COMPARTILHANDO FATOS, IDÉIAS E VIDA ENQUANTO CAMINHAMOS

31/07/2007

CRESCENDO NA GRAÇA E NO CONHECIMENTO DO EVANGELHO

CRESCENDO NA GRAÇA E NO CONHECIMENTO DO EVANGELHO

A Graça é inclusão imerecida em tudo o que Deus chama bom e bem.

Desse modo a Graça nos inclui para nos acolher e nos inclui para nos enviar.

Sim! Porque a Graça é tudo. Graça é o que de Deus nos vem. E o que Dele não nos vem?

Ora, no início minha preocupação era com a dimensão inclusiva da Graça e com o poder de anulação da Lei como meio de salvação, posto que se é de Graça não decorre de Lei, conforme Paulo.

Assim, dediquei os primeiros anos dessa nova jornada ao trabalho de ajudar as pessoas entenderem essa dimensão fundamental. Penso que a maioria entendeu.

Agora, chegou a hora de avançar nas muitas e infindáveis outras dimensões da Graça de Deus em nós.

Chegou a hora da Graça do Trabalho.

Chegou a hora da Graça de dar.

Chegou a hora da Graça de si dar.

Chegou a hora da Graça de expandir dons e serviços da fé.

Chegou a hora da Graça como missão no mundo.

Chegou a hora da Graça como compromisso.

Chegou a hora da Graça como o privilégio de ser responsável.

Chegou a hora da Graça para os gratos e engajados por amor.

A Graça nos tira do lixo para o tesouro!

Mas tem gente que deseja apenas a Graça que perdoa quem está no lixo, embora não haja em tais pessoas nenhum desejo de sair de lá. Assim, a Graça salva pelo fogo, mas não derrama fogo do céu sobre a cabeça da pessoa como poder e unção.

Em outras palavras (e minha mulher e alguns irmãos do Caminho são minhas testemunhas quanto ao que direi) — chegou a hora na qual aqueles que dizem que são abençoados com o que ensino, me levem mais a sério do que nunca, pois, esse tempo todo, apenas aguardava a hora madura para iniciar essa outra viagem: a jornada na Graça como alegria de servir a Deus e ao próximo, com todos os dons da Graça que o Espírito Santo sobre nós tem derramado.

Agora é que a viagem começará a ficar linda, rica e excitante!

Você vem?


Nele, em Quem a Graça não é vã,



Caio

30/07/07
Lago Norte
Brasília

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30/07/2007

POR QUE VOCÊ NÃO ASSUME QUE ATÉ HOJE NÃO CREU?

POR QUE VOCÊ NÃO ASSUME QUE ATÉ HOJE NÃO CREU?

Jesus disse que pouco é necessário; e é isso mesmo ASSIM, pois, de fato, o que é essencial não é nada além de muito pouco.

Quando encontrei o Senhor o que mais me chocou foi isso — ver que pouco era necessário!

E o que é necessário para que a vida de alguém seja como um estádio cheio de gente para muito mais gente ainda?

Sim! Pois a promessa do reino, segundo os profetas, é que um seria como mil. E Jesus disse que aquele que Nele cresse faria obras ainda maiores do que as que Ele mesmo fez.

Ah! Muito pouco é necessário!

Nós, todavia, não vemos isso porque o poder está dentro, coberto por um vaso de barro, que é essa nossa realidade de fraqueza.

Por isso, quem olha apenas para o que vê em si mesmo do lado de fora, ou tem que ter nascido rico, ou precisa ter muito dinheiro e fama, ou necessariamente carece de poder político — a fim de crer que pode fazer alguma coisa.

Mas não é assim.

Veja Jesus. O que Ele tinha ou buscou do lado de fora? Ambicionou Ele fazer amigos entre os ricos? Laborou Ele por se fazer respeitado no Sinédrio de Israel? Buscou Ele algum vínculo com Herodes, com Pilatos, com o Imperador Romano? Por que não atendeu Ele o convite dos gregos que, via Filipe, desejavam levá-Lo para Edessa?

Sim! Veja Jesus! O que Ele tinha? E diga-me: Quem teve mais que Ele?

Quando Jesus disse que os que cressem Nele fariam as mesmas obras Dele e outras ainda maiores, fazia referencia a duas coisas: a 1ª era ao poder do Espírito Santo em todos os que crêem; e a 2ª era ao potencial que a Graça plantou em todos nós — na forma de dons, talentos, e, sobretudo, na forma de um poder oculto, o qual é ativado pela fé, pela esperança e pela paixão do amor de Deus.

Não são os mais inteligentes, ou sábios, ou os poderosos do lado de fora, os que mais podem.

Não! São os que crêem os que podem; e os que olham o invisível; e os que se lançam à vida como loucos de certeza; crentes que milagres acontecem; e, sobretudo, sabendo que tudo é possível ao que crê.

A história bíblica inteira é a narrativa de como os que não tinham, tiveram; de como os que não podiam, puderam; e de como os que não eram visto, fizeram surgir as realidades inolvidáveis aos sentidos históricos.

Quem era João Batista? Quem era Pedro, João ou Paulo? Que apoio tiveram? Quem lhes ofereceu qualquer oportunidade? Quem lhes deu o “púlpito”? Quem lhes disse que eram fadados à glória humana? Quem afirmou qualquer coisa em favor deles? Que meios tiveram? Com quais instrumentos trabalharam? Quanto dinheiro possuíram? Ou quando alguém os viu se queixando que sem muita infra nada poderiam fazer?

Nenhum deles teve nada além do que se podia carregar no coração, oculto aos olhos humanos.

E o que houve?

Ora, eles surtaram de significado; e crerem que Jesus os havia enviado; e, sabendo disso, não duvidaram; e apenas partiram para as ruas, as praças, as sinagogas, as ágoras greco-romanas, os anfiteatros públicos, as casas, as estradas, os caminhos, as prisões e os exílios — sempre crendo que cada lugar era o chão do milagre e da revolução; e que cada pessoa era uma multidão de potencial se cresse na Palavra; e que os novos “Gadarenos” diriam: “Cheios de Deus é o nosso nome!”.

Eu cri nisso aos 18 anos. E vi; e vocês mais velhos também viram que um menino cheio do Espírito Santo, adulto na fé e na esperança, sem temor de homens e sem esperanças mundanas, pode, pela sinceridade simples da fé, realizar obras extraordinárias.

E vi que o necessário é apenas crer e andar. Sim! Crer e andar. Crer, ver, andar, fazer!

E tudo começa a partir de 5 pães e 2 peixes. Ou partir de 12 homens. Ou mesmo pode começar se um homenzinho obstinado e apaixonado crer, e, assim, com sua fé, decidir visitar toda a Terra dizendo a todos que há um só Deus; e fazer isso com tamanho amor que ninguém consiga dizer que aquela pessoa, certa ou errada, não seja “de verdade”.

Assim nasceram e nascem os Pedros, os Joões, os Paulos, e todos os santos malucos que mudam homens e histórias.

E se cada um deles fosse perguntado sobre o que seria necessário, todos eles diriam: “Ora, pouco é necessário; basta que esse vaso de barro abrace o grande tesouro que Deus depositou em seu coração”.

Então pergunto a você:

O que você está esperando? Até quando você se esconderá do fato que em você habita o poder do milagre, e que sua vida é assim como tem sido, pequena, sem alegria, sem os tumultos bons, sem os bons combates, sem o espírito da revolução, apenas por que você não crê mesmo?

Há pessoa que simplesmente vivem como se nelas não houvesse nada além de dor, fraqueza e impotência.

Mas não é assim. Pois grande é o tesouro que este meu vaso de barro guarda; assim como é grande a riqueza que habita o seu vaso.

Não temos desculpas. Quem não manifesta o que recebeu é porque enterrou como o homem que ganhou um talento e o escondeu.


Pense nisso!


Caio

30/07/07
Lago Norte
Brasília

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29/07/2007

No Divã - 14a. História

Meu Pastor Está Assediando as Ovelhas

Questão:

Querido irmão Caio Fábio:

Estamos com profundas dificuldades na igreja onde congrego. Venho em nome dos irmãos de uma igreja muito desconhecida aqui no sul do país desabafar o que estamos vivendo sem poder transformar esta situação.

O que acontece é que temos em nossa igreja um único pastor, fundador da igreja.

Por muitos motivos ele nos entristece há muitos anos! Precisamos de um conselho maduro para podermos agir sem, contudo pecar.

Esse tal pastor se encontra em muitas fraquezas espirituais, as quais foram recentemente descobertas por alguns membros da igreja, que compunha-se de 80 membros no inicio, mas que agora resume-se a 30 membros. E cada vez mais diminui mais em razão das fraquezas de comportamento do pastor.

Ele disfarçadamente utiliza de sua posição de liderança para assediar mulheres que congregam na igreja. Também de vez em quando ele "pula a cerca", como se diz, para manter um caso com uma irmã da igreja que tem uma "uma queda por ele".

Se quisermos manter a igreja em funcionamento devermos suportar as fraquezas do pastor, de outra sorte, nos vemos obrigados a nos afastar desta igreja!

O que devemos fazer? Por favor nos ajude! Estarei aguardando.

Minha resposta:

Meu amado irmão: Igreja é você!

Os irmãos são a igreja! Não é o prédio e muito menos o pastor!

Esse pastor está com as compulsões de um ser viciado em bordel!

Está sem alma para ser pastor! E a igreja não é o lugar onde alguém se cure deste mal enquanto a pastoreia!

Os problemas dele, são dele! Não conheço o "pastor", portanto não vai aqui nenhum tipo de julgamento sobre o ser dele!

Penso nele com misericórdia e na igreja com sentimento de proteção! Todavia, ele precisa de ajuda espiritual e psicológica!

A igreja, entretanto, não pode ser cobaia dele! Pastores também adoecem mental e sexualmente! O que o pastor doente não pode, sob hipótese alguma, é fazer "assédio" ao rebanho!

Meu conselho é simples, até por saber que uma pessoa no estado dele não ouvirá ninguém: Saiam daí e passem a se congregar noutro lugar, ou comecem a reunir-se vocês mesmos, quem sabe na casa de alguém.

As pessoas são fracas! Todos nós somos! O que não pode jamais haver é o uso da posição de ascendência para manipular as pessoas.

O que digo, o faço sem medo de estar errando!

Com carinho e oração,

Caio Fábio

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27/07/2007

No Divã - 13a. História

FIQUEI GRÁVIDA... SOU SOLTEIRA

-----Original Message-----
From: FIQUEI GRÁVIDA... SOU SOLTEIRA
Sent: segunda-feira, 16 de fevereiro de 2004 20:54
To: contato@caiofabio.com
Subject: Contato do Site : Confidencial

Mensagem:

Pastor, estou passando por uma grande tribulação.
É que estou grávida. Eu e meu namorado temos apenas 8 meses de namoro, e muita coisa nós vivemos juntos... pela primeira vez.

Tenho 29 e ele 26 anos e, tanto para mim como para ele, tivemos a nossa primeira relação sexual juntos.
Eu ainda não disse a ninguém, estou muito aflita.
Tenho lutado comigo e principalmente com Deus.
Por favor, preciso de ajuda...

***************************************************

Minha querida:

Que Deus abençoe essa vidinha que vem aí... ou melhor: que já está aí! Não há muito o que fazer. Agora é tratar a questão com bom senso. Se vocês se amam, que bom. Cuidem juntos do filho que terão... e casem-se. Se vocês acham que foi um erro, um escorregão, algo que vocês não querem... pelo menos não querem que seja a razão para vocês se casarem... Então, minha querida, diga ao rapaz o que está acontecendo, peça ajuda a ele para você ter e cuidar de seu filho, e não transfira nenhum peso de culpa para dentro dessa barriguinha.
Quanto a terem aprendido e estarem aprendendo “as coisas juntos”, que bom... Quem dera todos os casais tivessem a chance de conhecerem apenas um ao outro. Esse é o melhor dos mundos... quando dois se amam. Tudo fica mais simples quando se teve e se amou uma única pessoa na vida—isto quando se é correspondido.
Você não é mais criança. Com 29 anos você pode e deve assumir suas responsabilidades, e não permitir que ninguém a trate como uma retardada.
Ele é mais jovem... e, na maioria das vezes, existe uma significativa diferença de maturidade emocional entre a mulher e o homem...sendo as mulheres, em geral, bem mais maduras.
Mas da idade dele eu já era pai de três. Portanto, criança ele só será se desejar ser... tem idade pra ser homem. Espero que seja. Todavia, se você sentir qualquer hesitação nele... não force nada. E jamais se case apenas para “dar uma satisfação para a família, a igreja e a sociedade”. Seria um mal muito maior.
No mais, me escreva dizendo como o “pai” está reagindo... e como você se sente a respeito da gravidez.
Estarei orando por você. Fique calma. Você não está inaugurando uma era, e nem terminando outra. Aconteceu e acontecerá... todo dia acontece.

