COMPARTILHANDO FATOS, IDÉIAS E VIDA ENQUANTO CAMINHAMOS

24/09/2007

MAIS UMA VEZ

Galera do Caminho em Fortaleza - http://caminhofortaleza.blogspot.com/

Mais uma vez

Hoje mais uma vez fui chamado para esclarecer minhas declarações de fé, visto que estava sendo mais uma vez acusado de defender heresias em dos seminários em que leciono. Tudo isso é desgastante e ainda não consegui ser indiferente. Espanto-me com o tamanho da ignorância que há nos círculos evangélicos. Parece realmente que não há mais jeito. Sou filho de pentecostais e lamento por tudo que aconteceu a este segmento. Sou um teólogo, mas lamento o que fazem à teologia.

Tudo é tão hipócrita, pois quantos elogios são me feitos por e por trás conspiram contra mim. Estou cansando e hoje triste. Sei que não devia afinal não é a primeira vez. Foi ainda na adolescência que ouvi de meus pastores e familiares que era um filho do diabo por ir contra a 'teologia da maldição hereditária'. Quantas vezes fui ferido com palavras porque ousava tratar questões sexuais de uma maneira menos rigorosa do que a que já estava estabelecida. Quantas acusações já fizeram.

Era proibido de ler poesias. Rasgavam meus escritos. E tudo que eu pensava era reprovado. Mas mesmo assim continuava, apesar de ir me ferindo muito quando por vezes acreditava que o problema era eu. Sei que foi só a Graça que conseguiu guardar a minha mente, pois em diversos momentos me vi traindo a minha própria consciência.

Quando enfim deixei a congregação, já a pastoreando por 5 anos, sai em busca de um lugar onde minha alma encontrasse repouso. E quão tristes foram as outras experiências. Era amando e sendo odiado. Fui envolvido em tanta mentira. Conheci os bastidores do mundo evangélico. Quase perdi minha alma. É impossível disso e participar e acabar não se sujando.

Fui visto como um homem que era contrário as ações do Espírito Santo por causa das minhas constantes críticas ao uso mentiroso e abusivo dos dons. Fui mal interpretado pelos que antes se diziam meus filhos quando disse que estava deixando a igreja por obediência a voz divina. Levantaram-se mentiras a meu respeito e paguei para além dos meus pecados, estes confessados diante de muitos.

Na última igreja que trabalhei fui levado a uma espécie de tribunal eclesiástico sendo acusado de perverter a doutrina da igreja. Naquela ocasião apesar da dor tomei a decisão de me desligar definitivamente da igreja evangélica. E no Caminho encontrei o caminho da Graça e verdadeiros irmãos.

A partir da minha associação aos do Caminho perdi empregos. Por não negociar a mensagem do Evangelho, estou a ponto de perder mais ainda. O que fazer? Eu espero em Deus que é o dono da minha vida e o Senhor do meu caminho em quem tenho a minha consciência presa.

Aos meus amigos, digo orem para que não me falte a coragem de sempre defender o Evangelho mesmo com riscos, e que não me falte o pão de cada dia. Aos demais, o que posso dizer? Deus julgará nossas vidas e espero que para com todos nós haja com misericórdia.

Ivo Fernandes
19 de setembro de 2007

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"Pregue o Evangelho, e se necessário for, use palavras!" - Francisco de Assis.


Ivo, mano querido!
Meu ex-teólogo preferido!
Nós te amamos! E a Janaína, principalmente!


Preste atenção:
O seu sofrer é o sofrer de todos os "do Caminho" errantes pelos desertos, cavernas e montes da existência. Gente que no abrir de lábios ousados e no refletir de mentes livres se fazem grande ameaça ao” status quo" cultural promovido pelo espírito mercantilista, estelionatário, alucinógeno, fantasioso, legalista e farisaico, carnal e ensimesmado, faccioso, manipulador, sacerdotal, ufanista, ciumento e invejoso que impera na atmosfera vivencial da chamada "igreja".
Faça o Caminho e esqueça de verdade as glórias, honras, galardãos, canudos, reverências, reputações e homenagens, aplausos e palmas, tapinhas nas costas, "vou orar a respeito", "A paz do Senhor, seu idiota!" e tudo que você já conhece bem - esse é o caminho largo e a tendência é só piorar!
A "igreja" passará os últimos dias na Terra comprando, vendendo e se dando em casamentos de barganhas, uniões de negócios e amaziamentos de interesse! - mas mantendo uma incrível capacidade de no dia seguinte trair seus comparsas, em havendo uma oferta melhor. Daí suas ondas, moveres, visões e malabarismos bíblicos para justificar alianças espúrias. Tudo, lógico, para potencializar crescimentos e o blá blá blá "super-convincente" de púlpitos e programas de TV!
Nem a Teologia sobreviveu à teologia-desses-dias! Até o criterioso pacotinho sistematizado de dogmas zelosos se dobrou frente à Teologia da Grana!
Mas você foi chamado para SER e nada mais... e enquanto É, ir SENDO Nele a cada dia, com humildade, temor e tremor Àquele que te comprou por um preço que "não tem preço"!
Essa certeza não advém da sua membresia a uma comunhão humana auto-denominada "Caminho da Graça", mas tão somente porque creu sem ver, e crendo, não retrocedeu diante das seduções à Fé dos Sentidos contra a qual há tantas advertências em Gálatas e Hebreus, por exemplo. Você creu, e crendo, não se segurou mais na segurança do conhecimento e do academicismo, do misticismo cristão, do paganismo evangélico, dos decretos apostólicos, das chantagens da impiedade religiosa que "rouba mendigo" e "assalta velhinhas", das hierarquias verticalizadas, e das ''bênçãos" decorrentes dos sacrifícios de "beija-mão e enche-bolso".
Mano, seus olhos se abriram e a palhaçada acabou!!!! Deus seja louvado!!!!! Agora não tem mais jeito e não tem mais volta. Sorria!!! rs...
Agora, a única dor é olhar para dentro, e ver-se a si mesmo! Mas até esse caminho por sombras e vales psíquicos é feito sob o chão da Graça e a convicção de que "Tu sempre estás comigo!"
Quanto aos juízes sentados na "Cátedra de Jesus", deixem que continuem a julgar. A história já está acabando. Tudo será revelado.
Por ora, arranca do coração a amargura! Chacoalha a cabeça e perdoa perversos! Vê que na luta contra o pecado ainda não resistimos até o sangue. No máximo, perdemos amigos e dinheiro. E só. Considera o sofrimento dos teus irmãos por toda a Terra. Fortaleça joelhos trementes e mãos vacilantes e não agasalha a queixa e nem dê o sangue pelos teus próprios direitos!
Tenho por certo, inclusive, que ELE mesmo te abrirá portas e mostrará novos horizontes profissionais -segundo teus dons - em nome de Jesus! (e isso peço agora em oração)
E no mais, posso te certificar, falando pelo "Caminho”: Sua família não sofrerá danos. Quem tem, dará sem que lhe falte. Quem não tem, terá o suficiente! E haverá igualdade!


Que a Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos os irmãos de Fortaleza!

Os irmãos em Santos vos saúdam.


Marcelo
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Oi Marcelo...


Se trocar o nome do Ivo pelo meu, uso a mesma carta na minha vida...
Como "ex-pastor" estou desempregado, mas hoje tenho uma entrevista...
Deus vai nos suprir!


Obrigado,


Daniel Bedhung
Brusque SC

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20/09/2007

O MILAGRE É A VIDA

O MILAGRE É A VIDA

Quem não discerne que o milagre é a vida, e que o resto que de bom seja, é apenas força e alegria para viver — nunca aprenderá a viver nesta terra de nascimentos chorados, de gozos doídos, de partos arrancados, de uniões entre espinhos; e de necessidade de paciência e perseverança em amor, assim como se necessita de pão, água, ar e calor.

No domingo, já tarde para uma casa em saudade, uma moça veio aqui e entrou no quarto de minha mãe e jogou-se em cima dela, que dormia, dizendo: “Como eu vou viver sem ele?” E gritava isto com insistência, assustando minha mãe. Eu peguei a moça e a levei para a garagem da casa e conversei com ela.

“Você não sabe o que é ficar sem ele!...” — me afirmava ela, que vinha aqui de tempos em tempos, e apenas quando não tinha outra alternativa, em razão da escolha suicida que ela fez e que mantém: viver cheirando pó.

Eu não sei o que é ter que viver sem ele...

Eu?

O fato é que aquela moça bem expressa a verdade acima, ensinada a mim por meu pai:

A pessoa que não discerne que o milagre é a vida, e que o resto que de bom seja é apenas força e alegria para viver — nunca aprenderá a viver nesta terra de nascimentos chorados, de gozos doídos, de partos arrancados, de uniões entre espinhos; e de necessidade de paciência e perseverança em amor, assim como se necessita de pão, água, ar e calor.

Quem não vê a existência assim, jamais encontra vida na existência.

Busca, busca e nunca acha nada.

Só vê vida na existência aquele para quem a vida é o milagre e a existência é a conseqüência. Não importando “o quê”. Pois, já não há mais “quês” depois que a vida é o milagre em si.

Sim! Quem não vê a vida assim é capaz de achar que sua dor longínqua e egoísta é sempre a maior do mundo; e que nesta vida não se tem razão alguma para existir se alguém não viver por nós.

A tristeza é constatar que a fraqueza humana que só aumenta frente à existência, é o amargo fruto de não se ver claramente que a existência é secundaria onde o milagre é a vida.

Pense nisso!



Caio

18/09/07
Manaus
AM

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18/09/2007

No Divã - 30a. História

----- Original Message -----
From: SOU UM PAVIO QUE FUMEGA!
To: ana@caiofabio.com
Sent: Thursday, August 30, 2007 10:47 AM
Subject: Pavio que fumega!

Pr. Caio,

Sou um pavio que fumega, uma cana quebrada!

Ando muitíssimo extenuado e aflitíssimo. Passei por alguns processos que me foram dolorosos e que me deixaram claudicante.

Desde 1998 sofro de uma inadequação sem tamanho. Tudo começou quando fui expulso de um “certo" (conceituado) seminário teológico de uma determinada denominação de confissão "evangélica".

Fui colocado para fora por ter me apaixonado por uma seminarista. E isto era proibido! Vi-me na idade das trevas! Era vigiado e minha liberdade era cerceada por conta da referida moça.

Tudo que é proibido ganha contornos mais atrativos... Começamos a conversar e a flertar um com outro... Procuramos a direção da instituição na intenção de deixar às claras as nossas intenções (de namorarmos um com outro tão logo a referida moça obtivesse o "status" de estudante "veterana". Pois, a norma (quebrada) tratava-se da seguinte proibição: seminaristas " veteranos" não podiam namorar com "calouras" (o inverso também era verdadeiro). Mas com tanta pressão (interior e exterior) não agüentamos a pressão e passamos a nos encontrarmos às escondidas... Até que resolvemos que não cabíamos mais naquele lugar... Mas antes disso fomos expostos diversas vezes a situações vexatórias. Entretanto, nosso pedido de " dispensa" foi negado e fomos enxotados do seminário.

