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2 de set de 2010

A PALAVRA E AS OUTRAS ESPADAS

A Palavra e as outras espadas

Deus, aos olhos de Quem nada está oculto, conhece os caminhos e descaminhos de nossos labirintos interiores.
Essa nossa angústia essencial tem sido laboratório para as ciências que se pretendem especialistas em desvendar o homem: SER a ser desvendado!

Percebi que o texto de Hebreus admite a possibilidade de “outras espadas”, inclusive com versáteis gumes de penetração, de atuação profunda na tentativa de interpretar nossas idiossincrasias. Há a psicologia, a sociologia, a antropologia, a teologia, e tantas outras “gias” que inventamos.


Porém, o autor de Hebreus ressalta que a ação da Palavra no homem integral (mente e espírito) é mais profunda que qualquer espada de dois gumes. A Palavra não é comparada às espadas, Ela é entendida acima delas, em seu poder de descompactar o homem “zipado”.

A Palavra é um descompactador de gente. Ela não se compara!

Ou seja, nenhum outro artifício de autoconhecimento e ajuda pode mergulhar às regiões tão densas e abissais do mar da vida quanto àquelas as quais a Palavra lança sua luz de intenso fulgor.

Quero dizer que, quando a Palavra Viva de Deus atinge o mais profundo e inexorável nível de “adentramento humano”, os outros meios todos já se aprofundaram o máximo que podiam na gordura do ser e existir.

Por esse pensamento, tenho que relativizar todo o mais: Se a Psicologia conhece o caminho para sala de estar da interioridade, a Palavra vai ao quarto que cheira à gente; se as filosofias nos permitiram chegar a esse quarto, então a Palavra pode vasculhar os lençóis e levantar o colchão; se os fármacos auxiliam conhecer essa cama, a Palavra já acende sua Luz debaixo dela, e revela poeiras e baús do passado irremovível a nos adoecer. Se terapias e processos de análise abrem os baús do psiquismo assustador e assustado, a Palavra é capaz de estar removendo as quinquilharias do porão escuro da psique tão complexa.

Há um tempo atrás escrevi umas linhas acerca da enfermidade emocional que já me afligiu incrivelmente, e que me parecia tão paradoxal com a proposta da conversão triunfalista comum nos anos 80-90 (bom, hoje está pior!) ... Foi escrito para mim e para meu Deus, e agora para os “íntimos anônimos-desconhecidos internautas.”

Não sei ao certo separar alma e espírito, os processos bioquímicos cerebrais das pulsões do meu ser. Nem sei quem - o quê-sou!
Antes era tudo tão simples para mim...
Agora confundo fruto do Espírito com a ação das Endorfinas repostas; confundo alegria Cristã com a atuação das serotoninas encapsuladas. Não sei distinguir a culpa religiosa pela moral envergonhada com os processos depressivos da biopsique afetada.

Mas, ainda que para mim, pareçam indivisíveis como um bloco, creio que a Palavra de Deus SABE e PODE separar, destrinchar e interpretar alma e espírito, juntas e medulas, artérias e nervos dos mais complexos plexos orgânicos. È capaz de separar neurônios que habitam meu cérebro-carne-corruptivél, dos “gloriônios” que habitam as regiões celestes nas quais já estou assentado, mesmo quando assentado estou em profunda limitação do ser e estar. Essa PALAVRA VIVA – sei lá como – FAZ ISSO! E POR ISSO É EFICAZ!

AQUELE QUE É A PALAVRA TORNOU-SE CARNE E VIVEU ENTRE NÓS. VIMOS SUA GLÓRIA ... CHEIO DE GRAÇA E VERDADE... TODOS RECEBEMOS DA SUA PLENITUDE, GRAÇA SOBRE (EM LUGAR DE) GRAÇA.


Escrito em 2003

MARCELO QUINTELA

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