06/02/2010
UMA PITADA DE EVANGELHO: um sal pra pressão baixa!
03/02/2010
CARTA PÓS-MISSÃO DA NIGÉRIA
Num período de um pouco mais de 2 semanas, trabalhar com o time do Way to the Nations (Caminho às Nações) foi algo novo. Trouxe um despertar de consciência para o fato de que as crianças podem em breve crescer odiando Jesus que tanto as ama e zela por elas.
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DIÁRIO 25 | E CAIU AOS PÉS DO SENHOR A COLUNA QUE NÃO ERA DO MAL, MAS DA IGNORÂNCIA!
Estacionamos o carro no canto direito da feira, saímos e começamos a pensar numa estratégia de aproximação para abordar o povo que naquela altura já tinha todos os olhos voltados para aquele carro de onde não parava de sair ‘white-men’. De repente nosso guia daquele dia, o pequenino gigante Victor, que trabalha voluntariamente para o orfanato do CRARN e da mesma forma voluntária andava conosco, depois de ter sido abordado por uma pessoa local, veio até a nós e disse que antes de falarmos com o povo teríamos que pedir permissão ao Chief (chefe) da vila. Perguntamos onde poderíamos encontrá-lo e apontaram para uma área coberta no fundo da feira, onde havia um carro estacionado e algumas pessoas conversando próximo a ele.
Começamos a nos dirigir para lá, mas por um momento olhei para trás e vi que o Marcelo caminhava em outra direção. Ele ia em direção a um amontoado de postes de energia que estavam deitados no chão com moitas de capim nascendo ao redor, provavelmente mais uma promessa de luz não cumprida para mais um povo que ainda anda nas trevas do cristianismo-pagão.
O Marcelo, que era o mais branco ‘white-man’ entre nós, ficou ali de pé sobre os postes até que percebeu que aquela autorização não seria coisa de dois minutos e ele então veio até nós.
O povo também já vinha se encaminhando lentamente em nossa direção, com olhares curiosos, mas também desconfiados, por isso ainda mantinham certa distância.
Já havíamos dado o ponta-pé inicial com o Chief que, sentado numa cadeira de forma bem ‘espalhada’, exibindo uma bengala e sua barriga bem nutrida em se comparando com a maioria de seu povo, nos recebera com cordialidade quando eu disse que éramos missionários do Brasil. ‘DO BRASIL!?’ – disse ele. ‘Bom! Muito bom!’ repetiu com um sorriso no rosto.
Depois de uma breve menção sobre futebol e a vitória deles sobre o Brasil da qual se orgulham demais, introduzimos o assunto e disse o porquê estávamos ali. Enquanto mostrávamos a revista ‘Jesus and the Children’ e afirmávamos que Jesus era contra tudo aquilo, os sorrisos desapareceram imediatamente, todos ficaram sérios. Mas, de repente, ele voltou a rir só que agora com um sorriso de deboche e dizendo que nós não sabíamos do que falávamos.
Ele disse que ali mesmo na vila dele existiam muitas crianças bruxas, e disse que se a Bíblia afirmasse que bruxaria não existe ele acreditaria, mas que a Bíblia menciona bruxaria.
Então perguntamos a ele onde é que a Bíblia menciona bruxaria e a relaciona com crianças. E ele mencionava versículos e fazia cada interpretação que nos fazia doer os ouvidos. Chegou a dizer até que “a Palavra diz que o inimigo vem como lobo vestido de ovelha”, associando as crianças travessas que tem aparência inocente, mas um lobo dentro de si.
Cheio de indignação e espanto por falarem isto das crianças, da minha alma só saiu uma pergunta: “Como vocês tem a coragem de fazer isto?” Olhei para o lado e disse em português aos rapazes: “Esta é a coluna do mal aqui. A gente hoje não sairá daqui enquanto ela não cair”. Mas confesso que na minha pequena fé nos imaginei atravessando a noite em um debate com aquele Chief que parecia mesmo era gostar de conversar com os ‘white-men’ e exibir a eles seus “conhecimentos bíblicos”.
Nesta altura já estávamos cercados de pessoas da vila. Já não precisávamos mais da autorização, pois tudo já estava acontecendo. Foi quando o Chief pediu então um de seus amigos para pegar para ele sua maleta dentro do carro, de onde saiu uma Bíblia de estudos impecavelmente limpa e brilhando.
E ele mencionou outra passagem dizendo: ‘Em 2 Timóteo no capítulo 3 dos versos 1 a 5 diz...’:
Sabe, porém, isto: Que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.
Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.
Já percebendo onde ele queria chegar o Marcelo, lembrando que o Emmanuel tinha uma Bíblia dentro do carro, pediu que a pegasse, pois nós estávamos carregando somente os livros ‘The Good News of Jesus’ que continham somente os Quatro Evangelhos.
Neste meio tempo, o Chief foi dando sua interpretação da passagem ‘desobedientes a pais e mães’, ‘destes afasta-te’... Querendo justificar o fato dos pais estarem rotulando seus filhos de bruxos e os abandonando nas ruas.
