COMPARTILHANDO FATOS, IDÉIAS E VIDA ENQUANTO CAMINHAMOS

16 de abr de 2007

O Vinho Novo Para Uma "Nova Era"

Os Pastores Querem o “Novo”

----- Original Message -----
To: marceloquintela@caiofabio.com.br
Sent: Friday, February 09, 2007 12:42 AM

Primeiro Contato

Olá meu irmão
Sou um jovem "pastor presbiteriano" que apesar de poucos anos de "atividade ministerial' em seus moldes institucionais, um tanto já cansado, ferido e desiludido, vivendo em meio a tantas dualidades, contradições e antagonismos, sentado à frente de um computador. Com a Graça do Pai, tenho sido banhado pelo abençoado e renovador bálsamo deste conteúdo do site
www.caiofabio.com

Até o final do mês passado, pastoreava uma igreja local, da qual acabo de renunciar o pastorado sem qualquer motivação litigiosa, graças a Deus...

Sou casado com uma mulher vocacionada (de formação e "informação" Metodista), porém (negativamente) perplexa com tudo o que temos visto e experimentado no ministério e temos uma filhinha. Estivemos com o Caio Fábio em 2000, em Londrina, quando do lançamento do livro Nephilin.

Como tu já deves saber, a realidade do Sul é de muitos contrastes em relação ao restante do País. É preciso vinho novo para os pampas. Este projeto "Caminho da Graça" com suas "Estações" certamente reúne características absolutamente perfeitas para a difusão do Reino neste "rincão" do Sul do País.

Oro a Deus por "Estações" no Sul... Por isso, sem qualquer pretensão (por favor, acredite, pois nossas perspectivas futuras estão confiadas nas mãos do Senhor), existe algum interesse dos irmãos em expandir "O Caminho" por aqui também...? Se afirmativo, diga-me como...Talvez poderia até colaborar de alguma forma...Certamente há muita oportunidade por aqui neste sentido...

No desejo de poder estreitar esta amizade...

Somente N´Ele...Por Ele e Para Ele...

Segundo contato (a recebi enquanto escrevia a resposta)

Desculpe Marcelo...

Concluindo o e-mail anterior, este ano vou permanecer em disponibilidade em nosso frágil e limitado Presbitério. Será um tempo para reflexão sobre nosso futuro ministerial...Mas por vocação e paixão, não quero deixar de pregar o evangelho de Cristo...Eu e minha esposa clamamos por um "vinho novo"...!!!
_†_
Querido irmão de Caminhada,

Li seu email uma vez, e depois li novamente.

Agradecemos muito sua voluntariedade, que demonstra carinho e confiança em nosso trabalho. Quando precisarmos, certamente pediremos sua colaboração amiga, sim. Muitos "filhos do Evangelho" de todos os lugares tem nos ajudado muito, mesmo à distância.
Mas, note: uma coisa é "admirar" o Caminho, outra é ter disposição e consciência para encará-lo, em qualquer nível de participação!

Quando fui iniciar o Caminho em Santos, me reuni com o Conselho da igreja para expor as razões da minha decisão, e após isso lhes disse: "Todavia, vocês não vão comigo. Nesses anos de convivência ficou claro que vocês não têm consciência para encarar alguma coisa fora do teto evangélico; e portanto, não quero fazer ninguém ir para casa à noite e ficar sem dormir pensando se está fazendo a coisa certa. Deixem-me ir somente." De mal grado, oraram por mim, e eu fui.

Admito que pareci arrogante naquilo que lhes disse, e fazendo assim, sei que lhes provoquei indignação velada. Porém, foi o que decidi depois que cheguei ao ponto com o qual você introduz sua carta: "apesar de poucos anos de 'atividade ministerial'... um tanto já cansado, ferido e desiludido, vivendo em meio a tantas dualidades, contradições e antagonismos".

Nossa! Se é de Deus, não pode fazer tão mal assim, mano! A gente começa a se arrastar em tristeza, e arrasta a família toda junto! Sei o que é isso!

Digo tudo isso para afirmar com todo carinho e respeito por você, que naquilo que diz respeito ao Caminho, você quer-não querendo! Tuas "dualidades, contradições e antagonismos" ainda não te mataram! Você ainda parece suportar tudo muito bem, apesar dos trancos prováveis!

Percebo na sua alma o desejo do "Novo" sim. Mas, creia-me, é tudo muito "ministerial" ainda. Digo, é tudo muito "intra-muros".

Jà quanto a nós: O Caminho está nas ruas!

Está nas praças, nas esquinas, nos escritórios, nas casas e principalmente, no secreto do quarto da alma livre.

Semana passada fui a um churrasco num casarão à beira mar em São Vicente. Comemos juntos, bebemos com moderação, dançamos com alegria. Compartilhamos o Evangelho com naturalidade, em rodas formadas espontaneamente. Enquanto as mulheres brincaram num Karaokê, os homens jogaram bola - com lealdade e amizade! Uma chuva gostosa encharcou a areia da praia. Reuni os "jogadores" ao final, e pedi que eles me acompanhassem à água, pois um recém-convertido ao Evangelho (não ao pacote eclesiástico cristão, que vai colocá-lo dentro de uma ciranda comportamentalista, mas NÃO VAI mudar a sua vida) pediu-me para ser batizado, pois havia crido com o coração e confessado com a boca acerca de Jesus Ressurrecto. Lá na água, uns sem camisa, outros ainda esbaforidos da "pelada", estenderam as mãos ao nosso irmão, ouviram-no falar da certeza que ele ganhou que "se um dia eu vier a me afastar Dele, sei que Ele nunca se afastará de mim!", e em lágrimas batizei-o em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo! - tomando o sol como testemunha e as montanhas ao redor como pilares do Santo Templo a proclamar: "Foi Deus quem nos fez! Somos Obra de Suas mãos!"

