COMPARTILHANDO FATOS, IDÉIAS E VIDA ENQUANTO CAMINHAMOS

17 de ago de 2007

No Divã - 22a. História

NAMORO CALDO DE GALINHA...


----- Original Message -----

From: NAMORO CALDO DE GALINHA...

Sou nascida em um lar cristão, filha de pastor, e parte considerável da liderança da minha igreja é composta por familiares meus. Por esta razão, fica difícil saber se os conselhos que tenho recebido ultimamente vêm mesmo do Senhor, ou são fruto da superproteção e amor dos meus familiares e daqueles que me querem bem. Desde bem novinha, dizia ao Senhor que queria que Ele tomasse conta da minha vida afetiva, que queria fazer tudo de acordo com a Sua soberana vontade. Foi a área da minha vida que mais me preocupava em dedicar ao Senhor; havia errado uma vez, me relacionando contra a vontade dos meus pais e sofrido muito, não queria que a situação se repetisse.

O fato é que comecei a namorar um grande amigo, com ele eu tinha total liberdade de ser eu mesma e a companhia dele me deixava muito feliz. Porém, comecei o namoro amando ele, mas ainda sem ter a certeza se era um amor só de amigo, ou se o amava realmente como homem, se era ele a pessoa certa para mim.

Nessa época, meus pais haviam acabado de se separar, estava passando por uma fase difícil e ele esteve do meu lado com total dedicação e suporte, eu não tinha duvidas de que ele me amava, não só por suas palavras, mas por suas atitudes. Mesmo assim, me perguntava se só estava com ele porque ele me fazia bem, ou se o amava de verdade. Por causa dessa dúvida, passei meses sem corresponde-lo da forma como ele merecia, quem fazia o namoro dar certo era ele, os esforços raramente partiam da minha parte.

Ele abriu mão de muita coisa, mas eu de quase nada. Com o passar do tempo, fui tendo a convicção de que eu o amava, talvez porque ele tenha conquistado isso em mim. Orava e pedia a Deus que me ensinasse a ser uma mulher sábia e virtuosa, queria faze-lo feliz, pois ele já havia feito isso por mim. Quando passei a demonstrar mais carinho e compreensão para com ele, fui percebendo que ele foi se tornando mais distante, mais frio comigo, eu não entendia o porquê, achava que ele estava passando por algum problema que não queria me contar ou algo semelhante.

Ele foi se tornando cada vez mais fechado e calado, até que um dia eu perguntei se ele não estava mais se sentindo bem em minha companhia, se não queria mais estar comigo, e recebi a resposta que eu temia: ele afirmou que não queria mais ver eu me esforçando para que o nosso relacionamento desse certo, porque estava sendo em vão, pois ele já havia se ferido muito, a ponto de não sentir a mesma coisa por mim. As palavras dele doeram muito, eu não esperava por isso. Sei que o motivo disso tudo não é uma terceira pessoa, se fosse, pelo que conheço dele, ele me contaria. Sei também que ele tem estado ocupado dia e noite com o trabalho há meses, mesmo antes de terminarmos e que tem passado por uma fase de muito stress. Acho que o sentimento dele se desgastou, que ele está em uma fase difícil, mas sinceramente, não consigo acreditar que acabou.

Não vivemos um namoro conturbado por uma simples paixonite, nos conhecíamos há muitos anos e tínhamos um relacionamento muito sincero, de muito respeito, eu demonstrava o quanto gostava dele sim no começo, mas o problema é que, em boa parte das vezes, ele demonstrava mais amor e dedicação do que eu. Eu tinha duvidas, e deixava isso bem claro para ele. Quando eu pensei que as coisas iam melhorar com minha mudança e minha suposta certeza do que eu queria, eu tive essa decepção.

Tenho colocado minha vida e meus sonhos na presença de Deus, meus pais e amigos me aconselham a sair e conhecer novas pessoas para esquece-lo, mas isso não tem sido suficiente, eu ainda acredito em nós. Tenho pedido a Deus que tire essa esperança do meu coração se esta não for a vontade d’Ele para minha vida. Mas acredito que seja uma fase que tanto eu quanto ele precisamos para amadurecer, para que possamos viver bem juntos.