Nele, que nasceu em circunstâncias insólitas,

Caio

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26/07/2007

No Divã - 13a. História

Confessei e me ferrei...
-----Original Message-----
From: Antônio
Sent: quarta-feira, 11 de junho de 2003 15:27
To: contato@caiofabio.com
Subject: Confessei e me ferrei...
Mensagem:

A paz de Cristo,

Me identifico muito com você. Seus textos, suas opiniões, menos no time de futebol...
Eu passei há alguns meses por uma experiência nada agradável. Talvez vendo e não querendo ver os laços do diabo, me deixei envolver por uma linda menina. Até aí, ia tudo bem.... Só que sou casado, pai de duas filhas e líder de casais da igreja.
O que me sucedeu foi que eu confessei o meu pecado para a minha esposa e para o meu pastor.
Segundo ele, ninguém na igreja ou do ministério ficaria sabendo... Isto para mim não importava, pois, eu tinha certeza do perdão de Deus e da minha família...
Mas uma coisa que me chamou atenção... Foi o desprezo que as pessoas começaram a me mostrar...
Antes, terminado o culto, todos me abraçavam; agora, ao passar pelo corredor, nem a “paz” me davam.
Acabei me afastando da igreja amada, mas tendo encontros semanais com o meu pastor, que é uma pessoa maravilhosa e amiga.
Mas nunca mais Caio, eu fui o mesmo... Não consigo me reerguer na fé... Quando penso que as coisas estão voltando, que a fé está de volta, me decepciono novamente com as pessoas e comigo mesmo... E o que vejo nas pessoas é um amor interessado e não genuíno... A “igreja” não conhece o amor com o qual Cristo nos amou, e nos ama. O que noto meu amigo, é que as pessoas querem misericórdia para elas, e não para o próximo.
Isto é mais um desabafo, com alguém que já viveu coisa semelhante ou parecida, e que pode, de alguma forma, me dar algumas palavras que irão ser de grande valia.
Um abraço amigo, do seu irmão,

Antônio

*********************************

Querido Antônio:

Você fez a coisa idealmente certa! É assim que deveria ser. Mas depois de dois mil anos de cristianismo, já deve ter dado para perceber o seguinte:

1. Só dá para fazer a coisa certa com amigos que tratam a si mesmos e a você, abaixo da linha da Moral. Ou seja: gente que não é amigo apenas porque você está todo “de acordo”. Amigos de “igreja”, em geral, são amigos na igualdade, mas quase nunca nos “dias da diferença”. Daí, o “diferente” sempre virar pária.
2. Devemos confessar nossos pecados uns aos outros. A gente só tem que saber “quem são os outros”.
3. Não entendi que pastor tão bonzinho é esse, que recebe uma confissão, e a “igreja” toda fica sabendo. Vazou por quem? Por ele ou por sua esposa? Se foi por ele, sinceramente, gostaria de ter um pastor “bonzinho” desses bem longe de mim. Se vazou pela sua esposa: pior ainda!
4. Quanto a não conseguir levantar-se, quero dizer o seguinte:
a) é muito difícil fazer isto no ambiente imediato de uma “igreja” que vê as coisas como a sua parece enxergar;
b) é comum o individuo confundir a “rejeição” da “igreja”, com rejeição “divina”. Mas não é assim... Os homens são apenas os homens. Deus é!
5. Sugiro que você procure um outro lugar para se congregar. E, se sua esposa, perdoou você - é uma opção dela não querer mais ficar com você, você sabe disso!—, então, veja com ela se ela está disposta a perdoar mesmo, e não transformar você num “testemunho de marido adultero arrependido”. Já vi casos em que as mulheres se vingam do marido por décadas: não se separam, mas dão o tal testemunho, enquanto o cara fica sem saber onde se enfia. Um horror!
6. Portanto, creia na Graça de Deus—aproprie-se da Cruz—, e siga andando com o Senhor!
Espero ter sido útil.

Um beijão,

Caio

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24/07/2007

No Divã - 12a. História

IMAGINO MINHA MULHER COM OUTROS, ROUBO, E OUTRAS COISAS...



-----Original Message-----
From: IMAGINO MINHA MULHER COM OUTROS, ROUBO, E OUTRAS COISAS...
Sent: terça-feira, 13 de janeiro de 2004 14h24min
To: contato@caiofabio.com
Subject: AJUDE-ME, POR FAVOR!

Mensagem:

Sou crente há mais de 15 anos. Nunca consigo me firmar na obra de Deus.
Às vezes penso que estou perdendo o meu tempo na igreja...
Sou casado há oito anos; às vezes me masturbo imaginando minha esposa transando com outros homens...
Estou sem emprego, e quando tenho oportunidade roubo dinheiro de um local que tenho acesso sempre...
Acho que vou abandonar tudo porque minha esposa e filha não merecem o que faço com elas.
Por favor, me ajude não sei o que fazer da minha vida mais.

******************************
Resposta:

Meu amado: Firmeza e Confiança!

Meu querido, são quatro os problemas:

1. Você não encontrou ainda uma igreja da qual goste. Ninguém é obrigado a gostar de qualquer lugar que leve o nome de “igreja”. A maioria é insuportável para quem tem um mínimo de bom senso, ou mesmo gosto. Portanto, procure um lugar onde você se sinta bem, ou, pelo menos, melhor. Em sua cidade deve haver alternativas.
2. Você está desempregado, e isso altera a auto-estima da maioria dos homens. E auto-estima baixa é o caldo onde crescem as doenças e as taras. A alma está em revolta com a falta de sentido de tudo, então, decide ela mesma fazer parte ativa do caos, pois, assim, pelo menos o caos tem uma razão: a sua participação.
3. Você furta dinheiro de casa... ou de outro lugar de confiança. Sua alma está viciada na sombra, no oculto, no escondido, no proibido. Tudo isso nasce da mesma fonte: sua insegurança, e sua necessidade de demonstrar onipotência para você mesmo; e o roubo funciona assim: o cara tem poder para pegar, e fazer o que os outros não têm coragem. A lógica é: “... sou ferrado, mas tenho coragem...” Ora, tudo isso é inconsciente. No entanto, hoje mesmo, depois de identificar essas verdades dentro de você, as coisas começarão a se arrumar. A verdade liberta.
4. Imaginar a sua mulher com outro a fim de ficar excitado, revela o seguinte:
a) sua auto-estima anda tão baixa que você acha que ela não deveria querer você, daí você oferecê-la, no mundo da fantasia, a um outro, que seria melhor para ela.
b) Tudo isso é “coerente” com seu estado psicológico. Mas se você continuar a alimentar isso, conhecerá não esse parquinho de desgraças ensaiadas, mas a verdadeira tragédia. Portanto, pare com isso. Caia na real. E nada de jogar tudo para o alto. Tudo isso é reversível, se você desejar, é claro! Minha sugestão é que você procure um terapeuta. Fale e inicie um processo de cura. Leve este meu e-mail para ele. Depois me escreva.

Que o Senhor lhe dê luz e poder.

Nele,

Caio

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No Divã - 11a. História

CASEI JOVEM, TRAÍ, ME ARREPENDI... E HOJE CARREGO AS CONSEQÜÊNCIAS...
-----Original Message-----
From: CASEI JOVEM, TRAÍ, ME ARREPENDI... E HOJE CARREGO AS CONSEQÜÊNCIAS...
Sent: segunda-feira, 19 de janeiro de 2004 17h09min
To: contato@caiofabio.com
Subject: QUERO SALVAR MEU CASAMENTO!

Mensagem:

Caio, tive um prazer enorme em conhecer seu site.
Escrevo-lhe numa tentativa de encontrar algumas respostas para minha alma.
Há muitos anos atrás, cerca de 12 anos, quando eu tinha 30 anos, meu casamento estava em verdadeira crise; 3 filhos pequenos, construindo casa e lógico com falta de dinheiro e tudo o mais... Acho que eu era muito imatura para enfrentar muitos problemas, me casei com 20 anos.
No meio desta crise conheci um rapaz que aparentemente me dava o que eu não tinha: atenção, carinho e, é lógico: sexo bom..., o que não acontecia mais com meu marido.
Pedi a separação porque acreditava que não poderia viver uma relação dupla. Fui criada numa igreja histórica e sou filha de Pastor. Imagine a rigidez de minha moral! Logo após a separação percebi a "burrada" que tinha feito..., percebi a grande diferença entre sexo bom e amor. Conclui que com aquele homem teria sexo bom, mas nenhum desejo de dividir minha vida com ele.
Após muita insistência de minha parte e de muita oração..., meu marido aceitou voltar a se relacionar comigo; mas por um período de 3 anos eu continuei me relacionando com o outro também..., mesmo sabendo que isso era pecado..., e coisa e tal.
Aos poucos fui amadurecendo e o gosto pelo sexo com o outro homem foi desaparecendo; e voltei totalmente para o meu casamento; fui compreendendo melhor meu marido; lidando melhor com algumas frustrações, e fui me tornando uma pessoa realmente feliz. Mas, na verdade, meu marido nunca me perdoou..., teve várias crises onde demonstrava muita raiva, tristeza e rancor com minha atitude de anos atrás.
Agora..., há pouco mais de um ano..., para minha surpresa..., ele pediu a separação pelo motivo de não conseguir superar minha atitude de anos atrás.
Bem, ele arrumou outra mulher..., e saiu para viver a vida. No entanto sua nova paixão não durou..., agora está deprimido, tomando medicações, fazendo análise e tudo o mais.
Ele tem me procurado muito, mas sempre "despeja" sobre mim a culpa pelo o que eu fiz. Eu tenho me perguntado a Deus se eu realmente sou culpada por isso..., digo: pelo pecado dele... eu sei que eu errei, pequei. Minha mãe sempre me diz que Deus é rico em perdoar, mas que as conseqüências de nossos atos, nós temos que assumir. Será que eu tenho sobre mim a ira de Deus? Eu gosto do meu marido... quando ele não está doente... ele é uma pessoa maravilhosa. Eu me sinto culpada por ter causado tanta a dor ele, e penso que Deus não vai me ajudar, porque eu cavei minha própria cova.
Por favor, me responda.
Obrigada!

Resposta:

Minha querida irmã: Paz e Bem!

Minha querida, vocês dois erraram. E cada um tem que levar seu próprio erro, e tratar dele na Presença de quem pode perdoar..., e já o fez!
Mas a questão não é essa. Ninguém erra sozinho num casamento. Às vezes, o erro é o casamento. Vocês eram jovens..., e qualquer um pode errar..., mesmo quando não se é jovem se erra! Quanto mais na total inexperiência! Portanto, o que aconteceu... aconteceu. E mesmo que você tenha errado antes dele nessa área, ele não tinha no seu erro a justificativa para fazer a mesma coisa.
Vocês são adultos, e cada um tem que assumir a sua parte. O que você tem que fazer é ter uma conversa definitiva com ele. Ou vocês se perdoam na Cruz, ou vocês carregam os seus fardos pesados... separadamente. O que não pode é vocês ficarem nesse encontro de contas, nessa auditoria sem fim... Se for para se ofenderem e viverem “passando à sujo o passado” é melhor que fiquem separados. Só vale a pena continuar se houver perdão... mesmo. Do contrário, haverá apenas tomento.
Você tem que pedir perdão a ele pela sua parte—e não conte dos três anos finais... seria muito difícil pra ele—; e ele tem que pedir perdão a você pela parte dele. E pronto!
Se vocês forem capazes de dar Graça um ao outro - e tratarem-se como Deus em Cristo nos tratou e trata—, então vocês ainda podem ser felizes.
Perdão é oferecer ao outro a chance de começar outra vez, sem história e sem passado, com tudo sob o Sangue do Cordeiro. Sem que seja assim nada será sadio e bom! Deixe isso claro para ele.
As conseqüências, de fato, ficam... e a gente tem que ser humilde para lidar com elas. Vocês, todavia, não estão obrigados a se perdoar como marido e mulher. Como irmãos, independentemente da conclusão da história conjugal, vocês precisam se perdoar. Mas a conjugalidade é um lugar de liberdade e bem estar... se não houver mais confiança...e nem vontade de tratar o outro com a leveza de quem está recomeçando e se re-encantando...não há salvação!
Nesse caso é bem melhor uma boa separação!

Espero lhe ter sido útil.