Após isto fui parar de pára-quedas no Tocantins (a família da minha esposa residia em Palmas/TO). Foi aí que meu inferno começou, pois a sogra (hoje uma mãe para mim), o cunhado, a cunhada, as tias e os tios da referida namorada iniciaram um processo de sabotamento da minha relação mesmo após nosso casamento.

Dentre outras situações vividas... Sofri difamação caluniosa (acusado de molestar uma criança - filha - de uma das "titias" da minha esposa) minha vida pessoal e profissional virou um caos.

Era professor de duas conceituadas instituições de ensino do Tocantins... Tive que pedir demissão devido a pressão causada pela “suspeição" que pairava sobre mim.

Sofri atentados de morte... exposições públicas e etc... E naquela altura já tinha duas filhas... Ano passado fui inocentado de todas estas acusações... Mas estou fatigado e com depressão.

Não sou o mesmo com minha esposa nem com minhas filhas... Ando extremamente irritadiço, impaciente e explodindo por nada ou por qualquer coisa. Temo pelo meu casamento e pela família que constituí.

Ajude-me por favor! Continuo morando em Palmas-TO e sofro de distrofia simpático-reflexa e de uma síndrome dolorosa miofascial. Iniciei um tratamento psiquiátrico (ando tomando remédios para a ansiedade e depressão).

Terminei meus créditos de dissertação do mestrado que estou fazendo em educação, contudo, digitar me é difícil e doloroso. Estou afastado do trabalho (serviço) há mais de um ano e nesse processo a depressão agravou-se. Tenho uma uma dissertação para escrever, e não me sinto em condições psicofísicas para fazê-lo.

Ajude-me. Preciso de suas orações e das dos irmãos do Caminho.

Grato,

Luciano
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Amado Luciano: Graça e Paz!

Não sabes? Não ouvistes desde o principio? Sim! Que o Senhor, o criador dos fins da terra, não se cansa e nem se fatiga? Não se pode esquadrinhar o Seu entendimento. Ele faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. Os jovens se cansam e se fatigam, e os moços de exaustos caem. Mas o que confiam no Senhor renovam as suas forças; sobem com asas como águias; correm e não se cansam; caminham e não se fatigam!

Ora, tudo o que está dito acima é verdade!

Se você deixar o passado passar e o sepultar; se você não se alimentar de sua justiça aviltada pela calunia; se você não se lembrar do que perdeu e olhar o que ganhou [hoje você ainda não vê]; se você abraçar os seus tesouros humanos: sua mulher e filhas; se você crer que seu problema é psíquico, e, por isso, tornou-se físico; se você levantar o espírito e der ordens de fé à sua alma; se você entender que a fraqueza vem do desmaio da esperança; se você compreender que a injustiça dos homens promove a Graça sobre nós; se aceitar que tudo coopera para o bem; se discernir que ficou livre das hipocrisias pela experiência de seu poder demoníaco; se disser “Eu quero ser curado”; se acolher o Sopro que acende a torcida fumegante e não se rebelar contra a delicadeza Daquele que levanta a cana quebrada; se descansar em Deus e parar de buscar lógicas para a perversidade; se perdoar a todos, ao mundo, ao seminário, aos familiares paranóicos, e às instituições de cristal; se apenas levantar-se, com dor ou sem dor; com pensa de si mesmo ou com raiva; mas erguer-se; e re-ler o que está dito acima, e crer; e não duvidar em seu coração — então, seu espírito se iluminará; sua alma se acenderá; e uma estranha força de confiança o fará voar, apenas para provar a você que você ainda pode correr e andar sem se cansar; tão somente confie ativamente no Senhor; e, se e quando [agora] ao Dele ouvir: “Levanta-se e anda” — não hesitar; e, assim, erguer-se; posto que de pé é que se anda, embora a força para tal nasça do paradoxo do descanso que confia e da confiança que descansada mas faz o que tem de ser feito; sem nem bem sentir que a cura já brotou sem detença, você estará curado.

Leia Isaías 58 todo; e, pratique a terapia ocupacional de solidariedade que cura, conforme ensinada pela Palavra que é Verdade!

Esse seu seminário original deveria se chamar Palavra da Morte!

Esqueça; e lembre do que ainda não é; mas que pela fé será.

Você crê?

Vem e vê! — diz Jesus a você!

Nele, que ressuscita os mortos,


Caio

30/08/07
Manaus
AM

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17/09/2007

PAIZINHO: ESSA SERIA SÓ PRA O SENHOR!

Ah! Meu paizinho. Ainda bem que o senhor não pode me ouvir!

Pois, de fato, paizinho, eu estou comendo no seu pratinho, com toda a alegria, a perfeição de sua vida e de sua partida [ O PRATINHO DE MEU PAI].

Mas pai, enquanto o choro lava, dói; e enquanto alegro-me em sua vida, me arrebento; ao mesmo tempo em que me faz sentir o mais bem-aventurados dos filhos, me faz sentir também o mais saudoso de todos eles.

É tão maravilhoso ser seu filho que dói muito ter que esperar para rever senhor.

Mas aprendi com o senhor: o senhor vicissitude pode virar senhor necessidade; e que se tornará uma grande alegria [ PAPAI: SENHOR VICISSITUDE E SENHOR NECESSIDADE].

Hoje, por Graça, não é vicissitude e nem necessidade: é vicissidade, papai.

Mas a bem-aventurança que chora é a mesma que faz andar em consolação!

O senhor, meu pai, era homem tão pra além de tudo, que assim como até aos 10 anos eu via sua muleta apenas como uma utilidade; apesar de tudo, somente agora eu vejo que seu corpo dormido era o senhor sem conversar comigo até o dia da Conversa Eterna.

E como faz falta não receber o seu telefonema sagrado, sempre me dizendo:

“Meu filho! Você sabia que você é um marotinho muito amado?”

Ou aquele simples:

“Caiô, meu Caiôzinho! Você sabia que este coração aqui está passado de saudades?”

Ou ainda:

“Conte-me como estão as coisas? E nossos queridos? O Cirinho, o Davizinho, o Lukinhas [até 27 de março de 2004] e a nossa Jujuzinha? E como está a minha norinha amada? E a Bruna? E os meninos? E me fale do Caminho da Graça? E nosso amado Rômulo?”

Etc.

Mas o que vai doer mais, meu paizinho, será chegar ao próximo 15 de março [nos meus 53 anos], e não ouvir o que tenho ouvido nos 52 anos anteriores [pois, o senhor disse a mesma coisa desde antes de eu entender]:

“Meu Caiôzinho amado! 53 anos. 53 anos de Graça, de muito amor de Deus e de muita misericórdia. E eu disse naquele 1º dia: Jorrou petróleo hoje em Nova Olinda [primeiro poço amazônico de petróleo], mas onde o tesouro jorrou mesmo foi na minha casa!”

Mas prometo que vou ouvir até o meu último aniversario a sua confissão de esperança e certeza sobre mim, meu pai.

O senhor não tem eco em mim. Em mim senhor fala.

Dizem que tenho cada dia mais os seus jeitos. Que me acaricio como o senhor. Que fico absorto como o senhor. Que aliso meu peito como o senhor. E até percebi outro dia que só consigo virar na cama como o senhor: sentando e girando o corpo; e isto até dormindo. No entanto, o senhor fazia assim por causa de seu defeito físico. Eu faço por absorção do senhor, meu pai.

Alda sonhou em janeiro de 1999 [ UM SONHO PROFÉTICO: A MINHA EXECUÇÃO] que no fim eu iria ficar sábio como o senhor; e quando conheci Adriana o que ela me disse é que via que eu me tornaria um homem sereno e sábio como o senhor.


Ah! Meu paizinho. É tudo o que quero. E o que me dá esperança é que já fui, quando menino, um sábio-menino; por isso, sei que mais sábio ainda eu serei em Jesus nesta idade na qual o homem ou fica sábio ou vira tolo de tanta amargura.

Voltar pra cá e não ver seu rostinho no aeroporto, mesmo que no meio da madrugada, será como chegar à praia e não achar o mar.

E o Monte Sião sem senhor?

Lindo! Mas e a magia de seu olhar de devoto da beleza de Deus na natureza? E sua alegria em mesmo não podendo entrar na floresta regozijar-se que minhas pernas e as da Adriana ainda podem entrar no seu paraíso de outrora?

Quem vai alegrar-se com os que se alegram e chorar com os que choram? Sim! Nesse mundo no qual a alegria de uma pessoa é a tristeza e a inveja de outra? E no qual a tristeza de alguém é a oportunidade de afirmação de outros?

E quem se assentará [não como um juiz] como um servo do amor, assim, descuida e disponivelmente, com a porta aberta, servindo a quem quer que apareça?

Ah! Paizinho! E quem construirá as torres novas, de Aquaricara, que pela Graça levantaremos em seu pedaço de terra lá no Rio Urubu?

E como será terminar e não ver sua alegria? Sim! Sua sempre grande, linda e pura alegria?

Paizinho, hoje, quando seu corpo ia..., muita gente da rua abraçava a si mesma e dava adeus, como quem abraçava o senhor... Simples gente da cidade... Quem vai abraçar os humanos até quando apenas passa morto?

Chocou-me ver do longe que muitos vieram... Do interior. Da mata.

Veio o meu amigo Senador Artur Virgílio Neto, o governador falou no programa de rádio a seu respeito [belas palavras]; o prefeito, seu amigo de longa data, o Serafim, não poupou esforços — mas o que me impressionou foi o “Brasília” do Novo Remanso, andando com dificuldade...; ou aqueles que vieram lá do Monte Sião... E foram beijar o senhor.

E quem vai ter mais o privilégio de partir aos 81 anos e ainda ter a professora que o alfabetizou sentadinha, emocionada como quem criou um mestre? Ah! Até sua primeira professora estava lá... Um milagre de longevidade...

“Fui eu quem ensinou ela a ler” — me disse ela. E como fiquei grato; pois, pela leitura, senhor foi mais distante do que ela jamais sonhou.

E quem vai apanhar meninos e meninas sem rumo e fazer deles comerciantes, empresários, médicos, mulheres felizes e homens fiéis?

Vou foi uma FGV para centenas e centenas... Só que a sua era a Fundação Ganho de Vida. E centenas de seus formandos estavam hoje lá... Aos prantos.

Jesus é o Evangelho, e fez do senhor um evangelho vivo, escrito com tinta de amor, e com suor de agonias de bondade.

E quem não se poupará mais?...

E quem ainda terá a coragem de largar tudo para viver de tudo-nada?...

E quem considerará o refugo como refugo neste mundo onde o refugo é o diamante mais ambicionado?

