COMPARTILHANDO FATOS, IDÉIAS E VIDA ENQUANTO CAMINHAMOS

11 de jul de 2007

No Divã - 4a. História

Sou pai de um filho gay. O que faço?

Querido pastor

Peço sua ajuda numa grave situação que venho enfrentando em família.

Trata-se de homossexualidade na vida de meu filho do meio.

No final de 2002 descobrimos a questão “H” do menino, então com 18 anos. Procuramos ajuda especializada entre cristãos. Acho que nós sempre estamos à frente de nosso filho na busca da restauração. Ele inicialmente ia contrariado às atividades propostas pelo grupo de apoio, agora já se dispõe a ter sua vida consertada, mas ainda assim acho que falta um “estalo” que estabeleça um inequívoco propósito e uma determinação perceptível para nós que ansiamos por resultados.
Como vivenciar esta situação trágica?
Como posso ajudar meu filho?
O que posso o que devo fazer? São perguntas que eu faço a mim mesmo e a Deus!
Fico muito agradecido se você puder compartilhar comigo seu entendimento.
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Meu amado irmão: Graça e Paz!

A gente sempre pensa que isso nunca poderia acontecer na casa da gente. Mas pode. Portanto, quero dizer que você não está só. Há milhões de pais vivendo as mesmas questões.

O problema tem muitas variáveis no tange aos pais:

1. O pai fica achando que gerou um “transviado”. E não é verdade. Você poderia ser a pessoa com essa “dor”, e não seu filho. Ou seja: você poderia ser aquele que está vivendo o conflito de seu filho, e somente Deus sabe por que é ele, e não você. "Homens" não são apenas os seres heterossexuais. Homens são aqueles seres que são dignos, bons, justos e comprometidos com Deus e com a vida. Deus vê homens, não vê apenas "machos". Há milhões de "machos" que não são homens. "Tragédia", portanto, não é isso. Graças a Deus você não sabe o que é uma tragédia. Seu filho não é uma "tragédia", é apenas um menino-homem com um conflito que todos nós, pais, gostaríamos que nossos filhos não tivessem.

2. Os pais sempre acham que a culpa é deles. Algumas vezes, talvez até pode ser. Mas não há essa relação de causa e efeito tão determinantes como o “negócio psicanalítico” pretende estabelecer. Há coisas que viajam num nível mais profundo que a “dinâmica familiar” pode explicar.

3. Os pais também se preocupam com a vida de “marginalidade” do filho. Marginalidade social, afastamento da igreja e da moral, e com os fantasmas acerca do mundo gay. E essa aflição só piora as coisas. Quanto mais o menino se sentir um “marginal”, mais ele será um mesmo.

4. Vem ainda a preocupação — no caso de evangélicos — com o destino eterno da alma do filho. “Vai pro inferno!”— é o vaticínio da religião. Eu não consigo ver assim. Quando a Bíblia diz que efeminados, adúlteros, feiticeiros, idólatras e outros — irão ter um destino “danado”, ela está falando do "ser" dessas pessoas. Por isto é que ela também fala dos facciosos, arrogantes, invejosos, sem afeição natural, roubadores, mentirosos, covardes, e “juízes” do próximo, como estando no mesmo barco. Ora, se você quer tratar o assunto na base dos “grupos de risco” para o inferno, coloque-se no mesmo barco—você, sua esposa, seus outros filhos, seus pastores, a “igreja” e o resto da humanidade—pois, a natureza humana, objetiva ou subjetivamente, é assim: caída. Somos salvos--todos nós--pela Graça de Jesus!

5. A “igreja” não ajuda nessa hora. Infelizmente. Ela apenas põe sobre o cara as penalidades do inferno, e o torna um potencial filho do inferno, porque, muitas vezes, depois de todos os esforços, 98% dos caras não conseguem “mudar” a inclinação. E, então, não conseguindo, sentem-se “danados”, e, então, entregam-se mais profundamente ainda ao “problema”. A Lei aumenta a culpa e a culpa adoece ainda mais o ser. O “resfriado” vira pneumonia e tuberculose. “A Lei avulta o pecado!”

6. Minha sugestão a vocês, os pais, é dupla:

a) Sejam amigos dele. Não o tratem como um “ser estranho”. Não passem “recibo” acerca do problema. Ele tem que saber que é filho, e que a filiação dele não é retribuída com uma tendência sexual. E fiquem alegres dele estar tratando disso de modo franco e aberto. Quanto mais leve for a relação familiar, menos adoecida será a relação dele com essa “inclinação”. É como a garotinha que tem um “foguinho sexual”, e os pais começam a tratá-la como uma “quase-prostituta”, e a garota acaba virando aquilo que foi “projetado” pela acusação.

b) Não misturem essa situação humana com a relação dele com Deus. A “igreja” também é especialista em afastar de Deus aqueles que ela não quer ter no meio dela. Não entrem nesse esquema. Deus ama seu filho e saberá lidar com ele, conforme a grandeza de Sua Graça.

c) Procure uma Estação "dos do Caminho". Se há um lugar onde ele vai poder ouvir a Palavra da Verdade, com liberdade para estar presente, sem ter ninguém oprimindo, e sendo completamente respeitado nos processos da Graça de Deus na vida dele--eu, pela misericórdia de Deus, sei que é lá.

Lá ninguém tem permissão pra se meter na vida de ninguém. Nem eu. E só falo pessoalmente acerca daquilo que me perguntam. Afinal, eu creio que a Palavra de Deus fala por si mesma. Eu apenas a prego, até contra mim mesmo, se for o caso. Todo mundo que vai lá ouve a Palavra.
E nunca vi ninguém nem ofendido e nem constrangido.
Leia agora a Carta conforme segue transcrita. Com amor e orações.

Caio

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