiam-se por lá.

O Leonardo foi direto ao assunto: "Pastor Moises, qual sua culpa nisso tudo? O que você ensina a essa comunidade? Por que, apesar de sua influência cristã aqui, eles ainda crêem na bruxificação de crianças?"

O pastor estava ali, exposto a todos, cercado de dezenas de famílias, e negando sobre o olhar raivoso do chief, que tenha participação em tudo. Para nós não havia surpresa na negativa pastoral... Foi assim a Missão inteira. Diante de nós, todo mundo nega tudo ao mesmo tempo em que pede clemência!

Aproveitamos seu estado de culpa, pedimos o auditório da sua igreja pra levar para uma reunião comunitária todos os que nos cercavam. Ele com toda prontidão abriu suas portas e num único assobio, convocou a vila.


As crianças e os adolescentes foram os primeiros a tomar assento. Estavam ansiosos e esforçando-se por captar o que se passa na cabeça dos adultos. Os pequeninos participaram da assembléia como quem buscar entender seus direitos à vida. Dava pena de vê-los tentando interpretar nossas brigas, discussões, apelos, réplicas, desafios, argumentações...


O Leo pregava em inglês contra a estigmatização infantil ensinando como Jesus tratava as crianças. O pastor Moises o traduzia para o dialeto local, especialmente preocupado em que os menores entendessem. Tal gesto foi me conquistando...

Ao final da preleção (aos berros, como tudo tem que ser ali), o Leonardo perguntou quem era contrário ao retorno do menininho quase imolado ao seio de sua casa. Pai e mãe aguardavam com expectativa a manifestação ou não de alguém.


Daí um adolescente de uns 16 anos se levanta, pede a palavra e discursa em inglês com incrível habilidade oratória: "Que garantia vocês nos dão de que o menino-bruxo não fará mais mal a minha vila?"

- "E de onde você tirou tamanha convicção de que ele é bruxo?" – disse o Leonardo.

- "Ele confessou que é bruxo! E quando um possesso confessa que o é, está confirmado seu estado!"

- "E eu sou o Barack Obama! Você acredita na minha confissão?"

- "Não! Eu não conheço você, mas sei que você não é o Barack Obama!"

- "E você conhece a criança ou o diabo dela para crer no que ela diz a seu próprio respeito após ter sido tão pressionada? Sobre pressão uma criança confessa o que dela pedirem!"

Começou então o de sempre: Eles brigam em Ibibio, o dialeto local. E uma gritaria ibibiana tomou o lugar, uns agredindo os outros, todos ao mesmo tempo, feito reunião de condomínio!

Eu só assistia enquanto fitava o belo jovem que a nós se opunha! Senti nele uma mistura de sinceridade com a presunção típica de quem pensa que nasceu sabendo coisas com as quais peitava o Leonardo e o Chief. Daí, pedi para falar. E o fiz, gritando e andando pelo pequeno recinto cinza:

"Meu amigo, quando os "white man" escreveram sobre o assunto, o teu pai nem tinha nascido. O idiota do homem branco que determinou que endemoninhados confessam que o são em nome de Jesus nem podia imaginar que vocês aplicariam isso à crianças! Agora, seus pastores pioram as besteiras que os meus escreveram e você acredita nisso como se fosse uma grande revelação??? Defenda suas crianças, rapaz! O próximo acusado pode ser seu irmão, pode ser VOCÊ! Pare de assistir filmes ridículos! Pare de acreditar em Helen Ukpabio! Creia em Jesus! E se você é o futuro mentor dessa vila, está na hora de aprender o Evangelho de Verdade, que deixaremos em suas mãos, para ensinar a todos!

Ele sabe que falávamos com autoridade, mas com amor e respeito por ele! Ao final, ele acatou com muita sinceridade nossas palavras e creu nelas de todo o coração! O Espírito me revelou que ele presidirá os "do Caminho" naquele lugar, como sábio guardião da fé.