Ah! Paizinho! Nosso Pai há de prover. Mas eu queria tanto que o senhor soubesse que o senhor foi uma raridade deste planeta.

Eu estou aqui... Grato de saudade. Mas, fique sabendo: não haverá um único dia de minha vida em que eu não venha a consultar sua memória viva em mim, na busca da sabedoria que senhor encarnou diante de mim e de milhares.

De fato, o que quero dizer mesmo é que o senhor foi um desses poucos homens dos quais o mundo não é digno. Pois, a maioria merece o mundo que tem.

Mas o senhor dignificou tudo o que não tinha dignidade!

Basta ao discípulo ser como seu mestre. Jesus é o Mestre. Mas ainda peço a Ele para encontrar o seu caminho, meu pai, nessa vereda raramente percorrida, que é feita apenas de verdade simples e de fé que não teme ser fé; e mais: que vira inamovível confiança.

É nessa direção que eu caminho!...

Na Graça, como na Graça o senhor chegou, por ela também eu chegarei lá.

Mas que saudades meu amorzinho!


Caio

16/09/07
Manaus
AM

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14/09/2007

E QUANDO TUDO VEM DE UMA VEZ SÓ?...


Ter dificuldades e problemas é tão normal na vida como “falta” em jogo de futebol.

No entanto, há estações da vida quando as concomitâncias e as co-incidências parecem vir num volume que, se a pessoa não estiver bem firmada, pergunta: Por que assim... - tudo de uma vez?

De fato nunca me fiz essa pergunta.

Mesmo de 1998 até 2001, quando tudo parecia ter vindo de uma vez... Mas eu não tinha perguntas. Eu sabia a causa. Eu era a causa.

Em outras ocasiões também experimentei a simultaneidade de muitos desconfortos. Mas nunca me fiz perguntas?

De fato, minhas perguntas nesta área da existência acabaram em abril de 1975, no meu quartinho na casa de meus pais, recém casado, acometido pela segunda hepatite seguida, e fazendo perguntas...

Até uma madrugada. A madrugada das madrugadas, quando entreguei a Deus todas as minhas questões...

Interessante é que quando não mais tive interesse em mistério algum ou em tempos e épocas, tudo foi ficando tão mais claro que, mesmo o que é absurdo, me chega com uma explicação latente e sem voz, mas que diz tudo num plano não lógico, porém, absolutamente pacificador.

Hoje estou aqui, em Manaus, indo à UTI duas vezes ao dia, e monitorando papai, através do médico amigo, Marcel, e dos anjomeiros Hilton, Gerilson, Daniel, Miquéias e Batalha.

Papai está estável faz uns cinco dias, mas é a estabilidade de uma bandeja cheia de taças de cristal trincado...

Cada movimento é pura atenção.

Mas ele cresce em estabilidade dia a dia. Milagre.

Entretanto, mesmo que me ligassem agora dizendo que ele acabou de partir, ainda assim tudo teria sido puro milagre.

Na UTI ouço pessoas dizendo que nunca viram nada igual. Hoje já ouvi isso quatro vezes.

De fato, o que Deus está fazendo é de impressionar a qualquer um, mesmo o mais cético.

Ora, isto é aqui...

Amanhã, todavia, Adriana opera no Rio. Não é nada grave, mas é uma invasão de qualquer modo.

Ora, a ironia é dupla, tripla, sei lá...

Primeiro porque ela não admite que eu saia daqui. Veio na sexta passada e ficou até a madrugada de quarta, mas foi me proibindo de fazer o que há pouco, por pouco, não fiz: pegar um vôo aqui e amanhecer na porta da casa de saúde amanhã cedo. Então, estou proibido de ir para a paz dela mesma; pois, não admitiria que eu lá estivesse quando a situação aqui é tão delicada; e isso inclui minha mãezinha também: forte como uma rocha, mas exausta. Assim, cumpro ordens...

Segundo porque eu não costumo seguir instruções que não tenham acordo com meu bom senso ou avaliação real das possibilidades. E, desta vez, tive que ceder; e não discutir alternativas; tipo: ir na madrugada de hoje e volta amanhã à noite... Pois, o bom senso manda ficar. O difícil é fazer a pulsão da alma obedecer o bom senso. Então digo o salmo 42 para a minha alma; apenas no que tange a fazê-la ficar quieta.

Terceiro porque há exatos 7 anos eu estava sendo levado pela Adriana para uma clínica em Niterói com a suspeita de estar com câncer no intestino. E ela estava lá. E se prostrou e adorou no chão, na frente do médico, comigo dormindo, quando veio o resultado que me isentava daquele problema. Meu amigo Cécé estava com ela, assistindo tudo... Então, quando acordei, ele disse: “Pô, mano! Essa mulher é poderosa! Mandou ver... Se jogou no chão, levantou as mãos e agradeceu no poder!”.

Mas as datas da vida não são marcadas por nós!

Então, quando tudo fica assim, simultâneo, penso:

Deus está me exercitando na confiança e na tranqüilidade. Portanto, irei olhar para tudo com a confiança de que minha ausência não diminui a Presença que importa essencialmente: a Dele.

Eu, todavia, queria estar com ela, o tempo todo — antes, durante e depois de tudo; e queria que quando ela abrisse os olhos, fossem os meus olhos os que ela encontrasse, assim como quando tive que ser anestesiado duas vezes desde quando nos encontramos, e em todas as ocasiões foram os olhinhos dela que me receberam; e com que sorriso!

Enquanto isto, como mais uma comidinha no pratinho do papai!


Leia: O PRATINHO DE MEU PAI



Nele, que cuida e que nunca se descuida,



Caio

13/09/07
Manaus
AM

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13/09/2007

No Divã - 29a. História

Original Message -----
From: TO BE OR NOT TO BE: não é minha questão…
To: contato@caiofabio.com
Sent: Wednesday, September 12, 2007 22:41
Subject: Querida Amazônia

Caio, Muita Graça e Paz!!

É triste observar pessoas que falam em nome de Deus e são contra a vida...

É triste ver uma direita protestante americana e radical se aliar a um presidente que não leva o meio ambiente a sério e sim, gasta milhões na guerra do Iraque.

Ele faz isso tudo em nome do bem e diz: "Deus abençoe a América!"

É triste ver que esses radicais acusam os ambientalistas de militantes gays e pró-aborto...

Que cristianismo é esse? Que protestantismo é esse?

E a nossa querida Amazônia? Onde estão os defensores da vida? Onde estão as igrejas? Elas estão preocupadas com a lei contra a homofobia...

Eles criticam o Lula, acusando-o de ser pró-aborto... Criticam os ambientalistas, acusando-os também de pró-aborto...Enquanto a nossa Amazônia, uma admirável fonte de vida vai se acabando...

E o nosso futuro? E a nossa vida?

Esses senhores religiosos dizem que você, Caio, é pró-gay e pró-aborto e não percebem sua imensa hipocrisia em não lutar pela Amazônia... Mas claro!! O mais importante é garantir o grande capital!! A grande propriedade privada!! Que coisa!!

Não conheço você, Caio, pessoalmente, mas sei que pela sua trajetória, pelo seu abençoado site, você é pró-Vida!!!

Descobri (e foi tarde!!) que a religião também está destruindo o meio ambiente...

Eles são contra o aborto, mas abortam com sua omissão e conivência a nossa querida Amazônia!!

Caio, não desanime, pois Deus é contigo!! A chuva de Graça continuará sendo derramada, inclusive em nossa querida Amazônia...

Um grande beijo!

Wandré

_________________________________________

Resposta:


Querido Wandré: Graça e Paz!



Sua carta é uma vitamina de carinho!

Obrigado mano!

A questão é que quem é pró-Graça é pró-vida sempre; embora, também, não seja pró-nada; pois, a vida não é ideologia.

Assim, não sou pró-gay, nem pró-vida [anti-os-anti-aborto], nem pró-ambientalismo, nem pró-esquerda, nem pró-direita, nem pró-pró-algum; pois, se fosse um pró-bandeira, seria pró-algo, mas nunca pró-vida.

Por natureza sou anti-ismos e pró-dade... Assim como em espiritualismo e espiritualidade, ou como em comunismo e comunidade, ou como em sexismo e sexualidade, ou assim como em tudo onde ismo seja um sistema e uma bandeira e “dade” seja o sufixo do que carrega apenas qualidade e conteúdo livres.

Quem está crucificado com Cristo ficou sem mãos para segurar bandeiras!

Assim, defendo ao que o Evangelho chama vida. E isso vai de vida a vida; de bio à psique; de psique à pneuma; de micro mundos à macro mundos; de meio ambiente ao ambiente interior.

Jesus mandou que aqueles que davam o dizimo da hortelã, do cominho e de todos os grãos, continuassem e fazer isso, desde que não esquecessem as coisas mais importantes, que são a fé, a misericórdia e o amor. E concluiu: “Ora, devíeis fazer estas coisas sem omitir aquelas”.

Assim, em meu sentir, o dízimo da hortelã, do cominho e de todos os grãos, são todas as coisas que se tem que apresentar com materializações; e as coisas mais importantes, que são a fé, a misericórdia e o amor, são aquelas que não se tem como demonstrar senão com a prática da vida.

Defender a Amazônia é dizimo de grãos. Tem-se que fazer.

Mas viver uma vida não puluitiva é o dizimo da fé, da misericórdia e do amor. Pois sem este, aquele não terá jamais sentido algum, e não passará de uma bandeira.

Ora, tomando o meu site como exemplo, quando escrevo em Opinião estou dando o dízimo da hortelã, do cominho e de todos os grãos; e quando escrevo uma carta ou um texto que não é uma reação de idéia ao momento [como uma Opinião], mas sim algo de natureza muito mais perene — carrego em mim a certeza de ter dado o dízimo das coisas mais importantes, que são a fé, a misericórdia e o amor; e que são também aquelas que não se tem como demonstrar senão com a prática da vida.

O que disse acima é uma parábola, mas sei que se você meditar você a entenderá.

Sobre suas questões: Que cristianismo é esse? Que protestantismo é esse?

Leia aqui no site e você verá que esses dois entes são assim porque jamais seriam de outro modo. A natureza deles é essa.


Seu carinho me fez muito bem. Minha alma acolheu seu amor.


Nele, que é; e, justamente por isso, não se pode dividir,


Caio

13/09/07
Manaus
AM

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11/09/2007

No Divã - 28a. História

----- Original Message -----
From: QUEM AMA O CAIO ODEIA A IGREJA?
To: contato@caiofabio.com.br
Sent: Tuesday, September 11, 2007 00:10
Subject: quem ama o caio odeia a igreja?


CAIO, LEIA POR FAVOR...


Confesso que ler o seu site e ouvir suas mensagens me causam um certo medo. A cada pregação que eu ouço e a cada texto que eu leio, eu percebo que não entendo nada do evangelho. Porém, ao mesmo tempo, percebo que as pessoas que são “adeptas” das suas mensagens, se é que posso dizer assim, são pessoas que normalmente se feriram, se decepcionaram com a igreja e buscam nas suas mensagens um refúgio.