Nele, que nos perdoa,

Caio

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20/07/2007

No Divã - 10a. História

MEU NOIVO FOI GAY, ESTOU COM MEDO DE CASAR

-----Original Message-----
From: MEU NOIVO FOI GAY, ESTOU COM MEDO DE CASAR
Sent: domingo, 9 de novembro de 2003 23:20
To: contato
Subject: No divâ de Deus

Irmão Caio,
Gostaria de estreitar os laços com você para ser ajudada em alguns aspectos.
Desculpe o egoísmo, mas é que não acredito realmente que poderia ajudá-lo em alguma coisa. Você já tem o "couro" bem curtido. Pouca coisa o faria abalar-se.
Primeiro gostaria de saber como adquirir a série NO DIVÃ DE DEUS. Não encontro mais em minhas livrarias preferidas... gostaria de adquiri-los!
Também gostaria que você orasse por mim, por dois motivos: 1. Estou quase noiva de um rapaz que mora em ... no sul. Ele é filho de pastor e é um homem de Deus.
O problema é que seu passado me assusta. Ele viveu uma vida homossexual ativa na adolescência.
Gostaria de conversar sobre o assunto?
2. Tenho muito medo de deixar minha família, igreja... tudo...para acompanhá-lo no ministério. Ambos temos chamado para a obra do Senhor (em qualquer aspecto), e já consagramos nossas vidas para isso, mas tenho medo de frustrar esta investida tão decisiva que é o casamento.
Se puder me ajudar, obrigada! Se não, Deus o abençoe do mesmo jeito!
Sua irmã em Cristo,
Resposta:
Minha amada irmã: perdão pela demora é que quanto mais eu respondo, mais e-mail aparece!
Você encontrará os livros escrevendo para o Café com Graça, aqui no Home do site.
Sobre o meu “couro estar curtido”, saiba, ninguém tem o couro tão curtido que não precise de alguma ajuda. Pelo menos amizade e carinho.
Sobre suas questões, digo o seguinte:
1. Não conheço o rapaz. E mesmo que o conhecesse jamais diria a você qualquer coisa, à menos que você me indagasse.
De fato, caso as práticas homossexuais tenham sido do tipo "vício"—aquelas que acontecem porque alguém mais velho usou a "menino", e às vezes acostuma a pessoa na prática—, creio que ele pode ter deixado tudo isto para trás.
O que me preocupa é o namoro à distancia. Você tem que ter a chance de ver e sentir se ele realmente gosta de você e de mulher. Do contrário, na virtualidade e à distancia, todos os gays viram machos; e qualquer macho pode se passar por gay.
Qualquer um vira o que desejar na Internet e no papel. Por telefone também. É no olho-a-olho que a gente discerne essas coisas. Elas vazam pela pele...têm cheiro...provocam desejo ou repelência...e cada um tem que saber por si mesmo.
2. Percebi que independentemente da questão homossexual você também está com medo.
Não faça nada que não seja fruto de convicção. NADA! Muito menos casar-se sem um forte e irresistível apelo. Você não é obrigada a casar. E para trabalhar intensamente para Deus o casamento não é uma prerrogativa. Se você está bem como está, Paulo diria, "não procure casamento".
As suas duas questões deveriam ser a sua própria resposta. Mas a segunda é ainda mais forte que a primeira. Com medo, please, não case!
É melhor acreditar no coração quando o assunto é casamento! A gente crendo já uma barra, quanto mais não crendo.
E quando se ama, já difícil. Imagine com medo e com tamanhas inseguranças?
Receba meu carinho.
Nele, que nos chama a levar um fardo leve,

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17/07/2007

Acidente no Aeroporto de Congonhas

"Depois de passar por reformas, a pista principal de Congonhas foi liberada para pousos e decolagens no dia 30 de junho. No entanto, ela foi liberada sem que fosse feito o grooving (ranhuras para dar mais aderência aos pneus dos aviões e facilitar o escoamento da água)."

Notícias UOL
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Ninguém se esqueça: Quando alguma coisa dá certo nesse país, é pura sorte!!! Somos incompetentes para o progresso. Nosso progresso é suicida! É moleque!

O Brasil é assim. É o país das 'coxas'... Sim! Tudo feito nas 'coxas'! Tudo é improviso, tudo é na base do 'deixa como está para ver como é que fica!

Quando dizem que esse "país não é sério", a gente fica de mal.

Mas a verdade é que todo dia o Brasil fecha os olhos, joga os dados, e seja o que Deus quiser!

E nem faz mais figas! Não. Dane-se! São Pedro que nos ajude! Valha-nos Nossa Senhora! Algo pode dar errado? Não! Tá amarrado em nome de Jesus! A gente vai levando...

Tenho dois amigos sargentos na Torre em Congonhas. Trabalham comigo, também são dentistas. Sim. Toda vez que viajo tenho que fingir para mim mesmo que não sei as coisas que sei, dado tudo que eles me contam. É uma grande brincadeira!

A pista não tá pronta. Não tá pronta mas não pode parar. Toca pra frente!

"A pista não tá pronta? - Pô! E se um avião derrapa aqui?"

"Vira essa boca pra lá, meuÔ!

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São Paulo está no buraco, meus amigos!

Um buraco ainda vai tragar essa cidade!

Os buracos comem os carros e as vans... e os carros comem os motoboys todo dia, e os motoboys comem o tempo; e o tempo é o vilão da capital... "Time is money!"

Toda manhã na paulicéia é desvairada! O celular toca seu despertador no meio dos lençóis ("tem controle remoto pra todo lá aqui, cacete!"), adrenalinamos o coração, tomamos nossas pílulas, acionamos os motores e... SINAL VERDE! Dada a largada! Quem morrer com mais brinquedos ganha!

A brincadeira do momento é BANCO IMOBILIÁRIO. Meu cliente arquiteto me disse hoje que um apartamento é entregue nessa cidade a cada 20 minutos! Vinte minutos!

Sabe onde isso vai parar? Não vai parar até que o juízo misericordioso de Deus nos detenha! Não vai parar enquanto essa Síndrome de Ninrode nos habita! É. A gente só quer parar quando nossa torre atingir o céu! Estamos brincando de 'ver quem tem o pinto maior'!

São Paulo é Babel. São Paulo é Babilônia.

São Paulo é o símbolo da urbanidade caótica! Do colapso pós-moderno! É mais seguro morar numa cidade medieval!

Tenho pena da Cidade da Garoa.

Hoje a Garoa nos matou.

E não foi brincadeira.

Marcelo Quintela

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No Divã: 9a. História Diária

ME APAIXONEI PELO MEU ANALISTA
----- Original Message -----
From: ME APAIXONEI PELO MEU ANALISTA
To: contato@caiofabio.com
Sent: Friday, June 17, 2005 4:50 PM
Subject: Sera ilusão?

Caio Fábio, meu grande ajudador!

Antes de desabafar, deixe-me dizer que sempre que posso, agradeço á Deus pela sua vida, pois você tem ajudado tantas pessoas, como eu, a encontrar o Caminho, a Verdade e a Vida.
Os textos que aqui leio me preenchem, me ensinam, me edificam.
As cartas são como bálsamo, pois, vejo cada dilema, e como você mostra a leveza de Jesus em cada resposta. Aliás, como você já me ajudou tanto com suas respostas a cartas que mandei (POR QUE GOSTO DE SER DOMINADA? ... lembra-se?) Puxa, aquilo me abriu para perceber que há cura, há libertação. Tanto que quando sou tentada a praticar masturbação seguida das fantasias (que me deixam sem forças depois); eu me lembro de suas palavras de que isso é um vício; ou seja: me trato como viciada. Parece ficar mais leve. Muito mais do que quando eu me açoitava perante Deus em orações para ser liberta do pecado.
Bem, hoje estou com o coração apertado, porque tive alguns problemas com o terapeuta. Estava indo tudo tão bem na terapia. Eu já estava até tratando essas questões D/s (Dominador e submissa); e ele me abriu a possibilidade de que com exercícios mentais, eu poderia transpor meu erotismo, para uma gentileza; poderia começar a gostar do respeito, do carinho, digno em qualquer relação que haja amor.
Vi-me esperançosa e desejosa em ter isso. Tanto que comecei a me olhar de maneira diferente, me respeitando mais. Bem, mas a terapia nos leva a lugares terríveis de carência. A gente se vê fragilizada com uma série de coisas, e acabou que eu fui me envolvendo com ele; mas não de maneira erótica. A princípio me sentir mais atraída pelas suas idéias, e pela própria atenção que ele me dava. Mas confiei que se eu me envolvesse, ele saberia me conduzir a eu não confundir as coisas.
Ele é casado. É uma pessoa maravilhosa que me ajudou durante todos esses meses de terapia. Ao lado dele eu me sentia tão plena, tão guardada, tão querida. E apesar dele ser mais velho, jamais o vi como um pai, mas como um querido amigo. Quando já estávamos tratando a questão da minha sexualidade, percebi que ele estava diferente comigo, me olhando de uma maneira mais interessada. Começamos a trocar e-mails, porque havia fatos que eu relatava por e-mail; e acabava por escrever pensamentos sobre a vida, com os quais ele dizia se identificar muito. Um dia me vi sozinha, pensando nele, desejando estar com ele, numa relação homem/mulher, e não mais médico/paciente. Tive vergonha de lhe revelar isso; até que ele mesmo disse que já não poderia mais me tratar, pois estava muito envolvido comigo.
Me afastei dele, temendo nossas reações ante o fato de termos essa atração; porque apesar de minha carência, tive grandes receios de ser pega em adultério; mas em meu coração eu já havia cometido adultério desde o dia em que o desejei.
Não lhe escrevo por estar ‘dilemada’ com ocaso do adultério no coração, pois, confessei a Deus minha fraqueza (que vou fazer?); mas sim pela saudade que tenho dele; e o desejo aumentou muito.
É complicado porque nunca encontrei uma pessoa que me entendesse tão a fundo como ele, que me mostrou o meu valor. E percebo que ele deve ter lugares vazios em seu relacionamento, pois, do contrário, não buscaria em mim esse preenchimento.
Cada vez que penso nisso, desejo muito estar com ele, e preencher esse vazio. Mas penso também que tudo isso pode ser muita ilusão.
Se acaso você tiver algo a me dizer, saiba que será de grande ajuda.
Que o Pai te conceda muita paz de espírito.
Um grande abraço,
_____________________________________________
Resposta:

Minha querida amiga:

A Psicanálise ensina acerca dos mecanismos de transferência e contra-transferência que podem acontecer — e, por vezes, precisam acontecer — entre terapeuta e paciente. Isso porque é na transferência que o paciente faz é que a situação em desordem se expressa num ambiente real, não como narrativa, mas como uma situação de laboratório e de experimento; oportunidade na qual o terapeuta pode ver a face da estrutura psíquica do paciente.
Ora, no seu caso, a situação de vício psicológico na sua eroticidade — e que se manifesta como desejo de uma intensa presença de Dominação expressa como escravização sendo exercida sobre você no ato sexual—, teve, na sala do seu terapeuta, sua manifestação real, feita como transferência; posto que outra vez você se deixasse atrair pelo tesão que um homem mais velho e mais sábio (isto é poder e capacidade de domínio) exerceu sobre você.
Portanto, sem ainda estar apanhando ou sendo suavemente espancada numa cama; ou cumprindo scripts sexuais nos quais você interpretava sempre o papel da degradada—; no entanto, você já havia transferido para ele esse desejo de se relacionar com alguém Maior.
Seria a hora de iniciar a descoberta da procedência dessa necessidade que se instalou em você; isso se ele mesmo não estivesse esburacado; e, se ele mesmo não tivesse ficado com tesão na sua doença e vício.
Graças a Deus ele teve a hombridade de não usar o poder do Divã para possuir você e escravizar você. Pois, lhe digo: se vocês dois forem para a cama, você, provavelmente, ficará presa de um modo terrível a ele; sendo que o segundo estado se tornará pior do que o primeiro.
Não se iluda: qualquer homem legal, calmo, atencioso, compreensivo, sensível e que ouvisse você 1 ou 2 vezes por semana, no estado de carência em que você se encontra, despertaria em você a mesma emoção.
Minha preocupação é que agora você está desenvolvendo o auto-engano de que ele é um carente que precisa ser “preenchido” por você. Mas saiba: é o auto-engano que precede a tragédia!
Se você o procurar, ele vai querer; especialmente agora que ele também pode dizer que não está “pegando” uma paciente— afinal, ele dispensou você também para ver se você volta ‘leiga’, sem a incompatibilidade que o código ético do analista impõe quanto à relação terapeuta/paciente —; e também porque ele sabe que você está louca por ele. No entanto, se você for ter com ele, além de que terá alguns meses de muita cama e culpa, você logo descobrirá que ele não vai deixar a esposa para ficar com você; e você o odiará por isso; embora possa ficar desejosa dele para o resto da vida.
Portanto, se você se ama e quer se fazer bem, não faça isto contra você mesma.
Você falou em temer ser “pegada” em adultério.
Ora, dos males, esse é o menor: ser pega pelos homens. O que faz mal mesmo é viver nesse estado, permanentemente; e isso na subjetividade.
O simples fato de você ser casada, e, ainda assim, ser tão carente assim, revela que seu casamento anda mal das pernas. Por isso, em minha opinião, você precisa mesmo é avaliar as condições reais de seu casamento; e de sua relação com seu marido. Quanto a controlar as “pulsões” com exercícios mentais, sinceramente, lhe digo: há muitos exercícios mentais que fazem muito bem; todavia, nenhum deles tem poder sobre as inclinações dos desejos que se instalam nesse nível da alma. Somente a consciência na Graça, e que cresce na Verdade e na Palavra; e que acontece numa alma que aprende a se agradar de Deus e a gostar de si mesma, é que as inclinações do ser mudam; determinando um novo pendor interior.
Quer fazer uma experiência? Passe esta semana inteira pensando nas coisas lá do alto, e em tudo o que é bom, puro, respeitável, louvável, de boa fama, e gerador de vida e paz —; e você verá que sua mente vai começar a gostar da paz.
Um dos nossos grandes problemas é que nós somos viciados em agonias e aflições psico-físicas; ou seja: naquelas coisas que têm seu fundamento na alma e que geram emulações no corpo; e que nós sentimos em nós mesmos como pulsões de desejos que se apresentam como leis a serem cumpridas, sob pena de que a alma mergulhe na infelicidade.
Esse é o espírito de aflição e agonia que perturba a existência de quase todos!
Eu creio que você pode andar no caminho da pacificação de seu ser, conforme a Graça; de acordo com o Evangelho.
Agora, saiba: não procure mais o terapeuta; busque uma mulher terapeuta; ponha a sua mente nas coisas lá do alto; me escreva falando de seu casamento; e me detalhe melhor como se manifestam suas fantasias de D/s.
Apanhe os evangelhos e os leia na seqüência. E mais: ore o tempo todo no espírito; não lutando contra as coisas dentro de você (pois, nesse caso, você as fixaria ainda mais em sua alma), mas apenas pensando seus pensamentos em Deus; isto é orar o tempo todo; e sem cessar.
Aguardo sua resposta!