É errado ou ilusório eu continuar alimentando esperanças, tendo ele falado que já não sente o mesmo por mim? Meu pai fala como se fosse algo totalmente perdido e que eu deva esquecer, sempre procuro ouvi-lo, mas agora eu tenho a impressão de que ele esta com o orgulho ferido por minha causa. Sei que você é um homem muito ocupado e que precisa aconselhar pessoas com problemas aparentemente muito piores de que o meu. Mas eu queria muito receber uma orientação com base nos princípios do Senhor, quero fazer a coisa certa aos olhos Deus, mas não quero alimentar falsos sonhos e esperanças.
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Minha querida amiga: Graça e Paz!


Eu acho que você deveria ouvir seu pai e deixar ‘a fila andar’.

Não creio nesses amores lentos e sem sincronia. Acho que casais assim podem até ficar juntos para sempre, porém sempre infelizes. Acho que o rapaz cansou... Na realidade, provavelmente, ele tenha visto que ele mesmo se ‘esforçava’ pelo namoro apenas porque é gente boa, e queria que desse certo (as razões... só ele pode explicar), mas entendeu que para você ele é apenas a mais segura opção, e não algo que tenha nascido como uma fonte natural em sua alma.

Ele queria ser fonte... não piscina! Somente um homem ‘muito bom de tão bobo’ é que aceita uma mulher que se esforça para amá-lo. Além disso, como já disse, provavelmente ele mesmo descobriu que está com você também por bondade dele; e, agora, não quer mais isso. Bondade tem que estar presente no casamento, mas não é de bondade que um casamento é feito. Casamentos de bondade são missões fraternas. Casamentos de bondade são doces prisões. Casamentos de bondade são a receita para uma passiva infelicidade. Vejo um monte de gente casando porque o outro é gente boa. Ora, esse é um bom critério para fazer e manter amizades, mas não é suficiente para o casamento. Casamento feito apenas em razão da bondade cria uma confraria matrimonial, mas não alimenta os anseios do coração do homem e da mulher. Isso sem falar que o sexo da bondade é como caldo de galinha: não faz mal, mas não dá muito prazer! Deixe a ‘fila andar’... Pelo amor de Deus! Você é jovem, e não precisa casar com um ‘Gandhi’ apenas porque ele é gente boa. Na realidade você está preferindo se esforçar para ‘amar o amigo’ apenas porque você mesma disse que teve um relacionamento conturbado. Ou seja: a presente situação é a escolha da insegurança! Sim, saia e conheça outras pessoas. E isso não é para esquece-lo, mas sim para poder tocar a vida adiante, com todas as implicações de viver para poder saber.


Sua insegurança é grande.


E como sei disso?


Ora, é que a devoção à soberania de Deus, muitas vezes, é fruto do medo, não da devoção.


Ou seja: a pessoa não quer correr riscos, por isso, quer ser teleguiada pelos céus. Mas não existe tal possibilidade. A gente tem que viver. Afinal, o justo vive pela fé, e tem que ter coragem de confiar na soberania de Deus para ir sem saber... e tentar, mesmo sem garantias. A vontade de Deus a gente aprende vivendo pela fé, não buscando uma voz do céu. E não se preocupe. Viva com seu melhor coração, e busque olhar a vida com fé e bom senso, pois, a Vontade de Deus Ele mesmo faz acontecer. Afinal, a vontade ‘é’ de Deus. Portanto, sendo Dele, Ele mesmo faz acontecer. Você, todavia, tem que viver pela fé, sabendo que Ele revelará a vontade Dele a você no ‘caminho’... enquanto você vai.

Leia o site. Aqui há muita coisa sobre essa questão da ‘vontade de Deus’.

Com todo amor e respeito essa é minha opinião.


Um grande abraço fraterno.


Nele, em Quem ninguém tem que ser o que não é, e nem tampouco se esforçar para amar um homem a quem o coração não elegeu com soberania,


Caio

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