A maioria daqueles que lêem suas mensagens é contra todas as denominações e tudo que se diz cristão nos dias de hoje. E isso me deixa meio confusa... Será que essas pessoas são pessoas completamente feridas com as denominações e buscam em você e naquilo que você prega um motivo para atingir aqueles que um dia os atingiram?

Falo isso de mim. Tenho lido o site e ouvido as pregações. Mas não quero fazer de você e da sua palavra uma justificativa para os meus pecados e para as minhas decepções.

Já me decepcionei muito com tudo que se diz de Deus e com pessoas que se dizem Filhas daquele que criou todas as coisas. E com isso, dentro do padrão evangélico, estou desviada. Isso me causa certo desconforto, porque eu quero amar a Deus e fazer o que ele quer que eu faça e manda em sua palavra. Mas já não sei mais o que vem Dele e o que vem de homens.

Confesso que ao ler o seu site e ao ler as cartas de Paulo vejo alguma semelhança. Parece que ouço sua voz e seu jeito quando leio o que Paulo escreve Às igrejas, por isso resolvi te pedir ajuda.

Alguns dizem que eu tenho demônio por causa dos meus problemas psicológicos e minhas atitudes impensadas. Além dos meus pecados, claro.

Estou a dois anos fora da igreja e vivendo a minha vida, fazendo tudo o que eu tenho vontade e tudo o que disseram para mim que era pecado. De fato, eu achava que era e ainda acho. Sempre fui certinha com as doutrinas e com aquilo que diziam que vinha de Deus.

Hoje, eu fumo e gosto de fumar. A única coisa que me faz ter vontade de parar é a culpa que sinto em relação a tudo que aprendi sobre Deus. Fumar me causa certo alívio para as minhas crises e minhas neuroses.

Transo com meu namorado e gosto. Eu o considero o meu primeiro homem. Namoramos há dois anos entre idas e vindas. Mas ele é o meu único parceiro. Isso também me traz culpa. Não quero encontrar nas suas mensagens liberação para tal ato. Leio a bíblia procurando encontrar algo que me fale a respeito disso. E encontro textos que me deixam confusa, como por exemplo: é melhor casar do que viver ardendo em desejo. Ou seja, se eu estou ardendo em desejo é porque não estou transando. Se é melhor casar, sinal que antes do casamento não pode. Ao mesmo tempo, tenho em mente que Deus me fez com esses desejos. É natural do ser humano. Deus te faz com uma vontade que não pode ser saciada?

Enfim, tenho muitas questões acerca do evangelho e acerca daquilo que é puro santo de verdade ou aquilo que é meramente humano.

Minha vida está um caos e confusa com tudo isso.

Aguardo seu retorno.

________________________________

Resposta:


Querida amiga: Graça e Paz!


Você é novinha aqui no site; daí as suas questões serem as de quem começou a ler e ouvir...

De fato, uma leitura do site mesmo [e não de um texto aqui e outro ali] revelará a você que minha defesa é da Igreja contra a “igreja”.

Para poder ser Igreja tive que dizer não à “igreja”. Ou seja: não fiz nada diferente do que Jesus fez; pois, sendo Ele “judeu” viveu fora com os marginalizados pela religião. Seria como se Jesus tivesse sido criado “evangélico”, mas, depois, tivesse saído fisicamente desse meio por ter sido expulso em razão de Sua Palavra, e, ao mesmo tempo, sendo ouvido pelos de fora, conforme aconteceu nos evangelhos.

É culpa de Jesus que os fariseus não tenham querido o Evangelho e as meretrizes sim?

É culpa de Jesus que os saduceus não cressem em ressurreição enquanto Lazaro se erguia da morte?

É culpa de Jesus que as autoridades do templo não cressem na Palavra enquanto o marginal Centurião Romano cria mais do que todo o país junto?

É culpa de Jesus que o endemoninhado de Gadara tenha entendido a Palavra mais rápido do que o Mestre Nicodemos?

É culpa de Jesus que nenhuma mulher famosa de Israel o tenha seguido enquanto a cadelinha siro-fenícia Nele creu para além de toda compreensão?

É culpa de Jesus que o rico tenha andado indiferente para com a vida, enquanto o Lazaro purulento morria e era levado ao seio de Abraão?

É culpa de Jesus que os magos tenham tido iluminação-estrela, mesmo sem Escritura na mão, enquanto os que tinham a Escritura nada fizeram para seguir a profecia que levava até Belém?

É culpa de Jesus que os escribas e entendidos tenham rejeitado a Palavra enquanto os pequeninos a amaram?

É culpa de Jesus que somente os ricos - parias é que tenham a Ele se achegado [como os publicanos], enquanto os demais Dele fugiram?

É culpa de Jesus que a “plebe que nada sabe da Lei” tenha amado a Graça?

É culpa de Jesus que Nazaré [Sua cidade] o tenha rejeitado e que entre pagãos Ele tenha sido acolhido?

Sim! É culpa de Jesus que o Evangelho nos diga exatamente que foi assim?...

Desse modo, o que aqui acontece é que o Evangelho está sendo pregado e a ele se achegam os doentes que precisam de médico...

Ou é minha culpa que o Evangelho esteja sendo crido por quem a “igreja” repudia como doente?

Com relação a ser ou o Caio ou a Igreja, Deus me livre. A questão é outra: Ou é Jesus ou é a “igreja”?!

A Igreja é de Jesus. Já a “igreja” tem milhares de donos!

Quanto a não querer ter em minhas palavras e atos “uma justificativa” para os seus pecados evangélicos, saiba:


1. Você não terá tais justificativas em mim jamais. Ou você pensa que prego que devemos cometer males para que nos venham coisas boas? Não! Você ainda não entendeu nada. Daí seu medo. Você intuiu o cheiro da Verdade de Jesus, mas foi ainda só o cheirinho...

2. Seus pecados podem ser pecados ou “pecados”... — depende apenas de sua consciência em relação a eles. Existem pecados que existem, e existem pecados que só existem para quem assim os considera. Os seus são do tipo que a pessoa considera: são seus...


3. Apenas digo a você que tudo o que não provém de fé é pecado, mesmo quando não é, pois, embora tal coisa seja assim considerada [pecado] pela pessoa, ela a pratica como pecado em sua consciência, e, desse modo, o que não seria pecado passa a ser por ter sido assim considerado...

O mais, eu teria que escrever milhares de páginas de site só para você, pois, tudo o que lhe aflige, aqui no site já foi mais batido do que onda em rocha em dia de ressaca...

Tenha trabalho: leia.

Seu grande problema é outro:

Seu estado psicológico é muito frágil e sua compreensão das coisas está seriamente afetada por esse estado de culpa neurótica, o qual apenas abisma você mais profundamente na própria neurose culposa que a habita.

Você é parte de um grande grupo de crentes que começou a ler o site agora, que pensa que está fazendo parte de algo novo, e que não é mais novo para milhões...

Assim, leia; pois, se seu desejo de saber e praticar é genuíno, então está aí no site para você; mas se não é, se ao invés você quer apenas me ocupar com sua aflição, então, saiba: não posso ajudar; pois, minha ajuda está dada, e é dada todos os dias, à medida em que como grupo de milhões vamos caminhando juntos... Mas quem chega depois tem perguntar enquanto anda... No nosso caso o perguntar deve acontecer depois de ler mesmo, pois, do contrário, é como se eu estivesse colocando o telhado, e, você que chegou agora, desejasse que eu parasse tudo para voltar a cavar na fundação.

Assim, pergunto-lhe: Por que você não vem e vê?

Sobre suas questões, digo: são suas... E você mesma disse que gosta delas mesmo contra você. Ora, se é assim elas já não são questões...

Eu, porém, digo apenas a você o seguinte:

Transar sem amor é pecado. Transar com amor com quem não se deve é pecado. Transar sem consciência é pecado. Transar com amor com quem nos ama e é livre para nos amar é apenas amor. Mas transar sem fé é pecado. Pois, tudo o que não provém de fé é pecado.

Fumar faz mal à saúde e gera dependência psicológica ao vício. Portanto, é uma droga antes de ser qualquer outra coisa...

Leia o link OS REIS DO CHOQUE!

O mais... — é com você!

A melhor ajuda que lhe dou é não lhe dar nenhuma mais além do que lhe disse, pois, sinto que você quer o trabalho mastigado, mas isso é coisa de criança.

Quando perguntaram a Jesus “onde”, Ele apenas disse: “Vem e vê!”.

Mas para vir e ver tem-se que andar, seguir, passar um dia depois do outro, e crescer na percepção pessoal, enquanto se caminha...

Então, é com você...


Nele, que nos chama a Ele mesmo e não a ninguém ou nada mais,



Caio

10/09/07
Manaus
AM

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10/09/2007

No Divã - 27a. História

ATÉ QUANTAS VEZES SE DEVE PERDOAR O MARIDO?


Querido Caio,

Estou para escrever a meses, mas, enfim, acho que não fiz por temor, talvez para não ouvir o que na verdade preciso.

Fui casada por dezenove anos, creio firmemente que um casamento que foi feito por Deus por sua história, até chegarmos ao casamento. Coisas como... esperei em Deus para me relacionar com alguém durante anos desde minha conversão e depois a maneira como as coisas se desenrolaram.

Mas logo após o casamento, enquanto estava grávida de meu primeiro filho, desconfiei que ele estivesse me traindo com uma pessoa amiga e também ovelha.

Bom ele era pastor, recém ordenado.

Quando meu filho nasceu e eu ainda estava na maternidade, quando foi ele me ver essa pessoa estava junto, e ali tive como um clic que realmente algo estava passando... Enfim, após, questioná-lo negou.

Passamos por muitos problemas no ministério e essa pessoa foi desaparecendo da nossa vida até que tudo passou.

Em uma ocasião, alguém da igreja me procurou, dizendo que um líder havia se declarado para uma mulher da liderança e eu que deveria conversar com ele, que deveríamos conversar com essa pessoa...

Então meu marido me confessou que ele havia se declarado a essa pessoa; conversamos, o perdoei e, enfim, a situação se ajeitou.

Alguns tempo depois, para ser precisa, 3 anos depois do nascimento de meu filho, continuávamos no ministério e tínhamos uma relação muito morna...

Eu sempre fui passiva, apaixonada e crédula demais, estando grávida de minha filha, desconfiei que ele estivesse com alguma coisa dentro dele em relação à outra pessoa, e ele me negava, dizia que não... Enfim, essa pessoa se separou inclusive porque seu marido também desconfiou.

Foi um escândalo, mas sem provas e eu acreditei no que me dizia. Ela foi desaparecendo da nossa vida.

Nesse tempo já tínhamos uma boa vida sexual, mas tivemos grandes dificuldades no ministério...