Também sei que Deus vai curar Emilia, a pequena corcundinha. Orei debruçado sobre a cabeça dela como por um filho meu... Pedindo que o Pai a livre do Mal; e sobre o mal em suas costas passei minha própria saliva, misturada ao seu suor, untando-a assim com um bálsamo estranho até a mim mesmo... Preparando-a para a cura, seja pela medicina do Milagre ou pelo milagre da Medicina!

No dia seguinte, nossa equipe voltou até lá com material de ensino, com Evangelhos e literatura infantil. Encontraram resistência de outros homens, ausentes no dia anterior e motivados somente pelo espírito de inveja e pela embriaguez que os tomava. Eles recolheram alguns da reunião "no tapa", mas a própria comunidade tratou de desprezá-los! Mães, pais e filhos queriam a Boa Nova do Evangelho e não os temeram. Os pais do menino pediram que assim que a "poeira abaixe" e as oposições se silenciem possamos tirar seu filho do orfanato e levá-lo de volta para casa. Por ora, estamos cuidando de seu bracinho quebrado.

No pequeno vilarejo em Oron, a Paz deu o ar de Sua Graça!


Ao nos despedir o chief me disse profundo: "Sei que nada faz sentido algum para vocês aqui, mas, por favor, não desistam do meu povo! Por favor!"

É esse clamor que me ecoou pela primeira madrugada pós-africana.

Essa não é África do meu Sonho, mas é a África dos meus sonhos.

Por favor, não desistam desse povo!

Por favor!

Marcelo
Santos/SP


A POEIRA NUNCA ABAIXA

CRÉDITOS :
Fotos:Leonardo Lepsch


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22/01/2010

Pois essa Missão, foi uma viagem na qual, tenha a certeza, você levou muitos de nós...

Marcelo, Clayton e Jojó...
Como muitos aqui, fiquei no silêncio... e apenas hoje resolvi me manifestar desde que todo esse processo da Missão Nigéria começou...
Meu silêncio foi apenas na manifestação virtual, também como muitos...
Pois essa Missão, foi uma viagem na qual, tenha a certeza, você levou muitos de nós...
Acompanhamos a palavra de cada um de vocês, manifesta através dos Diários, sentimos cada nó na garganta, sentimos cada punhalada no coração de vocês ao verem as atrocidades que foram descritas, nos revoltamos junto com vocês sobre as injustiças, a falta de amor, a falta do Deus do Evangelho nessa multidão que caminha em silêncio, nesse chão tão árido...
O Diário 13, chega a ser digno de um capítulo de livro, ou de um roteiro de filme rodado na África, tal a riqueza de detalhes, a simplicidade e sensibilidade dos elementos descritos...
Você formou um exército aqui, que permaneceu em prontidão orando, pedindo de sol a sol, por vocês, por eles...
Compramos a briga com vocês... e não tinha como ser diferente...
Louvamos ao nosso Deus, por estarem de volta, bem,  e poderem rever os familiares e amigos...
Contudo, sabemos que nosso coração ainda permanecerá naquela estufa, naquele caldeirão miserável... e continuaremos, dia a pós dia, a clamar por aquelas almas, a clamar pelas crianças, a clamar pela chance delas apenas viverem a infância sem o desespero de ter o próprio homem, como seu principal algoz...
Eu, aprendi muito com essa viagem!
Vibro com isso, pois sei que muitos aqui, oraram, choraram, clamaram e cresceram...
Sei que nossa experiência é infinitamente incomparável a tudo o que viveram... Pois apenas vivemos com vocês o que vocês nos permitiram ter acesso, e que existem muitas outras coisas que nem ao menos sonhamos...
Mas, é confortante saber, que estão de volta ao nosso meio e que teremos muito à falar sobre isso, e mais do que isso, muito a planejar sobre os próximos passos...

Sejam muito bem-vindos ao nosso meio... e repito aqui sua interrogação afirmativa...

mas nas entranhas silenciosas das lembranças do Campo, quem nos livrará carregar dessa uma viagem quase tudo que se leva de uma vida?!

Amamos muito vocês!!!
Não vemos a hora de reencontrá-los e  abracá-los!!!!
Patricia

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