Nele, em Quem não há engano,

Caio

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16/07/2007

No Divã: 8a. História

Suicida pode ou não ir para o céu? "ACHO QUE VOU ME SUICIDAR!"
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From: ACHO QUE VOU ME SUICIDAR
To: contato@caiofabio.com
Subject: Suicida pode ou não ir para o céu?

Pastor Caio,

Sou um jovem de 26 anos de uma igreja tradicional.
Desde muito sou um cristão e desde cedo sou inquieto com as questões do Reino.
Quando criança não gostava das aulas da “tia” lá na minha igreja, pois achava que ela tratava as crianças como mongolóides e não como crianças.
Dada essa inquietação, 2 anos antes da idade correta já fazia parte do grupo de adolescentes da igreja, lá fiquei um bom tempo da minha infância e adolescência, mas os assuntos da escola Dominical me inspiravam pouco a estar ali presente.
Sempre questionei coisas a respeito do reino das luzes e sobre a imensa graça de Deus, mas as respostas eram vazias.
Nessa época apelidei todos os professores da minha igreja, de circenses, pois sempre que eu fazia perguntas eles faziam malabarismos para me responder.
Quando jovem fui buscar todas as respostas por conta própria, li livros; aprendi sobre os arminianos e sobre os calvinistas.
Nessa época foi quando o céu se abriu para mim, parecia que havia bebido um copo de água gelada após vários anos de sede. Foi maravilhoso entender a graça de Deus e seu plano. Mas se você pensa que minha inquietação havia acabado, engano o seu!
A partir daquele dia, minha sede era que todos aqueles que cresceram comigo na igreja, e que estavam todos aqueles penosos anos sentados nas cadeiras todos os domingos assistindo aula, entendessem também a maravilhosa graça de Deus a nós.
Eu estava indignado como algo tão simples que ninguém fora capaz de ensinar de maneira didática, livre de preconceitos e sem os malabarismos. Isso muito me irritava.
A essa altura do campeonato muitos amigos (e não eram poucos), ficavam após as aulas perguntando-me o que eu achava sobre “tal e tal” coisa que o professor havia dito, sobre isso..., sobre aquilo outro...
Alguns professores achavam que eu queria constrangê-los, mas o pessoal da classe ficava dividido entre os que me odiavam e os que me achavam uma pessoa com sede da palavra de Deus, e que apreciava uma aula de qualidade.
Tudo estourou quando um professor disse que Deus perdoava todos os pecados. Foi ai que maldosamente lancei a seguinte contra-pergunta: - Professor, poderia um suicida ir para o céu?
Qual não foi minha surpresa ao obter a resposta de meu professor e presbítero, que se considerava um Calvinista nato. Ele disse que um suicida nunca poderia ir para o Céu.
Perguntei-lhe o porquê. Ele me disse que não poderia porque um suicida não tem tempo de arrepender-se do seu pecado.
Nesse dia quase pirei, quase fiquei louco, pois mais da metade da classe concordava com ele.
O máximo que pude argumentar antes de ser apedrejado como herege foi devolver a pergunta ao meu professor: - Professor, acaso você se lembra de todos os seus pecados? E você pede perdão e se arrepende de todos eles?
A resposta que eu obtive foi circense.
Tentei falar que da mesma forma que boas obras não levam ninguém ao céu, obras ruins (pecados) não levam ninguém ao inferno. Disse que se o suicida aceitou a Jesus algum dia, ele com certeza foi pro céu, porém se o suicida nunca teve um encontro com Jesus ele foi pro inferno. E antes que eu pudesse explanar meus zilhões de argumentos bíblicos para justificar minha resposta eu era interrompido com frases do tipo: - Um salvo em Jesus nunca se suicidaria... e blá, blá, blá.
Fico triste, pois sei que raramente encontrarei uma igreja que ensine pessoas a pensarem por si só, e que sejam capazes de responder a perguntas com clareza e despojadas de medo e preconceitos, ou ainda sem os tradicionalismos.
Todo esse tempo na igreja me faz pensar nas pessoas que lá estão sendo preparadas por outras mais despreparadas ainda, fazendo com que a igreja mais se pareça um queijo suíço.

"Acho que vou me suicidar."
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Resposta:

Meu amado: Simplicidade e Paz sobre você!

Quem dera tudo fosse tão simplificado assim!
Quem dera a Graça fosse um plano a ser compreendido!
Quem dera as seqüências lineares do tempo—antes e depois—pudessem servir para explicar o que é.
Quem dera o “aceitar a Jesus” fosse uma marca assim, tão de aniversário.
Quem dera Calvino e Armínio pudessem, com suas doutrinas, pacificar o coração e simplificar o mistério.
Quem dera questões escolásticas pudessem, pelo jogo lógico, encurralar o incurralável.

Sabe por quê?

Porque é simplesmente inexplicável.
Porque é completamente incompreensível.
Porque o que é, não trabalha com o antes e o depois.
Porque “aceitar a Jesus” é uma impossibilidade absoluta para o homem.
Porque o livre arbítrio e a eleição pela soberania são questões que não são questões.
Porque nenhum jogo de palavras ou nenhum sistema lógico podem nos aproximar do que é.
Não existe algo como “o suicídio” quando se pensa em Deus e no homem.
Existem, sim, suicidas. E assim como há homens e homens, assim também há suicidas e suicidas.
E assim como não sei o que se passa no coração de um outro homem, também não sei o que se passa no coração de um suicida.
A salvação de um suicida é idêntica à de qualquer outro ser humano: O Senhor conhece os que são seus!
Toda essa discussão é heresia. Sabe por quê? Porque é brincadeira de dar destino a algo que para Deus é santo: o ser de um homem.
Todos os suicidas almejam ir para o céu—ou pelo menos para algo que não seja o inferno, razão pela qual fugiram do inferno desta vida.
Assim, muitos suicidas, ironicamente, se matam na esperança!
Quanto a mim, sinto muito carinho, misericórdia e amor por todos os suicidas.
Nunca consegui ver um suicida que se mata em desespero e em dignidade de aflição como estando no inferno.
Aliás, quando foi falar de inferno, Jesus pintou outro quadro, não o do suicida, mas do rico, abastado, regalado, bem sucedido, dono de seu destino, um personagem invejável.
Mas, morreu e foi para o inferno.
Quando se trata de inferno, quem não gosta de surpresas, é melhor não eleger ninguém para lá.
Quanto a você ter perdido o saco e estar quase se suicidando, digo o seguinte: - Só se você tiver sido eleito para exercer o seu livre arbítrio de tal forma.
Quem teria vencido: Calvino ou Armínio? Eu não sei. Só sei que você teria morrido.
E a considerar sua argumentação, teria morrido como a demonstração; como o testemunho “vivo” de que o suicida pode ir para o céu.
Pode ser que assim seus amigos ficassem convencidos de sua razão (rsrsrsrsrs).

Nele, que nos guia em todo caminho da Vida,

Caio

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15/07/2007

No Divã: 7a. História

SOU PASTOR, PAREI COM AS PRÁTICAS HOMOSSEXUAIS... AGORA TENHO DE ME CASAR?
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From: SOU PASTOR, PAREI COM AS PRÁTICAS HOMOSSEXUAIS... AGORA TENHO DE ME CASAR?
Sent: quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004 16:59
To: contato@caiofabio.com
Subject: Contato do Site : Confidencial
Mensagem:

Rev. Caio, Saudações!
Venho através desta solicitar sua ajuda; pois sou um homem que exerce o ministério há quase 20 anos, e tenho sofrido muito com desejos homossexuais.
Na infância e adolescência vivi atormentado por isso; aos 19 anos me casei com uma jovem da igreja, mas nunca a amei... Tivemos juntos cinco filhos, mas mesmo assim nunca saiu de minha cabeça “aquele desejo”... até que um dia me envolvi com um rapaz, filho de um pastor muito amigo meu. Me apaixonei por ele desesperadamente... e como não tinha como esconder mais aquele sentimento, procurei ajuda entre meus colegas de ministério, e junto à mulher que dizia me amar tanto... Quão triste foi minha surpresa... Parece que o mundo caiu sobre minha cabeça. Vivi durante 8 meses em um verdadeiro inferno... então decidi abandonar o ministério e a família, e ir morar com aquele rapaz... já que todos da igreja e na cidade onde eu morava ficaram sabendo do assunto... Meus filhos no inicio da adolescência também tomaram conhecimento.
Hoje vivo um dilema, pois me separei do rapaz e voltei para a igreja... Só que para todos eu venci esse problema e o meu maior dilema é que isso não é verdade... Também fui reintegrado ao ministério e estou namorando uma irmã divorciada... Gosto muito dela... mas não consigo amá-la.
Amo o meu ministério, e daria qualquer coisa para continuar no mesmo sem ter que me mascarar.
Tentei o suicídio duas vezes e estou sem saber o que fazer; por favor ajude-me.
___________________________________________________________
Resposta:
Amado amigo e irmão em Cristo: Luz e Vida!

Meu querido, sua carta carrega a cara de milhares de outros pastores.
Quando disse “milhares” não estava sendo hiperbólico, mas certo do que digo.
Faça-se eunuco por amor ao Reino de Deus. Que você, mesmo sendo homossexual, tenha parado com as práticas homossexuais, já significa uma vitória enorme para alguém que é homossexual e não deseja sexo... mas daria qualquer coisa para continuar no ministério pastoral. Amém! Graças a Deus!
Agora, além dessa vitória, pretender que você vire heterossexual e passe a gostar de mulher—como deveria ser natural—, é pedir algo que nem Jesus disse que sofreria alterações. O Realismo de Jesus é chocante. Ele disse que há aqueles aos quais os homens fazem eunucos (ou seja: há uma interferência externa que gera aquela alteração); disse que há os que a si mesmos se fazem eunucos por amor (e aí há uma opção, uma escolha, uma decisão de se tornar...); e disse que há os que nascem (carregando de modo congênito a incapacidade da procriação, ou a ausência de membro sexual... no caso de eunucos). Ora, dizendo isto Jesus estava falando de eunucos—homens castrados, ou efeminados, ou assexuados—e que serviam nas cortes.
Mas de fato o princípio de Jesus vale em seu aplicativo para toda e qualquer outra situação da vida humana, pois, Ele mesmo o estava aplicando à questão da abstinência sexual... na questão do divórcio (Mt 19: 9-12).
Os discípulos de Jesus, ao ouvirem o princípio, disseram que homem nenhum estaria apto para aquela renuncia... foi aí que Jesus falou dos "eunucos"...e afirmou que nem todos, de fato, estavam aptos a viver como tais...não sendo. O principio, todavia, é amplo em seus aplicativos... pois é sempre assim na vida: há os que nascem...de um certo modo; há os são feitos...tendo sido objeto de determinadas e determinantes interferências...; e há os que escolhem na vida por razão do amor...nesse caso trata-se de uma escolha que gera alguma forma de resignação...por amor.
Ora, voltando à nossa conversa, o princípio de Jesus manda que os Seus discípulos admitam que no Reino de Deus há pessoas que são... muita coisa...em seus interiores...em sua constituição...e que fizeram viagens diferentes na vida; não havendo, portanto, uma normatização absoluta que sirva como molde da imagem de Deus a ser usado como critério de julgamento de um homem pelos outros homens; sendo que há também os que assumem certos modos de vida...abstendo-se ou privando-se de certas coisas que lhes são inerentes...por amor ao Reino de Deus.
Ele concluiu que “nem todos estão aptos para este conceito”—certamente se referindo à força da resignação promovida pelo amor ao Reino. Nem todos tomariam a decisão de se tornarem eunucos por amor ao Reino, pois nem todos estão aptos para tal de-cisão. No entanto, a mesma inaptidão para aceitar essa verdade... a fim de praticá-la...manifesta-se também como inaptidão para ouvi-la e discerni-la com Graça; ou seja: poucos também estão aptos, por amor ao Reino, a lidar com tamanhas vitimizações humanas. É por isso que há tão pouca renuncia, de um lado; e. tão pouco acolhimento, do outro. É amor ao Reino o que nos torna igualmente aptos para viver o Reino nesse extremos.
Na renuncia, para uns; e no acolhimento deste... e de todos, por parte dos demais.
Portanto, meu amado, você não é um heterossexual, mesmo que se case e gere filhos... você já fez isto...e sabe do que estou falando. Você é capaz de transas heterossexuais, mas você é homossexual. Há uma vida trágica comprovando este fato em você. É a Verdade que nos liberta, não é a Ilusão! Assim, meu amigo, você pode sair do armário... tirar a máscara...sim...e deve fazê-lo escapando dessa obrigatoriedade de dar “testemunho de cura do homossexualismo”, casando-se... Pelo amor de Deus não faça isto! À menos que a candidata saiba de sua condição interior... e ela mesma não se sinta obrigada a manter o casamento pela via do sexo, mas da amizade apenas. É também direito de um homem homossexual, que não pratica o homossexualismo, casar-se, se desejar, com uma mulher que saiba de tudo; e que case-se sabendo que está se vinculando provavelmente ao seu melhor amigo. Conheço várias situações assim. E as pessoas vivem bem... uma vez tirada a tirania da prova de saúde conjugal pela via da pratica sexual. As pessoas têm que ser livres para casarem-se e desenvolverem relacionamentos que lhes sejam saudáveis... ainda que para “mim” aquilo não fosse possível... Há muitas formas de ser feliz e de ser bom uns com os outros.
Mas seja qual for a “composição”, só será boa se for feita em verdade, amor e liberdade de ser. Quando dois entram em acordo... eles andam juntos. Mas como poderão caminhar juntos se não houver acordo entre eles? Casamento tem que deixar de ser acordo de milhares e passar a ser apenas acordo de dois. Garanto que facilita o “andar junto”.
Então, meu amigo, saia do armário, se você assim o desejar; e faça isto apenas dizendo: Eu amo o ministério... mais que tudo na Terra...e prefiro ficar solteiro na missão de realizá-lo. É uma opção sua. Não se submeta à tirania do testemunho da “cura”, casando-se sem poder dar conta do recado... seria trágico—à menos que as circunstancias sejam aquelas antes por mim descritas. Agora, vamos falar de modo prático.