Agradeço a Deus todo dia pelo Caminho. Por esse espírito que carrega como referência exclusiva o Evangelho de Jesus, e não os heróis da nossa arqueologia religiosa - que foram irmãos muito importantes para o seu tempo e para sua geração e deixaram importante legado, mas que precisa sempre ser atualizado e não reverenciado como mandamentos em pedra!

Por isso, há gratidão por Calvino e John Wesley, só para ficar com reformados e metodistas da vossa formação.

Porém, se esse Cristianismo perdeu a própria alma no meio das seduções do mundo, como há de salvar o mundo??? Sim, "nossos pais" discerniram a carência de sua época, perceberam que a igreja de então não percebeu nada, e foram à frente dela, atualizando o que É eterno, cada um conforme seus limites, consciências e formulações.

Mas, e quanto à hoje? Quanto ao nosso tempo, ao tempo do fim, à era da multiplicação da ciência, ao tempo em que a urbanidade finalmente avançou sobre o campo e mudou o estilo de viver da sociedade global, à geração que sonha com a possibilidade de se imortalizar devido nossos avanços biotecnológicos, ao tempo da multiplicação da iniquidade, onde "guerras e rumores de guerra" já são coisas do passado, onde o "princípio das dores" se avizinha, onde os homens já "desmaiam de terror frente ao rugido dos mares" ? Sim, e quanto aos nossos dias, onde os falsos profetas apontam que Cristo está aqui ou ali, e não dentro de nós: uns O guardam nos seus templos, outros lhe arranjam um túmulo, e os que virão lhe chamarão de Maitréia... Eu pergunto então: Que Evangelho-Boa-Nova cabe para salvar a geração mais incrédula e perversa, complexa, complicada, insegura, agitada, desalmada, tarada, bem-sucedida e insatisfeita, injusta e materialista que já habitou o chão do planeta Terra?

O Evangelho para as últimas gerações deve ultrapassar em muito qualquer questão abordada por nossos "pais", pela sua igreja, pelo nosso púlpito dominical aí no Sul. No século XXI, todavia, o Evangelho continua atualissímo; e é poder de Deus para salvação:
- da Depressão (o mal do século, segundo a OMS);
- da Síndrome do Pânico Universal, conforme o Caio designou esse estado de terror silencioso que nos domina;
- do Desespero contido na alma civilizada e cheia de fios neuro-elétricos desencapados;
- da insatisfação crônica que consome, consome, consome e nunca se sacia!
- da insegurança espiritual que faz com que todos se sintam pisando em campo minado!
- das alucinações geradas pelo excesso de informação e marketing
- do entorpecimento anestesiante, da embriaguez dos sentidos, da promiscuidade suicida;
- das "guerras que militam dentro de nós", segundo Tiago
- da frieza relacional, que impõe o lema: Eu antes, Eu primeiro, Eu acima! - como base social dos casamentos, das comunidades, das amizades, das igrejas, das empresas, das corporações e entre as nações!

Por isso, amigo, debates em classes de Escola Dominical pela manhã acerca dos eternos antagonismos teológicos entre livre-arbítrio x predestinação não servirão mais de fundamento para suportar os dias que se seguirão, onde a fé será matéria escassa na Terra. Doutrinarismos, adestramentos morais, comportamentalismos, entretenimentos religiosos, gincanas bíblicas, manuais de discipulados, gritos de guerra santa, marchas para Jesus, presidente evangélico, bancada evangélica, nada nada nada nada disso tem valor algum contra a sensualidade em cascata desses dias!

Então, querido irmão, fique certo do seguinte: para os "do Caminho": é Tudo ou Nada! É o Vinho Novo para uma Nova Era!

Por isso, te digo, com meu melhor coração pelo seu coração: Não sirva a Deus por conveniência. Quer o Novo? Abrace-o em você. Ele também não está no "Caminho", pois o "Caminho" é só o encontro regular de suas Estações. O Vinho Novo que você quer não é novo coisa nenhuma e nem o Caio inventou nada, tendo somente traduzido para esse tempo e discernido o gosto do Evangelho conforme discerniu a ponto de tantos finalmente terem entendido e serem libertos, pois esse é o dom que Deus lhe deu. Nada novo e nada tão Novo. É o DE SEMPRE E PARA SEMPRE! A NOVA ALIANÇA DO SEU SANGUE!

Portanto, vá plantando conforme caminha, porque o Caminho começa como uma semente, e um dia vem a ser uma grande arvoré que dá ninho e sombra a muitas aves do céu, cansadas do sol que torra os nervos e exaustas de voar sem direção!
Estou num dia mais reflexivo. Espero que me entenda.
Deus te abençoe na igreja, e abençoe a igreja através da tua vida!
Sirva com alegria e conforme o seu chamado, todavia sem médias e negociações contra a consciência - para que você mesmo não venha a se perverter no íntimo!

"Cuida de ti mesmo, e da sã doutrina!"

Na mesma Graça,

Marcelo
09 de Março de 2007
Santos - SP

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