Daí o Marcelo abriu na passagem e convidou ao Chief para relerem a passagem juntos. Dirigindo-se ao povo que já nos rodeava, em voz alta o Marcelo lia verso após verso e todos prestavam atenção. Mas quando chegou no verso 6 o Marcelo em uma pausa na leitura disse “agora prestem atenção!” e continuou a leitura:
Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, seduzem e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade.
E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé.
Quando terminou de ler, o Marcelo apontou para uma criança no meio do povo e a chamou para o meio da roda.
Com sua mão sobre a cabeça daquele garoto o Marcelo perguntava ao povo, vocês acham que este menino é capaz de seduzir uma mulher? O Chief, em silêncio, fazia sozinho a releitura o texto.
As pessoas ainda meio com receio de se posicionar e vendo que seu Chief estava calado, timidamente só abanavam suas cabeças como quem diz ‘Não’.
O Marcelo, literalmente gritando, perguntava novamente ao povo: ‘VOCÊS ACREDITAM QUE ESTE MENINO CONSEGUIRIA SEDUZIR UMA MULHER?’

Finalmente ouvimos a voz do povo dizendo ‘NÃO’! E o Marcelo continuou... ‘Claro que não! Porque esta passagem está falando de homens adultos! Então arranjem outra passagem ou outra desculpa para fazerem o que estão fazendo com suas crianças, mas ESTA PASSAGEM NÃO!!!’
Aproveitando um momento de ‘silêncio’ comecei a mencionar as passagens onde Jesus abençoa e fala sobre crianças, todas mencionadas nas revistas ‘Jesus and the Children’ que começaram a ser distribuídas ao povo naquele momento. Enquanto eu falava, um senhor baixinho que estava no meio do povo saltou para o meio da roda, e olhando na direção do povo começou a traduzir o que eu falava, do inglês para o Ibibio – dialeto local. Talvez a maioria, mas nem todos os que ali estavam entendiam inglês e ele parece ter percebido isto e nem se voluntariou, ele simplesmente foi!
Coloquei a mão sobre o ombro dele e continuei a falar e ele a traduzir. Naquele instante, o Espírito Santo estava concluindo a obra. Somente uma pedrada da verdade lançada pelo Marcelo, no meio da testa daquele que se pensava um gigante, foi o suficiente para fazê-lo desabar. E, de repente, já não éramos nós que falávamos acerca daquelas coisas, mas o próprio Chief dirigindo-se ao seu povo começou a ensinar que as crianças não deveriam mais serem rotuladas de bruxas em sua vila. A obra estava completa. E chamando suas crianças à frente e pedindo aos pais que levantassem suas mãos na direção de seus filhos, convidamos a todos a orar e com eles oramos.

Antes de sairmos dali os fizemos prometer que não só não iriam mais rotular suas crianças de bruxas, mas também não iriam aceitar que ninguém de fora tentasse fazê-lo. Acaso alguém tentasse, que mandassem a tal pessoa embora. Também pedimos que pelo amor a Cristo e a sua Palavra que não deixassem de ensinar aqueles que os rodeiam acerca destas coisas também.
Fomos embora, maravilhados com o que Deus havia feito naquele lugar! Como alguém dentre nós disse: ‘foi como ver Atos acontecendo nos dias de hoje’. De fato o foi!
A Ele seja dada toda a glória! Para Ele não há nada impossível! Amém!
Leo Rocha
St. Albans – Reino Unido
02/02/2010
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26/01/2010
DIÁRIO 24 | “NÃO VIM TRAZER PAZ, VIM TRAZER ESPADA”
Não consigo escrever porque a conexão é ruim, quando tem... e o tempo é curto, quando tem!
Mas preciso lhes dizer sobre a manhã desse domingo: Hoje falamos com o diabo. Dentro do escritório dela, cercado por um monte de homens imensos, ouvimos as maiores heresias que um ouvido cristão podia ouvir.
Nós a retrucamos, falando que Deus vai calar a boca assassina dela; falamos que nossa área são os confins de toda a Terra, e que nossa autoridade em Nome de Jesus era sobre todo território onde existia vida humana, falamos que se ela não mudar e continuar pregando a violência contra criancinhas que, então, JESUS, e não nós, vai dizer a ela no último dia: Não conheço você!
Ela tremia. Estávamos calmos. Mas nossa paz já ia fugindo de nós, dada a intenção dela de irritar com seu falar frenético...
Mas só perdi a calma quando ela nos enxotou do escritório (Nós fomos levados para o escritório assim que chegamos, outra pessoa assumiu o púlpito e essa senhora, clone Ukpabiana, gritava: As crianças tem espírito de adivinhação! Voltem para a Jerusalém de vocês!)... Assim que saímos da sala, diáconos e diaconisas nos assistiam com um sorriso de canto de lábio.