1. Você precisa entrar em alguma forma de terapia. Você precisa de um acompanhamento. Alguém com quem abrir o coração e deixar vazar todo magma acumulado... isto pra evitar as erupções...especialmente agora que você voltou ao ministério.

2. Você precisa se apossar da Graça para você mesmo. Meu irmão, todos nós somos iguais... você, eu, Paulo, Elias, Tiago, os santos católicos e protestantes, e os santarrões evangélicos—sim, todos somos IGUAIS. Todos pecaram. Todos carecem da glória de Deus. Todos, meu irmão! Então, pare de aceitar essa acusação de Satanás que diz que você é diferentemente pecaminoso. É mentira. Você é igualmente pecaminoso... igual ao resto de nós. A Graça é para mim, o principal dos pecadores... Por que não seria muito mais para você?
Tome posse e confie. Você verá a diferença que vai fazer... e como seu coração melhorará nessa paz.
Saiba que eu e todos os que lerem esta carta estaremos orando por você, para que o Senhor lhe dê sabedoria, discernimento, e muita confiança no amor de Deus.

Nele, que levou sobre Si a iniqüidade de nós TODOS,

Caio

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13/07/2007

No Divã - 6a. História

MEU MARIDO É UM POSTE DEITADO NO SOFÁ

-----Original Message-----
From: MEU MARIDO É UM POSTE DEITADO NO SOFÁ
Sent: terça-feira, 14 de outubro de 2003 17:40
To: contato@caiofabio.com
Subject: Contato do Site

Mensagem:
"Que o Senhor nos dê Graça para que não poupemos a ninguém da verdade e também não esmaguemos as pessoas com a verdade." Caio Fábio.

Querido irmão: Fui extremamente abençoada através de tudo que você viveu, vive e tem tido a Graça de superar; pois através da sua vida, Deus tem aberto meus olhos, mente e coração para ver o quanto temos vivido em uma sociedade cristã ausente de Deus e sem GRAÇA. Tenho procurado a ser mais graciosa possível com meu próximo, seja ele cristão ou não. Estou tentando sair do meu mundinho cristão que muitas vezes me oprime e afasta do real propósito de Deus, que é viver sendo sal e luz nesse mundo caído.
Seu livro ENÍGMA DA GRAÇA me trouxe uma nova visão sobre a Graça de Deus. Sei que estou longe de ter um entendimento real e completo, mas o pouco que recebi tem feito uma diferença enorme, e a cada dia me sinto mais consciente de quem eu sou e quem Deus quer que eu seja.
Caio, hoje ao visitar seu site, li algumas cartas e respostas, e me senti encorajada a lhe escrever, pois vivo algumas questões que tem me assustado e que sei que preciso me posicionar acerca delas, para que eu possa viver melhor, e não tenha conseqüências futuras. Bem! Vou fazer um breve relato.
Aos meus 13 anos de idade comecei a pedir a Deus um companheiro, amigo; alguém que compartilhasse uma vida comigo; namorei pouco, pois, era muito tímida.
Vivi uma adolescência reprimida, filha de presbítero no interior... você sabe como é.
Aos 20 anos vim para esta cidade grande onde vivo, morar com umas amigas e tentar construir algo. Você pode imaginar uma interiorana em uma cidade como esta minha? (me disse qual é a cidade) Conheci meu marido aos 20 anos; acho que queria mais que nunca um companheiro. Ele não era lá grandes coisas... ele era muito individualista, mas mesmo assim, aos 26 anos me casei com ele. Ele não conhecia ao Senhor. Tivemos um início péssimo; ele não era nem de longe parecido com o companheiro que eu achava que teria e que precisava. Dois anos depois estávamos nós à beira de uma separação. Ele me agrediu, quase me matou com um cinto no meu pescoço. Clamei por misericórdia e socorro, e o Senhor me ouviu. Sabe, agradeço a Deus por tudo isso o que vivi, pois foi a partir daí que comecei a conhecer a Deus; busquei como nunca tinha buscado; orei como nunca tinha orado... Nessa mesma época pude ler alguns livros seus sobre cura interior. Tive um verdadeiro encontro com o Senhor; pude ouvir a Sua voz em alto e bom som; Ele me chamou a ter um compromisso verdadeiro com Ele, e que Ele faria algo. Um mês depois meu marido se converteu; foi uma mudança radical... Queria entrar em detalhes, mas acho que não é preciso. Hoje já 10 anos se passaram de casamento. Continuo firme com o Senhor e não quero de forma alguma desfazer o compromisso que fiz com Ele. Meu marido é um homem de Deus, mas infelizmente continua sendo um péssimo companheiro; tenho uma vida social solitária; pois ele não me acompanha em nada, alegando sempre que não gosta de desse tipo de coisa. Faço a maioria das coisas só, inclusive festas de aniversário de minha filha, que tem 5 aninhos. É muito ruim! Ultimamente tenho sofrido muito, estou com 36 anos e tenho visto aquela menina de 13 anos de volta, pedindo um companheiro, e, infelizmente, já perdi as esperanças de que tal homem seja meu marido. Tenho muito medo, mas não posso negar desejo muito que apareça um homem que me ame de verdade, e que seja o companheiro que esteja presente; e que tenhamos amigos em comum. Meu marido não se abre pra diálogos; já tentei de todas as formas; ele sempre foge; nunca é boa hora; e ele é sempre grosseiro. Espero ter conseguido passar a essência do que estou sentindo e vivendo. Sei que tudo que escrevi é pouco para se ter uma visão ampla, mas conto com o Deus de Graça que você tem conhecido e experimentado; o Deus que tem te revelado tanto sobre o efeito desse mundo caído nas nossas vidas, e o quanto Ele nos quer apenas sendo verdadeiros; isso mesmo: conto com o Espírito Santo, para lhe dar discernimento para que você possa me trazer algumas verdades. Não me poupe meu irmão, com certeza elas não me esmagarão, pois estou colocando tudo isso diante de Deus em oração.

Em Cristo,
____________________________________________________________________
Resposta:

Minha amiga: Graça e Paz!
Que brabeza! Nada é pior do que isto. O cara nem é ruim o suficiente para ser despachado, nem é bom o suficiente para ser acolhido; não é irresponsável, nem é amigo; não está ausente, mas nunca está presente; não se está só, mas nunca se está acompanhado... É um limbo!
Sinceramente eu não sei o que lhe dizer. Para mim esses são os piores casos. Trata-se dessa Síndrome de Laudicéia: não é quente e nem frio, e a gente fica com vontade vomitar...
O que posso dizer a você é apenas o que você sabe: não há garantias de nada. Quem o saberá?
Paulo disse: como sabes se...? Nem ele achou que poderia haver garantias! Os cenários são simples e abertos:
1. Ficar como está. Esse cenário você já conhece. E parece que nela não há mais surpresas, apenas frustrações.
2. Separar-se e ficar só. Sozinha você já está mesmo. Mas experimentará a solidão como desamparo. É outra coisa, e trás outras inseguranças.
3. Separar-se, ficar só, e esperar, sem angustias e nem correrias, que apareça um homem de verdade—que ame você e tenha prazer na sua vidinha.
4. Separar-se, ficar só, e conhecer um safado da pesada, que fará você sentir saudade desse “poste” que fica deitado no sofá assistindo infindáveis partidas de futebol. Pessoalmente eu jogaria algumas cartadas. Ele me parece acomodado e certo de que a esposinha que orou tanto pela conversão dele já está satisfeita de não correr mais o risco de morrer enforcada e de não levar umas surras de vez em quando. Certos homens, quando se convertem nas circunstancias em que seu marido se “converteu”, acham que parar de fumar, beber, bater na mulher, e ter uns casos pela rua, já a conversão. Poucos sabem que conversão não é apenas o que se deixa de fazer, mas, sobretudo, o que se passa a ser.
Você disse: Meu marido é um homem de Deus! Depois descreveu um poste gelado e inerte. O que significa ser um homem de Deus? É ser um freqüentador de cultos e que já não bate na mulher embora seja extremamente grosseiro? Acho que ele está mal acostumado, e que acha que você tem que ficar grata por mil anos por ele não está lhe dando uns catiripapos.
Tem homem que é assim! E se você for se queixar, ele pode até perguntar: Ta se queixando de quê, heim? Quando você apanhava era mais gostoso? Ele precisa de um susto. Ele tem que ser forçado a se enxergar.
Mulheres crentes se acomodam muito fácil. Acham que uma graça que aquele marmanjo indiferente esteja prestigiando com mau-humor a família. Dê um susto nele, minha irmã! Deixe esse cara ver se de fato é importante para ele ser um homem, ou se o sonho de consumo dele é apenas ser um “mamífero evangélico”, um “bicho crente”, um ser batizado...
Sugiro que você o chame para conversar e diga: Olhe, eu e você não precisamos viver assim. Podemos ser felizes e viver bem. Mas cada um tem que participar da vida do outro. Do contrário, você pode sentar em algum sofá, pagar as contas uma vez por mês, e a gente se vê de vez em quando! Talvez ele precise de um “impacto”.
Tem gente que só acorda com petardo. Sinto estar lhe escrevendo isto, mas Deus sabe que não estou sendo leviano, mas apenas sincero. Até porque eu sou homem, e sei como a categoria “funciona”, infelizmente!
É só até aqui que posso responsavelmente ir. Lamento muito, mas sei quais são minhas responsabilidades em qualquer conselho que dou. Sei, no entanto, que se você decidir se separar, melhor que seja logo, enquanto sua filha é pequena.
Na adolescência, por pior e mais ausente que seja o pai, a criança sofre, até porque as inseguranças se tornam mais concretas.

Estarei orando por você.

Que Deus a ilumine.

Nele, que sabe por nós,

Caio
Escrita em 2003

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11/07/2007

No Divã - 5a. História

Homossexualismo: Como eu trato?

Essa é uma questão difícil, mas foi feita maior do que é.

Jesus disse: Há aqueles que nasceram eunucos. Há os que os homens fizeram eunucos. E há os que a si mesmos fizeram-se eunucos por causa do reino de Deus. Ele, porém, concluiu dizendo: Nem todos estão aptos para este entendimento...

O eunuco é alguém que nasceu com a supressão de sua sexualidade...ou que foi objeto de tal supressão...ou ainda alguém que não desejando usar sua sexualidade como ato sexual, suprimiu-a por conta própria. Nem todos estão aptos para isto...

O que observo é que as igrejas estão cheias de homossexuais...os seminários e os ministérios pastorais também. Este site não me deixa mentir...e os muitos que me escrevem—incluindo pastores e muitos maridos—sabem que falo a verdade. Este mundo é caído...e todos experimentamos as deformidades da Queda...de um modo ou de outro.

O sexo virou o pior pecado na lista cristã religiosa, mas aos olhos de Deus a inveja, a cobiça, as inimizades, as porfias, as facções, etc...figuram na mesma lista de defeitos essenciais: obras da carne.

O que quero dizer com isto? Primeiro digo que Deus é o Deus de todos os indivíduos e não há ninguém na terra para cumprir o papel de vice-Deus. Também digo que na camuflagem evangélica só cresce mais doença como perversão. Como o tema é Tabu...então nem se fala nele e nem se o abre...pois quem o faz vira leproso...filho do inferno, etc...
O que acontece então? Os piores homossexuais que conheço são os dentre os religiosos, de modo geral. São os mais promíscuos e os mais tarados... são os que mais praticam o sexo casual e descomprometido... dissolvendo cada vez mais suas almas e estragando de maneira horrível o seu ser ...sua alma!

Acabam se tornando capazes de votar numa “sessão” de “disciplina” pela condenação de um “colega de inclinação”—apenas porque o seu próprio caso ainda não ficou conhecido...ou jamais ficará; afinal, há muitos camaleões nas igrejas, tanto nos bancos, quanto também nos púlpitos!