Começamos um ministério novo, mas percebia nele uma pessoa sempre insatisfeita com tudo na vida. Por mais que fossemos bem, dentro dele sempre houve uma insatisfação básica, que existia nele mesmo em relação à vida. Nunca e com nada estava feliz de verdade.

Depois de mais cinco anos ele me confessou que na verdade ele havia me traído naquelas ocasiões, me pediu perdão e eu o perdoei.

Tudo já havia passado há tantos anos, mas disse ele que sabia que precisava confessar para ter paz com Deus e com ele mesmo.

Caio eu o perdoei, sofri muitas dores, mas o fiz de coração e confiava nele como se nada houvesse acontecido. Nunca contei a ninguém, porque o perdoei e acredito na suficiência do sangue de Cristo e ponto.

Vivemos bem, tudo parecia novo, ele resolvido e nosso ministério fluindo, ganhando almas, cuidando de pessoas.

Por minha vez, eu sempre me sentindo por demais reprimida, comecei a desenvolver coisas no ministério, nada que eu tenha abandonado a ele, meus filhos, mas comecei a me deixar ser usada, aceitar alguns convites para ministrar a palavra, coisas esporádicas, mas que me davam prazer. Prazer por fazer o que queria, e também por desenvolver dons que Deus me deu. Mas tudo o que fazia e que dava certo, percebia que o desagradava.

Conversávamos, mas sempre havia uma insatisfação nele, parecia não gostar que eu fizesse o que gostava e que também que acreditava que deveria fazer.

Portava-me em submissão e nunca abandonei nada, tudo completamente lícito. Mas a posição dele quanto ao que pudesse fazer era tão forte que as pessoas de nosso relacionamento percebiam o quanto ele ficava mal quando eu fazia coisas que davam certo, e na realidade, sempre davam certo. Porque sou de Deus e já tinha chamado para o ministério antes de conhecê-lo. Inclusive ele sempre disse que talvez tivesse casado comigo apenas por isso.

Há três anos e meio, ele perdeu alguém da família dele.

A sua história familiar é muito traumática e a pessoa a qual ele perdeu era o seu elo mais forte. Foi criado sem sua mãe.

Daí por diante, percebi muitas mudanças em seu comportamento em todos os sentidos. Na família, na igreja.

Procurei compreender, entendendo que ele estava passando por problemas de perda e vendo que ele não estava sabendo conviver com isso que estava entrando em um processo psicológico de perigo.

Mas o nosso relacionamento foi ficando intolerável, ele foi mudando sua personalidade dentro de casa e de verdade estava tudo muito mal.

Então depois de alguns meses dessa perda o percebi demasiadamente ligado a uma pessoa, casada, que era demasiadamente intima minha; e isso começou a me implicar. E falava com ele, mas ele negava e dizia que eu estava louca e com mania de persegui-lo.

Alguns meses depois essa pessoa se separou.

Então, as coisas pioraram, e isso foi por um ano e meio se enrolando... Ele negava, mudava de comportamento às vezes, e a pessoa sempre íntima minha, amiga, de total confiança mesmo; eu a amava como filha, e era porque se converteu comigo, vi crescer e sempre amiga e companheira. Amiga de meus filhos; enfim, uma pessoa muito querida mesmo.

Fiquei em uma situação que parecia que ia ficar louca, fiz coisas horríveis com ele, falei coisas horríveis, só não surtei por Deus mesmo.

Em outubro do ano passado ele disse que iria se separar de mim e que iria deixar a igreja e perguntou se eu ficaria na igreja...; e eu disse: pra onde eu vou? Sendo que dediquei a minha vida a família e ao ministério.

Em Dezembro ele me deixou. Em Janeiro deixou a igreja e em fevereiro descobri que ele estava já morando com a pessoa em questão. Em março ele começou a me procurar dizendo ter se arrependido, mas mesmo assim quis me separar judicialmente; e fizemos; mas ele sempre dizendo querer restaurar o casamento, que me amava, amava a família e coisa e tal.

Fizemos várias tentativas, mas quando voltava, ficava tremendamente perturbado e nessas horas dizia voltar só pelos filhos e que ele tinha que tentar ser feliz. Quando voltava, dizia que voltava por mim e que me amava.

Olha passei maus momentos com esse vai e vem. Porque ele rompia com a pessoa e depois a chamava de volta, estava com ela queria voltar pra mim. Sem me dar paz.

Todo o seu plano de vida com a pessoa se frustrou, não moram mais juntos e também não sei como está na verdade o seu relacionamento.

Esse tempo em que ficávamos juntos foi muito bom, porque pudemos nos redescobrir de verdade, ficamos mais amigos, ele confessou tudo pra mim, tivemos dias maravilhosos mesmo, muito carinho, uma vida nova.

Eu acredito ter perdoado a ele, a ela também.

No que ele pode tem me ajudado financeiramente, não tenho problemas com ele em relação a isso, sei que ele faz o que está a seu alcance.

Da última vez que ele foi embora, ele foi dizendo que ele iria se consertar, que iria buscar o que realmente ele queria; mas que ele voltaria para ser só meu.

Bom, algumas vezes que temos conversado, ele me diz que me ama, embora eu não consiga entender.

Sempre conversamos, estamos morando em cidades diferentes. Ele não está feliz.

Pastor, tenho sofrido muito, muito e muito; tenho dores na minha alma que são inacreditáveis; estou decidida a seguir a minha vida; mas tenho que confessar que o amo e também o compreendo em muitas coisas, embora o cara tenha caprichado em desamor para comigo, com os filhos e com a igreja.

Fiz mudanças drásticas na minha vida: não estou mais no ministério; estou em período de cura, sozinha e começando de novo; trabalhando pra me manter, porque é claro com a pensão apenas nós não sobrevivemos.

Quanto à igreja, eu saí de lá, acho que nem preciso dizer que me deixaram pra lá; afinal, eu sou apenas uma mulher com dois filhos e traída... — não era nada.

Mas relevei isso, perdoei e estou aqui querendo viver de novo.

Abro o meu coração, pois tenho crises comigo mesmo. Às vezes não sei no que pensar, no que crer é tudo muito difícil pra mim.

Sei de verdade que cometi erros, mas também sei que somente esses não seriam o suficiente para todo o acontecimento.

De verdade acredito no amor de Deus, sou firmada na graça. Mas me pergunto no que devo crer, o eu devo seguir, sendo que acredito no que Jesus disse, que o que Deus uniu o homem não separa.

Sei que apenas estar lá na frente de um pastor não faz o casamento, mas tenho história, umbigo e tudo mais.

Conheço sua posição teológica sobre o repúdio.

Em Cristo

Obrigada
_________________________________________

Resposta:


Amada amiga: Graça e Paz!


Li sua narrativa com todo carinho e atenção, embora, ao final, não tenha conseguido saber se você apenas queria me contar para desabafar ou se desejava alguma opinião minha.

Eu não tenho “posição teológica” sobre o “repúdio”, pois, o “Repúdio” morreu na Cruz, com todas as demais leis que supostamente salvariam o homem, ficando não mais a Lei das leis para o homem, mas a Lei do amor no homem; o que nos faz dizer com Paulo que todas as coisas agora nos são lícitas desde que sejam verdade; e, portanto, carregam a força vital do que edifica e convém.

Assim, sem pergunta sua, mas vendo na sua dor a sua questão, digo o que penso, pois, do contrário, por que você me escreveria?

Você é uma mulher de coração e de fibra. Ama o amor. Ama os que você ama. Ama com responsabilidade e com coração misericordioso. Ama por saber que o amor é o caminho de Deus. Ama! Por isso, perdoa! E deve perdoar sempre; pois, o mandamento não é apenas para “mandar”, mas sim porque pela obediência ao mandado por Deus vem a vida; posto que todo mandamento de Deus é vida; e contra ele não há vida para nós.

Entretanto...

Vejo que seu amor está tomado da justiça de quem perdoa sempre!

Ora, quando o amor vira a justiça de quem ama, e quando essa é uma justiça inconsciente, a pessoa vai ficando sempre viciada no perdão como meio de afirmação; e, assim, o amor adoece...

É o amor como proteção; é o amor como justiça; é o amor como virtude; é o amor como poder; é amor como direito; é o amor como vontade de ir além do amor sadio e que se estabelece como amor pelo amor.

Ora, o amor é proteção; é justiça; é virtude; é poder; é vida; mas não é direito; e não é nunca algo que se faz mais por nós do que pelo outro.

Sinceramente: se ele arrepender-se de coração de todos os erros e pecados para trás, e se amar você mesmo, e desejar continuar... — creio que sempre vale a pena tentar.

A questão é: você o ama de modo sadio, ou o ama pela necessidade, como parece ser o caso dele?

Sim! Porque quando ele perguntou se você ficaria com a “igreja”, você disse: “Para onde irei?” E completou na carta dizendo que depois de tanto investimento no ministério e na família você não iria jogar a vida fora... — e, assim, continuaria...

Portanto, se para você que nunca dependeu diretamente do ministério a permanência nele se estabeleceu como necessidade, que dizer de seu marido pastor, que só viveu do ministério?

Ou não foi ele quem disse que só ficou com você em razão do ministério?

Desse modo, tudo na vida de um casal com o histórico de vocês, fica comprometido; pois, nesse caso, não se sabe nunca muito bem se os “retornos” são por vocês dois, ou se acontecem em razão de necessidades práticas, as quais, sempre são tratadas como amor, sendo que elas não passam de necessidades...

Perdão é algo que se deve sempre como amor e graça [é mandamento], mesmo quando por amor se perdoa aquele a quem não se ama mais como marido ou companheiro.

Perdão vem do Amor, e casamento vem do amor. O Amor é maior que o amor [leia: O SANGUE DE TUDO QUE SEJA AMOR É UM SÓ]; pois, o amor conjugal cabe no Amor, mas não o é em sua plenitude não passional; posto que o amor conjugal demanda certas trocas relacionais que o Amor sem conjugalidade não demanda de ninguém.

Ou seja: no Amor não há condicionalidades relacionais, mas no amor conjugal tais condições precisam existir; do contrário não será amor, mas apenas doença e dependência.

Assim, o homem que é o pai de seus filhos precisa ser perdoado sempre como homem; e o seu marido do mesmo modo, como homem; mas o homem que é seu marido, como seu marido, pode ser perdoado e devidamente dispensado do papel conjugal; e, mesmo assim, ser amado em Amor e perdoado conforme Jesus mandou; e, ainda assim, não ser mais para você o marido que sempre que disser “eu quero”, você tenha de querer também.

Ou seja: todo casamento que não casou, apesar de ter gerado filhos, não se sustentando em razão de si mesmo apenas [sem que “se recorra a razões” para se estar juntos], não tem porque ser sustentado se não se sustenta por si só. Pois, fazer com que o que não é tente ser, é como fazer de si mesmo quem não se é; e, assim, impor sobre a vida o que vida não é.