"Bater as sandálias" é uma experiência horrível (Lucas 10). Significa que eles ouviram e rejeitaram... E para além disso, nenhum paz é possível e que, então, virá ESPADA. Sim, igreja contra igreja, filhos contra pais, ovelhas contra pastores, autoridade contra autoridade, pois uns crerão e outros não.
Amigos, amanhã acontecerá nossa CRUZADA FINAL, de despedida, em campo aberto. E nosso único colete à prova de balas procede do Espírito que nos cobre. Não temos medo. Mas a polícia já avisou que vai estar lá para evitar confusões. Os pastores locais que nos apóiam foram convidados a sair da toca e comparecer.
Por favor, meus irmãos, orem por nós. Orem por mim, por todos. Orem pela Nigéria. Para que, não importando o que nos aconteça, a palavra de Deus NUNCA fique PRESA, mas vá e cumpra o que a DEUS apraz fazer!
Estrategicamente não era hora de ver o diabo nos olhos, porque agora podemos ser vigiados e ameaçados, e isso pode atrapalhar o andamento acelerado das coisas. Mas, por outro lado, eu não via a hora de vê-lo e de falar na cara dele, como fiz olhando nos olhos dela:
"Eu conheço você! E seu espírito não é de Deus! Nós, discípulos de Jesus, somos bravos como vocês são; e só vamos embora quando isso acabar! A gente é igual vocês e não vai desistir NUNCA! NUNCA!
Foi a primeira vez que alguém lhes resistiu na face, pois quando o fazem aqui é sempre escondido, em púlpitos distantes...
Está acabando...
Mas nem começamos...
Domingo próximo verei o rosto de cada um na Estação em Santos, se o Senhor assim o permitir!
Marcelo
24/01/2010
DIARIO 23 | A ÁFRICA DOS MEUS SONHOS - Por Marcelo Quintela
Não trouxe a África nem nas minhas bagagens! Nenhuma lembrancinha de aeroporto. Pra que lembranças se não vou esquecer? Esculturas artesanais que desenham lindas mulheres negras vivendo o cotidiano de carregar lenhas eu já as tenho em casa faz tempo por iniciativa da minha esposa. Temos negras, japonesas, espanholitas, nordestinas, holandesas, indígenas... Souvenires de amor transcultural.
Entretanto, nessa primeira madrugada uma torrente de sonhos transpassou toda a noite em muitas memórias e ecos.
Sonhos. Sonhos muitos. Sons estranhos. Misturados. Faces várias de crianças tantas.
Santos/SP
22/01/2010
Pois essa Missão, foi uma viagem na qual, tenha a certeza, você levou muitos de nós...
Marcelo, Clayton e Jojó...
Como muitos aqui, fiquei no silêncio... e apenas hoje resolvi me manifestar desde que todo esse processo da Missão Nigéria começou...
Meu silêncio foi apenas na manifestação virtual, também como muitos...
Pois essa Missão, foi uma viagem na qual, tenha a certeza, você levou muitos de nós...
Acompanhamos a palavra de cada um de vocês, manifesta através dos Diários, sentimos cada nó na garganta, sentimos cada punhalada no coração de vocês ao verem as atrocidades que foram descritas, nos revoltamos junto com vocês sobre as injustiças, a falta de amor, a falta do Deus do Evangelho nessa multidão que caminha em silêncio, nesse chão tão árido...
O Diário 13, chega a ser digno de um capítulo de livro, ou de um roteiro de filme rodado na África, tal a riqueza de detalhes, a simplicidade e sensibilidade dos elementos descritos...
Você formou um exército aqui, que permaneceu em prontidão orando, pedindo de sol a sol, por vocês, por eles...
Compramos a briga com vocês... e não tinha como ser diferente...
Louvamos ao nosso Deus, por estarem de volta, bem, e poderem rever os familiares e amigos...
Contudo, sabemos que nosso coração ainda permanecerá naquela estufa, naquele caldeirão miserável... e continuaremos, dia a pós dia, a clamar por aquelas almas, a clamar pelas crianças, a clamar pela chance delas apenas viverem a infância sem o desespero de ter o próprio homem, como seu principal algoz...
Eu, aprendi muito com essa viagem!
Vibro com isso, pois sei que muitos aqui, oraram, choraram, clamaram e cresceram...
Sei que nossa experiência é infinitamente incomparável a tudo o que viveram... Pois apenas vivemos com vocês o que vocês nos permitiram ter acesso, e que existem muitas outras coisas que nem ao menos sonhamos...
Mas, é confortante saber, que estão de volta ao nosso meio e que teremos muito à falar sobre isso, e mais do que isso, muito a planejar sobre os próximos passos...
Sejam muito bem-vindos ao nosso meio... e repito aqui sua interrogação afirmativa...
mas nas entranhas silenciosas das lembranças do Campo, quem nos livrará carregar dessa uma viagem quase tudo que se leva de uma vida?!
Amamos muito vocês!!!
Não vemos a hora de reencontrá-los e abracá-los!!!!
Patricia




