No curso dos anos já encontrei todos os tipos de homossexuais na igreja...inclusive psicólogos que “rápidos no diagnóstico da doença”...até porque os iguais se identificam logo...mas que têm “casos” com alguns de seus próprios clientes... Não peça para eu mencionar nomes...seria um estrago... por isso eu jamais diria. Mas muitos sabem que eu sei. Afinal, acabo atendendo "ex-clientes" de alguns deles. Portanto, jamais faria isto. Não é conforme o espírito de Jesus.

Eu gostaria que todos os homens gostassem de mulher e que todas as mulheres gostassem de homem, conforme a ordem da criação. Infelizmente, nem sempre é assim.

O que eu faço? Bem, nunca encontrei um único homossexual que goste de sê-lo apenas por ser. A maioria “assumiu”... mas gostaria de não ter tido que assumir... De fato, gostariam mesmo era de nem ter sentido “a coisa” nas entranhas da alma.

O que faço? Ajudo as pessoas a se enxergarem em Cristo. Mostro que Romanos 7 cabe tanto em “Paulo” como também em “Paula”. A dor é a mesma. Só os que não se enxergam é que pensam que as condições são diferentes aos olhos de Deus. Os homens fazem distinção entre pecado e pecado. Para Deus...todos pecaram...

O que faço, então? Ajudo o indivíduo a chegar a Romanos 8. A livrar-se da condenação. Sem justificação não há paz e sem paz não cura ou apaziguamento psicológico para ninguém. A culpa apenas aumenta o agravo e aprofunda a doença...e esta...não é uma condição apenas de homossexuais...mas também de qualquer outra condição humana. Eu não sou pecador porque peco, eu peco porque sou pecador!

O que tenho visto é que quando as pessoas são tratadas assim, na maioria das vezes, com o passar do tempo...elas acabam se fazendo eunucos (abandonam o vício sexual pelo mesmo sexo) por amor ao reino de Deus. Mas como Jesus disse, nem todos estão aptos... A maioria não está apta nem para ouvir esta verdade, e eu não temo dizer o que digo, pois, seja Deus verdadeiro e eu mentiroso, mas a Palavra da verdade não pode ser falsificada por conveniências.
E como não creio que a salvação seja uma aptidão humana...prego a Cruz e ajudo o individuo a caminhar...pois creio no Espírito Santo...e creio que todo aquele que ouviu a Voz do Chamado para crer...deve crescer e se entender com Aquele que o chamou.

Aquilo que o homem semear, isto também ceifará. Portanto, quanto mais culpa, mais pendor para a carne e para a morte; e quanto mais fé e confiança na Graça de Deus, mais haverá pendor para a Vida.

Se eu advogasse o homossexualismo como padrão, eu mesmo seria um deles. Todo mundo sabe, entretanto, que minha vocação instintual segue em outra direção. Isto torna as coisas mais fáceis para mim? É claro que não! Os que me julgaram e julgam...que o digam! O que sinto é compaixão...e não julgo a alma de ninguém...e nem me afasto de ninguém que seja “diferente”, desde que eu enxergue em sua “essência” a semelhança de Deus...e, certamente, verei que ele não é diferente de mim...nem para o bem e nem para o mal. Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo! Haverá um limite para essa compaixão? Creio que não.

Há um limite para a ação ministerial de alguém que viva tal angústia na carne? Creio que sim! Eu, por exemplo, não ordenaria ao ministério pastoral um homossexual, tanto quanto Paulo diz para não fazer de um bígamo, um bispo. E por quê? Ora, no mundo de Paulo a bigamia era normal...como o é muitos lugares e culturas. E como o Evangelho é para todos—e cada um venha conforme foi chamado—então que seja para todos mesmo. Todavia, Deus não criou Adão, Eva e Evita...e nem tampouco Adão e Adamor. Portanto, indicar Adão e Eva como referencia relativa de saúde humana é o modelo do princípio. Adão e Eva pecaram, mas continuam a constituir o modelo humano de intimidade e vinculação. No mais...deixo Adão e Adamor ouvirem, crescerem, conviverem e se sentirem amados. E sabe o quê? Ninguém piora quando é tratado assim!

A Graça de Deus não gera libertinagem nunca. E se alguém não se ajudar e não for ajudado na Graça do Espírito do Evangelho de Cristo...não o será por mais ninguém e por nenhum outro poder da Terra. Mas nem tudo acontece no “tempo e nos prazos” da igreja. Tem-se que ter amor, paciência e graça para andar com os irmãos...nisto incluo a mim e você.

Com todo carinho e com todo o amor da Cruz é que digo tudo o que digo. E que ninguém ponha em minha boca o que eu não disse. Quem o fizer...entenda-se com o Juiz de Vivos e de Mortos, que também é o Senhor de todos os viventes.

Em Cristo, o salvador de ladrões e amigo de pecadores,

Caio 2003

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No Divã - 4a. História

Sou pai de um filho gay. O que faço?

Querido pastor

Peço sua ajuda numa grave situação que venho enfrentando em família.

Trata-se de homossexualidade na vida de meu filho do meio.

No final de 2002 descobrimos a questão “H” do menino, então com 18 anos. Procuramos ajuda especializada entre cristãos. Acho que nós sempre estamos à frente de nosso filho na busca da restauração. Ele inicialmente ia contrariado às atividades propostas pelo grupo de apoio, agora já se dispõe a ter sua vida consertada, mas ainda assim acho que falta um “estalo” que estabeleça um inequívoco propósito e uma determinação perceptível para nós que ansiamos por resultados.
Como vivenciar esta situação trágica?
Como posso ajudar meu filho?
O que posso o que devo fazer? São perguntas que eu faço a mim mesmo e a Deus!
Fico muito agradecido se você puder compartilhar comigo seu entendimento.
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Meu amado irmão: Graça e Paz!

A gente sempre pensa que isso nunca poderia acontecer na casa da gente. Mas pode. Portanto, quero dizer que você não está só. Há milhões de pais vivendo as mesmas questões.

O problema tem muitas variáveis no tange aos pais:

1. O pai fica achando que gerou um “transviado”. E não é verdade. Você poderia ser a pessoa com essa “dor”, e não seu filho. Ou seja: você poderia ser aquele que está vivendo o conflito de seu filho, e somente Deus sabe por que é ele, e não você. "Homens" não são apenas os seres heterossexuais. Homens são aqueles seres que são dignos, bons, justos e comprometidos com Deus e com a vida. Deus vê homens, não vê apenas "machos". Há milhões de "machos" que não são homens. "Tragédia", portanto, não é isso. Graças a Deus você não sabe o que é uma tragédia. Seu filho não é uma "tragédia", é apenas um menino-homem com um conflito que todos nós, pais, gostaríamos que nossos filhos não tivessem.

2. Os pais sempre acham que a culpa é deles. Algumas vezes, talvez até pode ser. Mas não há essa relação de causa e efeito tão determinantes como o “negócio psicanalítico” pretende estabelecer. Há coisas que viajam num nível mais profundo que a “dinâmica familiar” pode explicar.

3. Os pais também se preocupam com a vida de “marginalidade” do filho. Marginalidade social, afastamento da igreja e da moral, e com os fantasmas acerca do mundo gay. E essa aflição só piora as coisas. Quanto mais o menino se sentir um “marginal”, mais ele será um mesmo.

4. Vem ainda a preocupação — no caso de evangélicos — com o destino eterno da alma do filho. “Vai pro inferno!”— é o vaticínio da religião. Eu não consigo ver assim. Quando a Bíblia diz que efeminados, adúlteros, feiticeiros, idólatras e outros — irão ter um destino “danado”, ela está falando do "ser" dessas pessoas. Por isto é que ela também fala dos facciosos, arrogantes, invejosos, sem afeição natural, roubadores, mentirosos, covardes, e “juízes” do próximo, como estando no mesmo barco. Ora, se você quer tratar o assunto na base dos “grupos de risco” para o inferno, coloque-se no mesmo barco—você, sua esposa, seus outros filhos, seus pastores, a “igreja” e o resto da humanidade—pois, a natureza humana, objetiva ou subjetivamente, é assim: caída. Somos salvos--todos nós--pela Graça de Jesus!

5. A “igreja” não ajuda nessa hora. Infelizmente. Ela apenas põe sobre o cara as penalidades do inferno, e o torna um potencial filho do inferno, porque, muitas vezes, depois de todos os esforços, 98% dos caras não conseguem “mudar” a inclinação. E, então, não conseguindo, sentem-se “danados”, e, então, entregam-se mais profundamente ainda ao “problema”. A Lei aumenta a culpa e a culpa adoece ainda mais o ser. O “resfriado” vira pneumonia e tuberculose. “A Lei avulta o pecado!”

6. Minha sugestão a vocês, os pais, é dupla:

a) Sejam amigos dele. Não o tratem como um “ser estranho”. Não passem “recibo” acerca do problema. Ele tem que saber que é filho, e que a filiação dele não é retribuída com uma tendência sexual. E fiquem alegres dele estar tratando disso de modo franco e aberto. Quanto mais leve for a relação familiar, menos adoecida será a relação dele com essa “inclinação”. É como a garotinha que tem um “foguinho sexual”, e os pais começam a tratá-la como uma “quase-prostituta”, e a garota acaba virando aquilo que foi “projetado” pela acusação.

b) Não misturem essa situação humana com a relação dele com Deus. A “igreja” também é especialista em afastar de Deus aqueles que ela não quer ter no meio dela. Não entrem nesse esquema. Deus ama seu filho e saberá lidar com ele, conforme a grandeza de Sua Graça.

c) Procure uma Estação "dos do Caminho". Se há um lugar onde ele vai poder ouvir a Palavra da Verdade, com liberdade para estar presente, sem ter ninguém oprimindo, e sendo completamente respeitado nos processos da Graça de Deus na vida dele--eu, pela misericórdia de Deus, sei que é lá.

Lá ninguém tem permissão pra se meter na vida de ninguém. Nem eu. E só falo pessoalmente acerca daquilo que me perguntam. Afinal, eu creio que a Palavra de Deus fala por si mesma. Eu apenas a prego, até contra mim mesmo, se for o caso. Todo mundo que vai lá ouve a Palavra.
E nunca vi ninguém nem ofendido e nem constrangido.
Leia agora a Carta conforme segue transcrita. Com amor e orações.

Caio

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No Divã - 3a. História

SOU DEPRESSIVA, TARADA, ANORMAL...
----- Original Message -----
From: SOU DEPRESSIVA, TARADA, ANORMAL...
To: contato@caiofabio.com
Sent: Saturday, October 15, 2005 10:12 PM
Subject: Acho que sou depressiva, tarada e anormal....