Assim, apenas pergunto:

Você ama mesmo esse homem ou apenas já se sente velha e cansada para ficar só?

Sim! Porque pode ser que seja isso. Todavia, se for isso, saiba: você se amargurará terrivelmente e envelhecerá como um fel...

Assim, não pense na Lei do Repúdio, mas sim na Lei do Amor; e, desse modo, pergunte:

Não fora o fato de que tenho história e umbigo com ele; hoje, livre, sem nada além de nossa história, eu ficaria com ele?

Se você disser que “sim”, então vá...

Se disser que “não”, então pare e diga a si mesma: Chega de engano!

No segundo caso, seja amiga dele se tal amizade não lhe fizer mal...

Caso contrário: facilite a vida dele com os filhos, mas não se meta em nada e fique longe...

Pessoalmente acho que ele tem em você um porto seguro; um porto de perdão; e, além disso, vejo que ele tem em você a mãe que acolhe sempre; posto que ele é um meninão bobo e dês-crescido emocionalmente.

Você quer ser a mãe dele?

Você quer ser a sacerdotisa dele?

Além disso, pense nos seus auto-enganos:

1. Todos esses perdões públicos e ministeriais não são também afirmações de sua superioridade sobre ele?

2. Aquele amor pelo ministério não terá também sido um modo de se afirmar sobre ele?


3. Não estará você já acostumada a ser a “vencedora” em tais embates?

4. Seu perdão não seria meio de vitória?


5. Seu amor não seria também a sua própria justiça nesse caso?


Assim, pouco importa minha posição “teológica sobre o repudio”; pois, de nada importa o que já não tem importância. De fato, o que importa mesmo é a sua posição verdadeira sobre o que você sente pelo seu marido e se isso justifica o amor ou apenas firma a doença relacional de vocês. Portanto, eu é que desejo saber a sua posição sobre a vida, e não sobre o Repudio da Lei de Moisés.

Pense! Ore! E responda!

Com todo carinho e com toda a vontade de que minha carta lhe faça algum bem, despeço-me Naquele que de ninguém se dês-pede,


Caio

09/09/07
Manaus
AM

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09/09/2007

O HOMEM CAMINHOFÓBICO

O HOMEM CAMINHOFÓBICO

“... e este viver que agora tenho na carne, tenho-o pela fé no Filho de Deus, que me amou, e a Si mesmo se entregou por mim”.

Houve um viver-existir na carne para Paulo. E, sinceramente, Paulo deve ter sido um sujeitinho insuportável antes de encontrar Aquele que Vive.

Sim! Seu surto era tamanho que ele julgava poder ser a severidade de Deus encarnada em ódio e perseguição a todos os que eram do Caminho.

Saulo, se islâmico fosse hoje, não teria deixado espaço para o Bin Laden ser o “Bin Laden”. Com certeza teríamos o Bin Saulo. Esse era o nível da loucura.

“Respirava ameaças...” contra os do Caminho.

A expressão que Lucas usa em Atos a fim de descrever o estado de espírito de Paulo, ainda Saulo, em relação ao Caminho, era a de uma besta raivosa e faminta desejando tragar discípulos.

Ele andava resfolegante de ódio seduzido por algo que ele odiava por pavor de amar.

Por isso queria eliminar aquele fascínio que, por exemplo, corrompera seu primo Barnabé, que vendera uma propriedade e doara os recursos para as necessidades dos do Caminho.

Há quem ache que a conversão de Barnabé pode ter sido o que faltava para fazer de Saulo o pitbul caminhofóbico no qual ele se tornara.

Entretanto, a descrição que ele faz de si mesmo, dizendo que se haviam razões para alguém se gloriar na carne, ele as tinha de sobra: hebreu de hebreus, da tribo de Benjamin, fariseu por escolha de radicalidade, e perseguidor da Igreja de Deus com os ânimos de um campeão da verdade tateando cego em seu ódio apaixonado — revelam seu espírito e sua vida na carne antes de Jesus nele.

Quem odeia demais está pra se entregar!

Disse ele:

“Transbordou a Graça”, como uma represa arrebentada... — disse ele escrevendo a Tito.

“De Trevas houve luz!” — contou ele aos discípulos em Corinto o significado de “início do mundo” que sua conversão carregava para ele. Antes sem forma e vazio de amor. Então Deus diz: “Haja Luz”. E houve Paulo!

“Fui arrancado em trauma, como um nascido fora de tempo” — conta ele numa outra ocasião aos de Corinto também.

Um viver... Saulo.

Outro viver... Paulo.

De perseguidor a perseguido...

De inquisidor a inquirido...

De fariseu a discípulo da Graça...

De etnicista a um vira-lata do amor por todos os homens...

De seguidor da Lei da morte em caminhante na Lei do Amor...

De total justiça-própria à absoluta dependência e confiança na justiça da Cruz...

De blasfemador oficial contra o Caminho a sacrifício vivo e agradável a Deus enquanto sofria com os que antes matava...

De fera faminta, acuada e raivosa..., em homem despojado e que se entregava aos homens em amor.

Saulo era o homem possível... — sendo o que era.

Paulo se tornou o homem impossível... — tornando-se quem se tornou.

Sim! Quem imaginaria tal coisa?

Imagine. Pense na pessoa mais hostil à Graça de Deus e ao Caminho do Evangelho que você conhece. Pensou? Pode vê-lo (a) pregando a Graça com mais intensidade de amor do que você o vê hoje em intensidade de ódio?

Muitos nomes vieram à sua mente?

Agora imagine os ser mais impossível... Sim! impossível por ser possível demais como ente existente — existe de modo insuportável para muitos; porém, inegável.

Imaginou?

Ora, tal pessoa é ainda o gandula da arena na qual Saulo era a fera de tudo e todos!

Jesus escolheu o pior... o impossível.

Saulo era possível como Saulo, mas como Paulo ele era uma total impossibilidade para a imaginação de todos — por isso, os judeus amigos de antes o perseguiam, e os discípulos antes por ele perseguidos nele não criam.

“Eu vou mostrar a você o quanto importa sofrer pelo meu nome!” — disse Jesus a ele.

Um viver... Outro viver...

Agora... — descrido, oprimido aonde ia, seguido por cães raivosos, molestado pelos que se dedicavam à causa da fimose [circuncisão] como salvação, traído muitas vezes, desconhecido, ignorado, e desprezado; enquanto as ações dos que sobre ele incidiam declaravam a ele, pelo ódio, o mesmo tipo de angustia que antes o habitava.

Agora... — de campeão da lei se torna o “supremo transgressor” dela, não porque a transgredisse, mas porque dela não precisava para mais nada, pois, descobrira que somente o amor cumpre a lei sem justiça-própria.

Agora... — nada mais lhe interessa além do Evangelho de Deus que lhe fora confiado como bom deposito a ser aberto em todas as cidades, guetos e praças do mundo... E distribuído de Graça.

Agora... — quanto mais serve, mais acidentes lhe acontecem..., mas ele nunca pára. Por amor a Jesus nem “deus”, nem o “destino”, nem a “ira”, e nem a “justiça divina” o param em nada — pois, para ele, todo acidente era desígnio de Jesus: um novo lugar para o “Boy de Deus” levar recado de amor aos homens, como aos maravilhosos “bárbaros” de Malta.

Sim! É o tal viver que agora ele tem na carne, no corpo, no ser que se movia ante a percepção geral, que o põe adiante contra todo desprezo, perseguição, indiferença, traições, e ataques de morte, dos homens e do diabo.

Ele simplifica: “... esse viver... vivo-o pela fé no Filho de Deus que me amou...”

É vida movida a amor!

Sim! Amor — o único combustível existencial que não polui..., antes limpa a alma de seus lixos de ódio e indiferença!

Sim! Esse é o milagre do Evangelho!

Foi assim... e é assim que é o Caminho do Evangelho entre os homens!

Todavia, o mais difícil de tudo não é fazer de Saulo um Paulo. Não! O difícil é ver os “discípulos religiosos” de Paulo converterem-se à Graça pela e na qual Paulo viveu.

Ora, pouca coisa pode ser mais irônica do ver pessoas, em nome das doutrinas baseadas em Paulo, perseguindo gente, qualquer gente; e muito especialmente aqueles que seriam os caminhantes ao lado do apóstolo se entre nós ele andasse hoje.

Mas não adianta... Sem a Luz todo fariseu sincero é [na melhor versão] um pitbul raivoso.

O novo viver na carne só é possível em amor pelo Filho de Deus que nos amou. Sim! Esse novo viver só viaja de amor a amor: do Dele por mim, que vai de mim para Ele, e que Dele volta-se para a mim como amor Dele em mim por todos os outros filhos dos homens.

Ironia a de quem disse: “Eu vou mostrar a você o quanto importa sofrer pelo meu nome!”

Sim! Porque o Saulo que é o Nero dos discípulos irá mais tarde morrer sob Nero por ser um dos do Caminho.

Assim foi com Paulo e assim é com todos os que Nele queiram ter essa nova vida e seu poder de ser.

Pense nisso!


Caio

08/09/07
Manaus
AM

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07/09/2007

No Divã - 26a. História

VIVO ABRASADO E NÃO ME SEGURO

-----Original Message----- From:
Vivo abrasado e não me seguro
To: contato@caiofabio.com
Subject: Será que estou pecando?

Mensagem:

Graça e paz da parte de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo!

Querido Caio!