Oi pastor.... eu o admiro muito por sua inteligência e sensibilidade.... depois de ler cartas variadas no seu site, senti a vontade de lhe escrever também.
Pois você responde a cada uma delas unicamente demonstrando um carinho tremendo pelas vidas e dedicando seu tempo a cada uma delas...
Deus te abençoe!
Sabe.... ultimamente estou descobrindo coisas em mim, que eu mesma não gostaria de saber...
Desde criança, sempre fui meio esquisita... meio depressiva.
Aprontava demais...
Uma vez, na creche, eu devia ter uns 5 anos, entrei no almoxarifado e cortei as alças das mochilas (umas 40).
Não me lembro claramente desse episódio.
Só sei que entre essa e outras, minha mãe até chegou a me levar ao psicólogo.
Cresci com meus tios paternos, e eles, solteiros, sempre tinham jogadas pela casa, revistas de mulher pelada, e eu sempre as via...
Quando eles assistiam a algum filme erótico, eu sempre dava um jeito de espiar...
Fui crescendo “meio sem vergonha, quase sempre brincava com minhas amigas de fazer” bobagem “(era esse o nome que minha avó dava quando me pegava aprontando algo no gênero). Isso porque já me pegaram com um cachorro, uma boneca, uma prima... Enfim... isso tudo aconteceu quando eu tinha entre 5 e 12 anos.
Depois que fiquei adolescente, com 14 anos, me apaixonei pela primeira vez; e olha que curioso: não conseguia misturar desejo com o que eu sentia.
Perdi minha virgindade com essa pessoa e ficamos juntos por mais algum tempo; e nunca senti "nada" no sexo com ele.
Depois de um tempo ele me chutou... e eu quase morri (mesmo)... queria me matar.
Fiquei neurótica por ele; e um dia, pra passar a minha dor de rejeitada (ele já estava com outra), fiquei com um dos amigos dele...; e começamos a sair...
Na primeira noite que transamos, eu engravidei... Você pode imaginar?
Eu tinha 15 anos, estava sofrendo porque levei um fora, e vivia sendo humilhada pela agora nova namorada dele..., e engravidei de uma pessoa que eu não gostava... e ainda amava o outro...
Resultado: mãe solteira, que logo depois de ter o bebê, entra em uma depressão profunda.... Caio, aos 18 anos, conheci Jesus. Consegui me libertar de várias feridas.... Mas muita coisa ta me assombrando...
Ultimamente meu coração anda abatido. Sente muita raiva. Amo minha filha, mas não gosto de outras crianças.
Estou com 25 anos, vou me casar o mês que vem, (estou completa com ele, em todos os sentidos), com um homem abençoado.... Mas não me dou bem com as pessoas da igreja, quando entro, fujo p não ter que cumprimentar...
Eu me acho uma pessoa esquisita... Vivo de mau humor. Se alguém esbarra em mim no ônibus ou na rua, morro de vontade de xingar... e pra piorar... ultimamente tenho visitado sites de pornografia entre mulheres... Isso me excita... Mesmo sabendo que é pecado e muitas vezes sentindo culpa, acabo querendo ver essas fotos...
Quero deixar bem claro que é só no virtual, nunca me apaixonei por outra mulher; pelo contrário, quando o desejo passa, sinto nojo de mim... Não me excito com mulheres perto de mim. Não gosto do cheiro, da voz...; enfim, gosto de homem, mais precisamente meu noivo. Mas.... como eu fico perante Deus? E a raiva que sinto das pessoas, muita vezes por nada...? Como posso continuar em meu ministério agindo dessa forma? Estou cada vez pior... Às vezes estou tão mal, sentindo tanta tristeza, que tomo algum medicamento (remédio pra emagrecer) que dá uma sensação de euforia..; ou algum calmante para me desligar... Caio se Jesus vier hoje e me encontrar dessa forma, sei que vou ficar... E o pior é que eu odeio esse mundo, odeio viver aqui, não vejo a hora de sair desse mundo. Mas... meu coração está tão duro. Não consigo ter misericórdia das almas. Se as pessoas não se aproximam de mim, eu também não me aproximo delas... Já orei pedindo a Deus que me mudasse...
Muitas vezes senti uma melhora. Mas logo depois já estava do mesmo jeito...
Por que sou assim? Má criação? Opção? Predestinação?!?
Meus pais brigavam muito quando era pequena, de se baterem na minha frente e na das minhas irmãs. E eu me lembro que eu tremia tanto, que chegava a perder a coordenação motora...
E hoje em dia quando passo algum nervoso, acontece a mesma coisa... Várias vezes, quando discuto com alguém, não consigo segurar um objeto na mão de tanto que tremo... Isso quando não choro pelos cantos... Prefiro mais ficar calada do que conversar.
Estou pensando em pedir a conta do meu trabalho porque não suporto os clientes e nem o pessoal com quem trabalho...
A minha vida espiritual está um caos. E eu não tenho forças para inverter essa situação... Estou quase me conformando em ir pro inferno... Meu Deus, onde eu cheguei...? No fundo do fundo do poço...!
Caio, meu amado, não consigo enxergar a luz!!!!!!! As trevas me rodearam e eu me perdi nelas... Preciso muito que você me ajude. Eu sei que você não é Deus, mas sei que é guiado por Ele... Por favor... Sei que és homem ocupado, mas me alegraria muito ter a tua atenção.
Será que ainda tenho jeito? Será que consigo prosseguir? Por favor me ajude... Às vezes tenho pensado em acabar com minha vida. Mas ainda temo o inferno...
Por favor, me ajude.
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Minha querida amiga: Graça e Paz sobre sua vida!
Sexualidade precoce e perversa, no sentido psicológico do termo; raiva e desejo de violência; pulsões homossexuais, uso de drogas para conseguir levantar ou se acalmar; desejo de morrer; morta viva... Porém, casando com um homem que a completa em tudo...?! Algo está errado! Sim, algo está muito errado. E antes de tentar descobrir o que é, digo a você: está errado casar assim, em tal estado. Pois, ou você disfarça muito bem; ou seu noivo é um ser doente, sofrendo de complexo de enfermeiro e psicólogo conjugal; ou é gay e está buscando apenas quem ele sabe que não o buscará... e, assim estará tudo bem (mas duvido que seja este o caso); ou vocês dois estão mentindo um para o outro... Isto porque, minha amiga, nenhuma mulher completada por um homem, na véspera de casar, fica como você está.
Talvez seja mais honesto parar tudo...; e se enxergar, buscar ajuda, tratamento, acompanhamento...; do que casar e se infelicitar mais ainda, aumentando imensamente os riscos de depressão, aprofundamento de sua angustia existencial, de culpas diversas, e, por conseguinte, infelicitando outra pessoa, ou, até mesmo, criando com ele um “sistema familiar” altamente adoecido... o qual poderá se tornar um viveiro de depressão, agressão, raiva, e loucura... variando também para os estados de zumbificação e apatia.
Assim, bem de longe, os sintomas relativos ao que você narrou são os de uma mulher que se sente profundamente atraída por mulheres, apesar de se auto-defender — por abominar a idéia —, afirmando que odeia até mesmo o cheiro de uma mulher; e completa: “portanto, gosto de homens; mais precisamente de meu noivo”. Creio que no mínimo você experimenta profunda ambivalência sexual, por isto, está dividida tão perversamente em você mesma, e contra você mesma.
De fato, sexo, violência, agressão, pornografia, perversão, e ambivalência sexual, são traços instalados em você desde a infância, e, com certeza, profundamente explicados pelas descrições que você fez de sua criação e ambiente familiar.
Entre os 5 e os 12 anos, normalmente, você deveria ter vivido um período de amortecimento de pulsões sexuais (mudando o padrão de agressividade sexual que acontece entre os 2 e 5 anos). Todavia, foi justamente nesse período que você foi estimulada sexualmente pelos vídeos dos tios; assim, a boneca, a prima, e, perversamente, o animal ... se tornaram seus brinquedos-fetiches-eróticos.
No entanto, você não quer e nunca quis isto. Nunca se entregou. Nunca se rendeu. Todavia, também nunca se enxergou, nunca teve a coragem de encarar, de ver de frente.
Assim, você desenvolveu uma profunda negação do conflito, o que gerou um estado de luta permanente em você, o qual só tenderá a crescer. Na realidade, você desejará cada vez mais o que odeia e odiará cada vez mais o que deseja. Esse é o ciclo perverso. Isto já é inferno.
É fato que se você não tivesse conhecido “Jesus” ou Jesus mesmo, aos 18 anos, certamente seus conflitos, hoje, seriam muito menores. E por quê? Porque você conheceu bem ou mal, na “igreja”, a idéia do infinito, do eterno e do sagrado, talvez até do divino. Assim, seu espírito se tornou mais consciente de seu “eu”, e, por essa razão, seu desespero aumentou, posto que você passou a carecer de eternidade para seu espírito; enquanto a necessidade de sua finitude se satisfaz, ou pensa se satisfazer, apenas daquilo que é possível; portanto, tangível e palpável; ou seja: um objeto.
Entretanto, essa luta entre o finito e o infinito, entre a carne e o espírito, instalam o grande desespero na alma humana...; até que a pessoa desista de lutar, e se entregue ao “impossível”, ao impensável, ao absurdo, à loucura, ao escândalo do amor e da Graça de Deus.
Somente quando a pessoa realiza que sua salvação é tão impossível quanto um camelo passar pelo buraco de uma agulha — e, assim, sabendo-se impossivelmente salvável —, é que ela pode (e não tem outra alternativa) morrer nas mãos de Deus, aceitar a Cruz, se entregar a Jesus, conformar-se com Ele na Sua morte...; a fim de poder, como ser doente e perdido, provar aquilo que para os homens é impossível — mas que para Deus é possível, pois para Ele tudo é possível —, que é experimentar a certeza de que já se está perdoada no Cordeiro de Deus: Cristo, imolado com efeito antes da fundação do mundo, pelos pecados do mundo e de todos.
Desse modo, somente crendo em Jesus mesmo, para você, e sabendo que não importando suas doenças e taras — Ele veio para doentes —, o que Ele fez na Cruz é a autenticação histórica do perdão proposto antes de haver mundo, é que você pode ter paz Hoje para abrir sua alma e olhar os porões de seu coração com a Luz da Graça: sem medo; pois, está pago e consumado!
Portanto, recomendo a você o seguinte:
1. Adie o casamento. Você não deve casar assim. Casamento já trás seus problemas e complexidades naturais. Não ponha esse peso sobre os fundamentos frágeis de seu ser.
2. Procure ajuda psico-terapêutica o quanto antes. De preferência alguém bem distante de você. Ou seja: quanto mais distante de você, tanto melhor poderá ser o tratamento.
3. Como você mencionou as crises de descontrole nervoso, e, além disso, falou do uso de drogas para excitar ou acalmar você, devo pedir que você vá urgentemente a um psiquiatra, e narre todo esse quadro, inclusive acerca de sua auto-medicação; pois isto pode estar exacerbando terrivelmente o seu estado de descontrole, de um lado; e de depressão, de outro lado.
4. Também gostaria de propor a você que enfrentasse o convívio humano e não se entregasse à vida altista que você busca viver. Mesmo sem vontade, saia, ponha a cara para fora, busque outras pessoas...; pois, não é bom que ninguém esteja só quando pode desenvolver convívio humano. Gente é complicada, mas sem elas ninguém encontra saúde humana.
5. Senti que você lê o site, mas muito mais como quem garimpa coisas parecidas com as suas. No entanto, gostaria de pedir que você esquecesse um pouco os seus problemas, e, concentrasse suas energias na busca de discernir o que é viver na Graça, conforme o Evangelho. E mais que isto: que buscasse aprender a andar em fé, perdoada, sem medo, justificada, confiante... — coisas essas que estão amplamente afirmadas e ensinadas nos conteúdos deste site.
Portanto, vá fundo e leia tudo. Deixar o que é ruim para a alma, é uma coisa. Aprender o que é bom para a vida, é outra.
Espero ter sido de alguma ajuda. Estarei pedindo ao Pai que lhe dê Luz!

Nele, em Quem só encontra paz na vida quem crê que Jesus já pagou o preço de sua divida, seja ela qual for,

Caio

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09/07/2007

No Divã - 2a. História

O QUE ACONTECE COM AS MULHERES? SÓ QUEREM “BAD BOY”?


-----Original Message-----
Sent: terça-feira, 29 de junho de 2004 01:01
To: contato@caiofabio.com
Subject: O QUE ACONTECE COM AS MULHERES? SÓ QUEREM BAD BOY?

Amado Caio,
Sou um jovem na fé, que conheceu a Jesus de verdade há um mês apenas.
Não devia estar perguntando sobre algo tão insignificante diante de tantas dores e sofrimentos que nem sequer podem ser comparados ao meu caso. Mas mesmo assim, Deus me deu força para lhe perguntar, pois, muitos podem estar como eu, e talvez a sua palavra possa ser de alívio não só para mim como para muitos.
Amigo, me sinto um homem realizado em vários sentidos da minha vida. Conquistei muitas coisas embora não conhecesse de verdade o principal, Cristo.
Estou começando ainda que tarde a minha caminhada...
Caio, a minha vida toda convivi com fracassos sentimentais.
Aos 37 anos ainda não me casei e não tive meu tão amado filho, que sonho um dia tê-lo.
Conheci várias mulheres, cada qual de uma forma.
Amei algumas vezes, 2 ou 3, mas parece que a minha forma de amar está errada.
Não posso ser bom, que o valor que tenho deixa de existir; não posso ser fiel, que não sou valorizado; não posso ser carinhosos que o sentimento esfria... Ao contrário, se desprezo, há um amor maior por mim; se não dou muito carinho, se apaixonam; se não sou aquele homem honesto e correto que gosto de ser, cada vez mais me dão amor e carinho e me levam a sério.
Ocorre Caio, que me sinto mal sendo assim.
Quero amar com liberdade, ser feliz, sem medos, sem pensar antes de fazer um carinho.
Porém Caio, tudo o que vejo é que os relacionamentos que mais me fizeram "feliz", foram aqueles em que eu "tratei mal" a pessoa a quem amava.
Que mundo é esse Caio? O que há de errado comigo? Estou fadado a maltratar para "ser feliz"?
Todos os meus relacionamentos são maravilhosos no início, enquanto eu sou o homem que não sou, que despreza, que não é fiel, que não dá muita atenção, que não é carinhoso, que às vezes é ríspido... Ao me tornar amigo, honesto, sincero, fiel, carinhoso, dedicado, perde-se o interesse por mim.
Tenho a minha vida pronta para montar a minha família, mas não consigo concretizar meu sonho de amar e ser amado sem barreiras, sem máscaras. Isso me deixa muito deprimido Caio, e estou a cada dia desanimando em ser feliz no amor, e estou quase partindo para me conformar de que não fui feito para ter uma família alegre e feliz...
Um abraço irmão, como aquele que me destes no Café no último dia 23/6.
Seu amigo novo na fé.