Há muito tenho me apropriado de suas palavras como pregador, e também vivido na confiança plena da graça de Cristo.
No entanto, há algum tempo não consigo ter paz comigo mesmo pelo fato de ser pregador também, ex seminarista, e não conseguir plena santificação em minha vida sexual. Não digo sentimental, pois a esta área não podemos imputar pecado.
Mas em minha vida sexual há fraquezas das quais não consigo me libertar. Em todos os meus relacionamentos tenho pecado contra Deus justamente na área sexual. Arrependo-me sempre, porém, não consigo me libertar. Toda esta situação nunca atrapalhou meu ministério, mas sim minha vida pessoal com Deus. Muitas das vezes eu me envolvi sexualmente com uma namorada por amor e não apenas por prazer, mas até mesmo isto me deixa com sentimento terrível de culpa e me sinto morto por dentro.
Tudo que eu gostaria é saber se todas as vezes que transei por AMOR eu pequei, e se estou fadado a viver dia após dia lutando arduamente contra minha natureza.
Espero sua resposta, em Cristo.
Preciso muito!!!
Beijo.
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Resposta:
Meu amado irmão: Paz! Sobre imputar o não pecado, não é meu departamento.
Somente Deus pode imputar pecado, conforme o Salmo 32 e Paulo em Romanos 3.
Portanto, me deterei apenas a uma questão “prática”: você é adulto, solteiro, não é casado, e não se segura. Certo?
Paulo tem sido muito mal compreendido quando disse que é “melhor casar do que viver abrasado”. Soa como se ele tivesse dito: dos males o menor. Ou ainda: resolva seu problema de desejo sexual contratando uma esposa. De fato, no meio cristão, como o assunto é tabu e a “coceira” é inegável—e o peso da culpa pelo ato é imposta como gravíssima—, a maioria casa mal, apenas a fim de resolver um “problema”.
Nesse caso o sexo é visto como problema.
Então, para se resolver tal problema, muitas vezes contrai-se um problema maior: um casamento-fraterno, com uma irmã amada, de cujo casamento nascem filhos considerados “santos”, enquanto o casal, muitas vezes, não sabe por que mesmo sendo ambos cristãos e se amando fraternalmente, não conseguem ter real prazer no casamento.
Aí, então, no dia que ele ou ela “provam” outro fruto, enlouquecem; pois descobrem que a “alegria” de fato era muito maior e incomparável.
O que Paulo está dizendo é simples: o ser humano, a menos que tenha uma vocação celibatária, sente, naturalmente, necessidades não só afetivas, mas de sexo mesmo. E quem inventou isso não foi o diabo. A natureza toda é assim. Chega uma hora em que o macho quer procriar, possuir, dominar; e a fêmea quer parir. Entre os humanos—que também são animais; negar isto é loucura!—, a complexidade é muito maior. Além de todos os estímulos hormonais, há ainda as necessidades de natureza emocional e afetiva—sem falar na “propaganda”, que é poderosa.
Ora, quando um homem passa de certa idade—se ele não tiver a dita “vocação”, ou alguma disfunção sexual—, ele terá “fome”. E mais: a necessidade se instala como quem precisa comer. Passa a ser algo de demanda essencial.
Portanto, o que Paulo estava fazendo era ser absolutamente “realista”. Ele não conseguia maquiar a realidade. Sabia o que era a natureza humana. E julgava-a pela dele próprio, conforme Romanos 7. Há um lado de toda essa história que pode virar doença pelo excesso. E há outro lado que se não se manifestar como natural, virará doença também, só que pela via da supressão. Ou seja: a sexualidade tem que se expressar, e modo mais natural em seres adultos é pelo sexo, não pela comida, pela bebida, pela vigília de oração, nem pela pregação, nem pelo amor aos pais.
Assim, constatando a “realidade” Paulo diz o seguinte:

1. A realidade é inegável, e não se pode fazer de conta que ela não existe.

2. Não tratar a realidade como realidade, e os fatos intrínsecos, e naturais como eles de fato são; levará o indivíduo ou à supressão danosa para a alma—à menos que esse seja o “chamado”—, ou o conduzirá para a dissolução, pelo excesso.

3. Daí, o equilíbrio, para Paulo, ser o casamento; onde desejo, afeto, amizade e fraternidade devem se encontrar a fim de realizar a conjugalidade em plenitude.

Não há plena conjugalidade sem que todas essas dimensões estejam envolvidas. Um casamento que seja só desejo, virará “lua de fel”, pura doença. Se for só amizade, não produzirá as alegrias do desejo. Se for só fraternidade, gerará um vinculo sacerdotal, solidário, porém sem os elementos lúdicos e sem a animalidade que é pertinente à também a realidade, e à condição dos humanos. Enfim, tem que haver tudo isto para poder ser bom. E o que amarra isso tudo é o amor. Ora, quanto às formas de casamento, não falarei aqui. Já falei. Você pode ler em Cartas, na resposta “O que você pensa sobre sexo antes do casamento?” Leia lá, assim, eu não serei repetitivo com os demais.
O casamento, portanto, deve ter tais conteúdos. Em havendo, então, fica valendo para sempre o que Paulo disse: É melhor casar—ter um vínculo dessa qualidade—, que viver abrasado. O abrasamento não é algo contra o que se deva estabelecer uma “competição”, do tipo: deixa ver até onde suporto essa barra. Ninguém consegue sair ganhando. Isso mesmo quando “evita” o ato; pois, de qualquer modo, ainda assim está “perdendo”. Na resposta que lhe sugeri ler estão as respostas para as suas outras questões.
Um beijão, Caio

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A fim de facilitar a sua vida estou transcrevendo o texto que mencionei acima.
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From: Ednaldo Sent: segunda-feira, 6 de outubro de 2003
To: contato@caiofabio.com
Subject: Sexo antes do casamento, o que o senhor acha?

Mensagem:
Em meu grupo de discussões existe uma grande polemica com relação a sabermos se é ou não pecado o sexo antes do casamento. Até hoje, o que ouvimos na verdade são apenas conjecturas sobre a Bíblia, mas nós não conseguimos ainda alguma base bíblica para afirmarmos que é pecado. Não estamos com esta pergunta querendo contrariar os princípios que nos foram ensinados, mas gostaríamos de saber se o senhor poderia nos esclarecer esta duvida. Já antecipadamente estamos gratos pela sua atenção e generosidade em responder-nos. Fique na paz do Senhor!!

Resposta:
Amados irmãos do Grupo: Se formos olhar na Bíblia esse “assunto”—conforme estudado por vocês—descobriremos que ele não tem nenhuma relevância.
Na Bíblia o casamento era algo simples, familiar, singelo, e não carregava regulamentações além da do pacto entre as partes. Houve uma “evolução sociológica” na instituição do casamento na Bíblia. Mas os “valores agregados” sempre foram tratados como “humanos”. Adão e Eva não estavam menos casados por não terem tido “testemunhas humanas” para a cerimônia, que naquele caso foi apenas um belo e surpreso: “Uau! Essa Sim!” Isaque e Rebeca nem esperaram o jantar. Quando Isaque a viu no campo, sendo trazida pelo servo de seu pai, correu ao encontro de ambos, tomou a Rebeca sobre sua montaria, e a levou direto para a “tenda de sua mãe” e a “possuiu”. Esse casamento que a gente tem hoje—com todos esses ritos, pompas, etc...—, é uma projeção dos plebeus acerca do casamento dos nobres. É uma festa de príncipe e princesa, com trombeta, véu, grinalda, entrada triunfal, testemunhas, pagens, corais, e a “corte” assistindo. Nos dias de Jesus o casamento era algo familiar. E o “documento” de casamento não era dado para que se casasse—isso era feito pelo testemunho dos pares na presença dos familiares. Só havia “documento escrito” para a Carta de Repúdio—no caso do marido não querer mais a mulher—, ou no Divórcio—no caso de que alguém, quase sempre a mulher, ser “expulso” da relação como adúltero. Assim, a documentação documentava apenas a separação, não a união. A união tinha o testemunho da vida, do amor e dos parentes, que consentiam com o casamento, que era solenemente informal. Quanto ao sexo, tenho a dizer o seguinte: Sexo sempre é pecado e nunca é pecado. Sexo não é nada e é tudo. O que faz do sexo pecado ou algo santificado, são os seus praticantes. Desse modo, quando há amor, nunca há sexo antes do casamento. Quando há amor o sexo é o casamento. Se há “casamento” mas não há amor, o sexo é pecado. Portanto, sexo “antes” do casamento é sexo onde dois transam sem amor. Mas sexo sem amor durante o “casamento” é pecado também. O pecado é sexo sem casamento. E casamento não é algo que aconteça de fora para dentro. Só acontece de dentro para fora. É como tudo mais que tem valor para Deus: procede do coração. O “casamento” é como o “batismo”—um símbolo visível de uma realidade invisível, e que o precede como símbolo a fim de que seja verdadeiro. “Batizar-se” sem que já se tenha sido antes batizado pela “fé em Cristo”, é um rito sem sentido—pura e boba religião! “Casar-se” sem casamento é a mesma coisa. Diante de Deus é tudo igual. Para os homens é que não é pecado alguém se batizar na “igreja” sem ter sido batizado no Espírito, num ato invisível e particular. O casamento, todavia, recebeu esse estigma da religião. Eu, todavia, creio sempre naquilo que é. E acho que o valor do que se faz como simbolização exterior, sempre tem que ser precedido por uma verdade interior. Assim, sexo não é nada, e é tudo. Depende de quem o faz, de como o faz e de com que atitude o faz. Sem amor nada disso me aproveitará. Inclusive transar! A impureza à qual a Bíblia se refere não é apenas a promiscuidade sexual. Pode ser também o “uso” sexual sem amor, ou por interesse, mesmo entre “casais-casados”, e que praticam sexo sem amor. Nesse caso, o homem “comparece com a patroa” e a mulher dá ao homem “o que lhe é de direito”. Em razão disso é que há muita prostituição dentro de “casamentos”. Mulheres que não amam, que sentem até nojo de seus “maridos”, mas que “dão” pra eles por causa da grana, da estabilidade, etc... E maridos que “comparecem” ou apenas “usam” a mulher, apenas para ter onde “aliviar” a pressão. E o “preço” é a estabilidade que um dá ao outro. Sem falar que em muitos casos ambos tem seus “casos paralelos”. É por isso que muitas meretrizes nos precedem no Reino de Deus. Elas, pelo menos, não chamam de “casamento” o negócio da esquina, e vão logo dizendo quanto custa e que tempo vai durar. A Bíblia fala muito da dissolução. Ora, a dissolução sexual não faz mal a Deus. Deus não cresce e nem diminui com nada do que eu faço ou deixo de fazer com minha vida, muito menos com meus órgãos genitais. A dissolução é pecado apenas porque faz mal ao homem. Dilui o ser. Tira a essência, a solução interior. Daí ser dis-solução. E esse mal acomete a quem o pratica. Deus não fica menor. E que mal é esse que a dissolução produz? Ora, ela deixa o seu diluído, pastoso, impossibilitado de experimentar qualquer forma de amor denso. Daí o dissoluto não conseguir amar e nem tampouco ser fiel a ninguém. Sem falar que a proliferação de experiências sexuais não deixa ninguém experiente para a vida, para o vínculo, para o relacionamento. Apenas deixa o individuo com “mil memórias” para comparar; e, assim, aumenta sua insatisfação com um único parceiro, visto que ele está sempre sendo remetido para as fantasias de outros tempos. Sei que pra uns sou avançado demais. Pra outros sou careta demais. E eu, o que penso? Bem, eu não estou nem aí! Sei que o que digo é verdade, conforme o Espírito da Palavra e de acordo com o que Jesus ensinou como sendo verdadeiro diante de Deus.