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Resposta:

Meu querido amigo,
Primeiro quero dizer que nós, homens, estamos comendo de nosso próprio veneno.
Tratamos as mulheres muito mal durante toda a nossa existência, e elas resolveram ficar como nós. Agora, quando algum de nós se “converte ao homem”, elas não acreditam, ou se sentem inseguras, ou acham que não é verdade, ou ficam com vergonha das amigas; visto que é o "bad boy" que está na moda.
A segunda coisa que tenho a dizer é que os homens que querem fazer um outro caminho, conforme o seu sonho—e que é sadio—, acabam indo para o pólo extremo, posto que uma coisa é ser bom, outra é ser “bonzinho”.
A recomendação da sabedoria na bíblia é não ser nada demais... nem mesmo justo demais..., pois, acaba-se destruindo a si mesmo.
A Virtude, num mundo caído, habita o paradoxo.
Assim é que Jesus manda “ser simples como as pombas, e prudente como as serpentes”.
Bem, é verdade que Ele não disse isto em relação ao vinculo homem-mulher, mas sim com respeito ao nosso encontro com o mundo hostil.
No entanto, deve-se admitir que todo encontro - incluindo o namoro—acontece na “cultura” desse mundo hostil. Desse modo, eu não hesitaria em dizer a você que essa equação—simples como as pombas, e prudente como as serpentes—, é um conteúdo a ser buscado para tudo nesta vida e neste mundo.
Trazendo esse paradoxo (pombas e serpentes) para a vida e no encontro com o sexo oposto (no seu caso, com as mulheres), a implicação é saber que quem é só pomba, é apenas “bonzinho”; e quem é só serpente, é só “desconfiado” demais.
A síntese é que é maravilhosa, pois cria a categoria do Bom!
Ora, o bom é generoso, mas não é bobo; é solidário, mas não é otário; é amigo, mas não mole; é cortês, mas não é freguês; é carinhoso, mas não paparica; é cavalheiro, mas não é cavalariço; é fino, porém grave; é doce, mas forte; é confiante, mas não é desatento; é amoroso, mas não é manipulável; é homem, mas nunca deixa de ser sensível; é macho, mas é sempre afetuoso.
Isto é ser simples como as pombas e prudente como as serpentes na abordagem, construção, e manutenção de um relacionamento, até que ele se estabeleça sobre as bases de uma consciência adulta de amor.
Mas nunca se precipite nem com os bons sinais.
Há de se comer “um bom sal” antes de se saber quem está ao nosso lado.
E se há uma coisa para a qual não precisa haver tanta pressa é casamento.
Conhecer bem antes, é muito melhor do que desconhecer logo depois...
O que me preocupou na sua carta foi o “papo do filho”, e que é sadio, mas não como motivação para o casamento.
Aliás, o casamento bom é que deve deflagrar o sonho de filhos, e não o contrário.
Isto embora seja sadio que você, desejando ter filhos, os tenha.
Mas esse desejo tem que ser menor do que o de encontrar a sua mulher.
Quando se encontra a mulher da gente, os filhos da gente seguem...
Seguem até quando a gente os tem sem que tenha sido o fruto do amor maduro, quanto mais quando o é!
Então, não se preocupe. Filhos vêm.
O difícil é encontrar aquela que nasceu com potencial de complementaridade para conosco, mas que a gente ainda não sabe quem é, ou onde está.
Ande tranqüilo que você vai encontrar.
E se ainda não encontrou, saiba: foi a seu favor.

Nele, em Quem o equilíbrio é Graça,

Caio

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08/07/2007

No Divã - 1a História

NÃO ENCONTRO MULHER QUERENDO NADA SÉRIO

----- Original Message -----
From: NÃO ENCONTRO MULHER QUERENDO NADA SÉRIO
To: contato@caiofabio.com
Sent: Wednesday, May 25, 2005 1:53 AM
Subject: Haverá Verdade no ser humano?

Olá querido Caio,

Estou muito triste esta noite porque um casal que eu muito amo rompeu o noivado recentemente. Ela já está com outro, e não mede esforços para anunciar juras de amor a ele (o outro/novo) pela internet.
Há sete meses eu também vi meu noivado ruir. A mulher que eu amava me deu adeus sem muita explicação, agora também já está com outro, seguindo em frente como se tudo fosse normal e as pessoas fossem descartáveis como papel.
O pensamento que me vem é que muitos (ou quase todos) vivem uma grande mentira ou uma quase verdade. Num momento você é o grande e eterno amor, num outro você é mais um “amigo”; carregando aspas porque tais amizades são apenas fachadas para sustentar nossa falsa bondade e fraternidade.
E isso não se aplica, a meu ver, apenas aos relacionamentos afetivos. Como somos superficiais em nossas amizades, como é difícil encontrar e estabelecer irmãos pelo Caminho.
O que se vê são “conhecidos” aos montes.
Ninguém está disposto a ser para o outro alicerce de amor e verdade.
Sendo assim, nossos encontros diários são superficiais e condicionados às rotinas comuns.
Até mesmo para aqueles que carregamos um apreço especial, o que sobra, numa análise criteriosa, é a instabilidade de uma amizade interesseira e sem comprometimento.
Eu li seu texto “Uma Vereda Desprezada”, confirmando ainda mais tal percepção em meu coração. Quase ninguém quer o Caminho estreito.
O amor verdadeiro, o comprometimento real, a Verdade como condição única e inegociável para a vida, tudo isso carrega em si esse caráter altruísta e sacrifical de um Caminho estreito.
Enfim, responda a esta minha angustia: haverá Verdade no ser humano? É possível ter esperança de que um dia guardaremos o único e suficiente mandamento do Amor? Quais as conseqüências de tal vereda na vida deste que anda em Novidade de Vida? Eu tenho me esforçado, ou melhor, descansado na Graça que tudo realiza em nós.
Tal reflexão é fruto dessa Graça que nos basta, ainda que na fraqueza absurda da dor da traição, decepção, desilusão e coisas desse tipo.
Eu quero viver em amor e verdade sob a Graça de Cristo; pois este, sem dúvida, me amou e a si mesmo se entregou por mim!
Sou grato a Deus por saber da sua infinita soberania.
Sou grato por crer nisso.
E sou grato também por poder falar com você, meu amigo.
Um forte abraço e um imenso desejo de ser seu amigo verdadeiro.
Nos vemos no Caminho da Graça, se Deus quiser.

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Meu amado amigo: Graça e Paz!

Este é um tempo muito difícil, no qual a iniqüidade se multiplica, e o amor vai se esfriando nos corações. Além disso, o imediatismo e o irrealismo nas fantasias existenciais que são emuladas na alma das pessoas todos os dias e pelos meios mais diversos, faz com que a maioria ache que amor é coisa boba; que basta uma emoçãozinha, um desejo sexual, uma presença engraçada, uma estampa legal, e uma boa dose se ‘aprovação’ dos ‘amigos’, que a coisa é chamada de amor, relacionamento, casamento, ou vínculo estável—até que o convívio se estabelece a maioria vê que não sabe o que é amar.
No entanto, as pessoas também estão muito esburacadas e carentes.
A falta de amor e afetividade verdadeiros, aliada a uma necessidade infantil de não ficar jamais sozinho, faz com que as pessoas vão se ligando às pessoas sem certezas e sem conhecimento do significado de que seja uma relação construtiva, como também nada sabem acerca do trabalho artesanal e paciente que um vinculo a dois demanda de ambas as partes.
A coisa relacional está mais ou menos parecida com a relação das pessoas com o telefone celular: muda-se todo mês; posto que há sempre novos lançamentos.
Beleza é importante, mas está longe de ser fundamental, e, muito menos próxima ainda ela está do que é essencial.
Mas esta é a geração do corpo, dos músculos, das formas, dos bumbuns, dos peitos siliconizados, dos amores alegres e fáceis, das "nights" irresponsáveis, das camas fáceis, das transas objéticas, das paixões de tesões filhos da insegurança e da carência.
Assim, meu amigo, nada posso dizer acerca do termino de seu noivado e nem tampouco acerca do termino do vinculo de seu amigo. Pode até ser que vocês tenham ficado livres de azedos abacaxis.
Na minha opinião vocês foram libertos de um mal maior.
Mas dói. “Não é bom que o homem esteja só”, mas também não é bom que ele não consiga ficar só um tempo.
É na capacidade de ficar só que a pessoa acaba se dando bem. Digo isto porque muitas vezes passam ‘sacramentos femininos’ diante de você, mas, na maioria das vezes, você está ‘ocupado’ com uma dessas paixões de temporada de novela global—então, o sacramento feminino passa, e você não pode ter a chance de conhecê-lo e prová-lo como bem para você.
Por isso, fique na sua. Na sua tranqüilidade e esperança você encontrará uma mulher digna de um amor sério e perseverante.
Está na hora dos homens que querem coisa boa e verdadeira nessa área, fazerem um boicote a essas mulheres esculpidas por fora e vazias por dentro.
Chegou a hora dos homens que não são meninos não darem mais mole para mulheres que só querem encher sua carência com um namorinho que pode ser ou pode não ser; dependendo muito de que ‘novas opções’ a elas se apresentem.
Assim, deixe os ocos namorarem os ocos; e os vazios transarem com as vazias; e os que são só imagem se embolarem e se perderem em suas próprias e irreais imagens de nada... uns com os outros.
Aguarde na boa e sem amargura; pois, em paz, você encontrará uma mulher de verdade, e não apenas uma fêmea no cio de suas carências.
Vejo você no Caminho!
Venha sem amargura.
Há muitas mulheres maravilhosas a serem encontradas por você!
Nele, em Quem o que não é, não vale o choro,
Caio

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06/07/2007

Aconteceu na Estação

NOSSO CONVITE PARA TODA QUARTA-FEIRA 20 h


Nesta quarta-feira dia 4 de julho de 2007, iniciamos às 20 h os encontros “Caminho Consciência” - com Marcelo Quintela no Colégio Acácio.

Estivemos reunidos numa conversa gostosa e interessante a respeito da interpretação das escrituras através do Filho de Deus, que é a chave hermenêutica da palavra.

Uma das surpresas foi a de contarmos com a presença de gente querida que não se reúne conosco na Estação Santos, mas caminha no evangelho simples do Senhor Jesus, Emanuel, o Deus conosco, conforme foi abordado pelo Marcelo.

Na próxima quarta-feira, o encontro se dará na Sala de Projeção, no Colégio Acácio às 20 h, que tem capacidade maior.

Creio que os que lá estiveram, voltarão, e os que não puderam ir, indo, se alegrarão com crescimento a respeito do evangelho ali debatido e ensinado.

Como Deus tem sido bom conosco!

Valmir Bodruc

valmir@caiofabio.com

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03/07/2007

EXISTE ESSE NEGÓCIO DE “ESPERAR ALGUÉM NO SENHOR”?

Sent: segunda-feira, 15 de dezembro de 2003 08:43
To: contato@caiofabio.com
Subject: NÃO ME SINTO BEM COM MINHA NAMORADA

Mensagem:

Sempre gostei das coisas que você diz!
Sempre me fizeram muito bem!
O ENIGMA DA GRAÇA mudou a minha compreensão para melhor a respeito do assunto!
Muito obrigado!
Pastor, tenho 24 anos e estou tendo problemas no meu relacionamento...
Não consigo ser feliz no meu namoro.
Depois de terminar um relacionamento de muito tempo, comecei a namorar de novo, mas nada está bem. Parece que estou me enganando e enganando ela também.
O que devo fazer?
Existe mesmo essa coisa de esperar no Senhor?
Me ajude!

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Resposta:

Meu amado: Paz!

“Ficar” sem amar é ir a lugar nenhum.

Portanto, se você não quiser perder tempo e nem roubar o tempo dela, termine com a sua namorada.

Sem algum amor nenhum namoro lhe aproveitará!

Não digo que um rapaz de 24 anos tenha obrigação de saber se o que sente é amor mesmo, mas é justamente para isso que se namora: para ver se a gente realmente ama a quem a gente pensa estar amando.

Na minha opinião, ninguém deve casar se o namoro não passa de um “banho-maria”: aquela coisa que não é, e nem deixa de ser; que não é fria e nem é quente. Pois no fim a gente acaba “vomitando da boca”.

No meio cristão as pessoas casam muito com a bondade e a virtude.

Mas casamento demanda mais que isso, se não vira uma “fraternidade conjugal”. E acaba gerando longas, suaves e contínuas frustrações.

Não há agressão, nesses casos. Há tédio.

Frio e mortal tédio!

Os dois concordam em tudo um com o outro, só não conseguem ser uma só carne, por mais que tentem.

Nem o ter filhos realiza esse milagre.
Os filhos são carne e sangue um do outro, mas nem por isso os dois se tornaram uma só carne.

A gente só se torna uma só carne no coração!

“Esperar no Senhor”—você perguntou: “existe isso?”

Ora, a vida é um andante e peregrino esperar no Senhor.

Se Deus não disser pra gente esperar sentado, a própria natureza da fé implica em que o nosso “esperar no Senhor” deve ser “hebreu”; ou seja: em movimento peregrino.

O salmo 126 trás o seguinte clamor a Deus:

“Restaura, Senhor, a nossa sorte como as torrentes do Neguebe”.

Todavia, o salmo apresenta um espírito de permanente movimento enquanto se aguarda a restauração que vem de Deus.

Aliás, o salmo diz que “quem vai andando e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo trazendo os seus feixes”.

Entendi que você perguntou sobre esperar no Senhor no sentido de ficar aguardando a mulher que Deus vai mandar para você.

Bem, eu já vi centenas de pessoas que ficaram sentadinhas nos bancos da igreja esperando o tal do “Isaque” aparecer; e continuam lá, no banquinho, assentadas até hoje.

E o que é pior: muitas ficam com raiva de Deus, amarguradas, se sentindo logradas.

Milagres acontecem, mas o normal na vida é viver.

Portanto, viva, conheça, discirna—e, em se tratando de conhecer alguém que um dia possa vir a ser a sua mulher, a única maneira de fazer isso, é fazendo—livros não lhe darão tal percepção (rsrsrsrs).

Seja um verdadeiro hebreu da fé. Um ser do caminho, andando com Deus de olhos bem abertos para a vida.

Sei que se você fizer assim, no próprio caminho você encontrará alguém que estará ali, fazendo intercessão com seu caminho, e, então, vocês vão poder fazer um mesmo caminho no Caminho.

Receba meu beijão.

Nele, que ESTÁ conosco todos os dias,



Caio

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