Nele,

Caio

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-----Original Message-----
From: Sexo antes do casamento, pode ou não?
Sent: quarta-feira, 8 de outubro de 2003 20:16
To: contato@caiofabio.com
Subject: Contato do Site

Mensagem:
oi, pastor! li a mensagem em que o sr fala a respeito de sexo antes do casamento, e confesso, era quase tudo o que eu já desconfiava... se amo o meu noivo e não consigo ficar longe por que dói demais... se não temos condições de nos casarmos agora... se não somos infiéis e procuramos ter vidas saudáveis e próximas de Deus... acabamos com um espinho na carne, um martírio que parece não ter fim... já pensamos em nos casar mesmo sem possibilidades, em viver de forma desconfortável demais só para não estar mais em pecado, mas pensei que se a graça me basta, de nada vai resolver criar problemas que podem ser maiores que o atual... se o Senhor pode me perdoar, mas às vezes entristece saber que estou pedindo perdão de um pecado que não passa, como os pecados daqueles que têm uma vida nova em Cristo. Em minha vida muita coisa melhorou depois da conversão, mas a relação com o sexo só trás martírio porque é uma necessidade que não passa e nem quero que passe, pois quero um casamento feliz, ativo. Mas e até lá, como vou viver, sempre sofrendo? há tempos procuro o que esse grupo procura, algo que prove que realmente preciso sofrer a dor do pecado constante ou a dor terrível da abstinência (desisti de tentar resistir, peço que Deus me dê forças, mas às vezes as coisas apertam e não consigo nem clamar por socorro, e aí, acontece de novo...) mas na Bíblia não encontrei referências, nos livros, não encontrei algo que me convencesse... sua explanação foi a melhor, mas confesso que fiquei com uma confusão renovada... E afinal de contas, o sexo é tudo ou é nada? Eu preciso do casamento secular para ter liberdade com o homem que amo? Tenho tantas dúvidas que nem consigo formular, mas no resumo, só quero ter paz e liberdade com Deus, quero adorá-lo todos os dias, sem vergonha dos impulsos do meu corpo e da minha mente, sabendo que de fato nada vai me separar do amor de Deus. Sei que seu tempo é curto e minha ânsia é real, se puder me responder daí do alto de sua sabedoria, ficarei muito grata!
Que Deus te abençoe sempre!
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Resposta:
O sexo é tudo, quando há amor. E nada sem amor. O resto, quando duas pessoas se amam, e vão se casar, é questão de consciência. Cada um tem a sua. Eu não vou dizer: Vão lá e transem. Tudo o que não provém de fé, é pecado. Não pela coisa em si, mas pela pratica sem o endosso da consciência, que é a paz da fé. Eu não teria problemas. Mas eu só falo de mim. Tem gente que faz distinção entre dia e dia, entre comida e comida. Pra mim todos os dias são iguais, e pela ação de Graça todos os alimentos são santificados. Desculpe, é só o que posso lhe dizer. O que passar disso, depois da resposta tão clara que eu dei, é não querer assumir a responsabilidade mínima de decidir. Aí seria um triangulo pouco sadio. Pecado é o que Deus imputa. E sem fé nada agrada a Deus. E a fé tem que ser sua, não a minha. Alguém já me viu fazendo perguntas de dúvidas pessoais? Eu creio, e vivo com as conseqüências, e nunca peço a cumplicidade de ninguém. Gente grande assume o que faz. E só faz se for na fé.

Nele,

Caio

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06/09/2007

AMAR É SOFRER?

----- Original Message -----
From: AMAR É SOFRER?
To: contato@caiofabio.com.br
Sent: Sunday, September 02, 2007 14:51
Subject: Sobre seu texto sobre amor

Link: O SANGUE DE TUDO QUE SEJA AMOR É UM SÓ

Olhe só:

"....O amor é capaz de suportar toda dor e não deixar de ser benigno.... O amor nunca busca primeiro os seus próprios interesses... O amor é forte, por isso, tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta... O amor jamais acaba..."

Não seria por isso que se diz que "amar é sofrer"?

Ainda que seja um sentimento maravilhoso, nem por isso é necessariamente uma fonte de felicidade.

POR EXEMPLO: a mãe sofreria NADA se não amasse o filho bandido que seqüestrou, matou e está preso. Mas ela não consegue deixar de amar.
Você está sofrendo porque ama seu pai. E sofre ao ver que sua mãe sofre. Não há como se livrar disso. Você não pode nem escolher não amá-los para não sofrer.
Existem mil outros exemplos. No casamento então, nem se fala! Há pessoas que não fazem seu cônjuge feliz, mas é impossível se livrar delas por causa do amor (por serem um pedaço do próprio coração, sei lá.).

Querido Caio:

Você concorda que "amar é sofrer"?

Cristina Faraon
_______________________________________________
Resposta:

Querida Cristina: Graça e Paz!

Felicidade não é Facilidade!

Por isso, do ponto de vista de Jesus, os Bem-aventurados são... — os humildes, os que choram, os mansos, os que buscam justiça, os puros de mente, os que vivem pela paz, e todos os que são perseguidos por fazerem e serem como Jesus e os profetas.

Facilidade tem sido confundida com Felicidade por que as pessoas julgam o sucesso pelo Destino mensurável e não pelo Caminho imensurável.
Por isto, Destino é um deus na Bíblia; um deus pagão.
Jesus não é Destino, Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida; e o destino é o Pai, acerca de Quem Ele diz: “...ninguém Vem ao Pai se não por mim”.

Assim, o Alfa e o Omega não somam para criar o Destino, mas sim o ser; posto que o destino do Caminho em Jesus é nos chamar para Deus em nós; assim como Ele disse que o Pai-destino, estava Nele [...vem ao Pai...]; o que faz com que o destino seja a jornada, seja o Caminho, já que o Alvo nos habita.

Portanto, a Felicidade não está na Facilidade do Caminho, mas sim na alegria de provar cada momento dá viagem com a língua do amor; e não temer nada que nos venha, pois, tudo faz parte do caminho no Caminho; e, assim, tudo é felicidade, é bem-aventurança; posto que o que faz feliz é amar cada momento no dia chamado Hoje, e, em cada um deles ver o significado que o amor dá a tudo.
Quem não ama nunca chora, mas também nunca vive.
Quem não sofre nunca ama, e, assim, nunca vive.
Pois o amor sofre a dor como amor, e o amor tudo sofre apenas porque tudo o que sofre não o sofre como quem perde; pois, o amor nunca perde nada; nem quando não ganha nada; sendo que esta última possibilidade é impossível de acontecer.
Depois, o que é sofrer? Por que sofrer é tão ruim assim?
“É assim mesmo, meu filho!” — disse papai tentando engolir sem conseguir. E todas as vezes que você fala no amor de Deus no ouvido dele ele ri de alegria...
Todas as pessoas felizes que já conheci agiam do mesmo modo; e agiam porque viam do mesmo modo — elas mudam tudo o que é mutável conforme o amor; elas resistem pacificamente a tudo o que é contra o amor; e elas se contentam apesar de tudo, com tudo o que lhes venha, sem que com isto jamais deixem de mudar ou de processar cada coisa que seja mutável ou processável; e o que não cabe em nenhuma dessas duas perspectivas, elas jogam fora como lixo. E seguem...
É um prazer sofre com meu pai, minha mãe, meus filhos, meus amigos e todo ser humano!
Seria isto uma espécie de piedoso masoquismo?
Certamente não, pois, podendo evitar a dor eu a evito. Mas a dor inevitável, sendo vista como o outro lado da benção do sentir, é apenas uma dor. Dor sem moral e sem filosofia dói muito menos; e até pára de doer.
Sim! É apenas uma dor; e que vai adoçando o coração; a tal ponto que ela se torna um sentir calmo e sereno; afinal, emoções são naturais; e, além disso, sofrer nem sempre dói; e chorar menos ainda; visto que o que dói mesmo é não amar. Esse sim é o grande sofrimento e a grande angustia humana!
O amor todo sofre, porque tudo crê; e tudo suporta porque tudo sofre crendo. Por isso, também jamais acaba, jamais se acaba, e jamais acabou com ninguém. Ao contrário, sem ele não há vida.
Assim é o amor. Assim é a vida. Qualquer outra coisa nem mesmo os vegetais conhecem, porque as plantas também sentem quem ama e quem não ama.

Nele, que ensina que o verdadeiro destino é o Caminho, a Verdade e a Vida [no Pai-Nele em nós],

Caio
02/09/07
Manaus/AM

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O DISCÍPULO SURTADO

O pior discípulo é aquele que pensa que já sabe. Ele aprendeu algumas coisas. Já viu outras. Já até foi “usado”. Então, pensa que sabe. Então, repreende o mestre, diz que ele está pessimista, ou pergunta se é para matar ou deixar viver — conforme os muitos exemplos vindos dos evangelhos.

Pensar que se sabe é um problema, pois, pára o crescimento...

Assim, é fácil saber os conteúdos, as idéias, os raciocínios, as palavras, o conjunto de pensamentos, o sentido, o conceito.

Mas nada disso é ainda nada até que o caminho os chame de idéias, de pensamentos, e de conceitos, à dimensão de respostas na vida.

Pedro pensou que sabia e que podia, até que Satanás o peneirou como se faz ao trigo.

João já ouvira e até repetira muito sobre amor ao próximo, mas depois que ele quis descer fogo do céu sobre os samaritanos, foi que pelo não-amor ele viu o quão longe estava de ser um discípulo do amor de Jesus.

E o caminho o levou dos samaritanos quase fritos às epístolas do final do Novo Testamento, quando de filho do trovão ele já há muito se havia convertido em filho do amor.

No entanto, o episódio acima mencionado nos mostra como um discípulo pode surtar de repente.

João havia acabado de descer do Monte da Transfiguração. Fora exposto ao Sublime sem medida. E, logo adiante, surta.

E por que surta?

Ora, provavelmente porque a Transfiguração lhe foi uma Desfiguração no coração!

Eles viram..., mas só entenderam bem depois. No início foi um show da Graça. Só bem depois é que Pedro diria [em sua epístola] que no Monte Santo o importante era apenas: “Dêem ouvidos ao meu Filho amado!”. E a ênfase dele não foi na Transfiguração como Imagem, mas sim como Voz. “A voz que ouvimos...” — diz ele já velho.

Por isto é que Paulo diz que todos sejam experimentados antes de qualquer coisa, pois, mesmo onde se pensava que havia um discípulo, pode-se ter a surpresa de encontrá-lo desejoso de matar em seu nome [no caso de você ser o irmão discipulador], apenas por capricho e surto de grandeza.

A Transfiguração Desfigura o coração quando o discípulo ama mais o que vê do que o que ouve. Quem se impressiona com o que vê, em geral não dá ouvidos ao que ouve.

Por isso a Palavra não é a Transfiguração, mas sim a Revelação da face de Cristo de glória em glória no homem interior. Do contrário, qualquer um surta.

A glória de Deus surtou você algum dia?

Ora, quem não for tão diferente de João dirá que sim. E que o resultado da transfiguração apenas vista e não ouvida, terminou por torná-lo prepotente e com ímpetos de poder e domínio.

Mas, Graças ao Pai, que em Jesus sempre nos indaga:

“Ou não sabeis que o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas sim para salvá-las?”

“Vós não sabeis de que espírito sois!”

Você sabe?

Creia que sabe, mas não se descuide. O surto pode ser súbito!


Pense nisso!


Caio

03/09/07
Manaus
AM

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