COMPARTILHANDO FATOS, IDÉIAS E VIDA ENQUANTO CAMINHAMOS

6 de nov de 2009

MOVIMENTO PELA REGENERAÇÃO DA IGREJA NA HISTÓRIA









Mensagem ministrada pelo Pr. Caio sobre este momento histórico.
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Eu não creio em reformas!
Reformas dão formas às formas que existem – são novas formas. E essa forma de cristianismo que está aí foi uma invenção do imperador Constantino há 1700 anos. Não tem nada a ver com Jesus nem com o Novo Testamento, é uma construção humana.
Reformar isso aí? Para quê? Para que reformar aquilo que Jesus nem reconheceu como tendo relação com ele?


[...]

A questão é mais séria. É saber se aquele a quem nós mencionamos como Jesus – esse nome que evangélico usa assim de maneira babante o dia inteiro, sem significado –, se esse Jesus dos evangélicos tem alguma coisa a ver com o Jesus dos Evangelhos.

E a gente verifica que não! Que são entes diametralmente opostos! O Jesus da igreja não é nem primo do Jesus dos Evangelhos! É inimigo do Jesus dos Evangelhos de tão diferente dele que ele é.

A terminologia igreja define um cassino hoje em dia. E não o ajuntamento da piedade, do amor, da misericórdia, do carinho, da graça, da bondade.

O termo evangélico entre nós contradiz o que o sentido do termo evangélico define. Evangélico. No Novo Testamento, é uma expressão usada por Paulo escrevendo uma carta aos Filipenses, onde ele manda que lutemos juntos pela fé evangélica. No Novo Testamento, evangélico é aquilo que carrega a qualidade do Evangelho.

Portanto, hoje, a nossa volta, quando vemos esse termo sendo usado de uma maneira abusiva... tudo é evangélico, todos são evangélicos! Agora só tem evangélico! E você fica vendo quem são os evangélicos. Eles são tudo, menos evangélicos! Porque não carregam nenhuma gota, nenhum sereno do conteúdo do Evangelho em suas mentes, almas, decisões, sentimentos e compreensões.

Portanto, é outro estelionato, nem o termo dá para usar.

De fato, nós estamos vivendo dias dificílimos na história humana, muito mais difíceis do que aqueles que caracterizaram e marcaram os tempos da Reforma Protestante no século XVI.

O que se tinha então, à época, se repete hoje aqui com potencializações, com variedades temáticas e com implicações e desdobramentos que estão para além da nossa capacidade de compreender e de aceitar até algum tempo atrás. Mas hoje, essas coisas se transformaram em realidades insofismáveis a nossa volta, a tal ponto, que até o termo “igreja” já padece de definições, já não se pode mais falar em igreja assumindo que as pessoas saibam o que signifique.

Igreja é esse bazar de ofertas perversas e idolátricas que se constitui a nossa volta com todos os matizes. Até os grupos históricos já entraram nas ondas das doenças barganhantes neopentecostais. O que a gente tem à volta não é algo que possa ser enfrentado com uma reforma.

Re-formar o quê? Dá uma outra forma a essa coisa que está aí? Pode se dar a reforma que se quiser, não adiantará nada. Nós estamos diante da necessidade de Regeneração, de conversão, de esquecer que nós talvez tenhamos sido cristãos e voltarmos ao momento gênesis da nossa consciência e assumirmos uma reconversão profunda da consciência do Evangelho. Do contrário, pode se emoldurar como se quiser o que nós hoje chamemos igreja, porque ela terá apenas uma outra configuração, mas esses conteúdos que aí estão a tornam irredimível do jeito que ela está.

Por isso, não se pede de nós nem 95 teses, nem 50, nem 15, nem 26, nem 12, nem 13, é uma só.

A tese é o Evangelho, o resto é comentário.

O QUE É O EVANGELHO? O Evangelho é a certeza de que Deus estava em Cristo e reconciliando consigo mesmo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões e essa é uma decisão unilateral de Deus.

O QUE É O EVANGELHO? Se não o fato de que se nós o amamos, quem quer que de nós o ame, é porque Ele nos amou primeiro.

O QUE É O EVANGELHO? Se não a certeza de que não há barganhas a fazer com Deus e que está tudo consumado e pago! Que o grito definitivo “Tetelestai”, está pago, de Jesus na cruz cancelou todas as coisas, todas as culpas.

O QUE É O EVANGELHO? Se não a certeza de que o escrito de dívidas da lei de Moisés, lei moral, cerimonial, de qualquer outra natureza, foi cancelado inteiramente, encravado na Cruz. E com esse ato de Jesus, ele esvaziava os principados e as potestades de seu poder, triunfando sobre eles na Cruz.

O QUE É O EVANGELHO? Se não o fato real de todo aquele que crê em Jesus, por meio de Jesus alcança graça em plenitude absoluta, total! Graça que me justifica e que me salva, graça que me santifica, graça que me unge, graça que não só me torna aceitável diante de Deus sem barganhas a fazer, mas graça também que me capacita, me fortalece, me condiciona na justiça, me educando na verdade para que eu ande conforme o Evangelho.

O QUE É O EVANGELHO? Se não a maravilhosa notícia de que está tudo feito, porque se Deus não tivesse feito em meu lugar, não haveria nada que eu pudesse fazer que realizasse qualquer coisa em meu favor.

Ora, o Evangelho simplificadamente é isto!

E a convergência total e absoluta dele é para Jesus. A convergência do Evangelho não é nem para a Bíblia, não é nem para a Escritura, a convergência do Evangelho não é nem para a fé, a convergência do Evangelho é para Jesus. Porque fé sem Jesus não produz absolutamente nada, é fé na fé. Porque as Escrituras ou a Bíblia, sem Jesus é a mãe de todas as heresias, e a história do cristianismo é a prova disso. Porque as Escrituras lidas sem Jesus são um balaio de gato inconciliável, são a receita para a gadarenização psicológica da mente, é querer que as Escrituras se somem a Jesus, e que o pacote seja então a nossa fé. Não é!

A partir de Jesus ficamos sabendo de Jesus pelos Evangelhos, e pelos Evangelhos ficamos sabendo que Jesus é o cumprimento das profecias e aí, pelos Evangelhos e pelo cumprimento das profecias, ficamos também sabendo que o próprio Jesus expôs aos seus discípulos o que a seu respeito constava em todas as Escrituras. E vem Paulo e o escritor dos Hebreus nos dizem que quem tem Jesus tem toda a revelação de Deus, que Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade, Ele é o Verbo, Ele é a Palavra. Ele é a totalidade de todas as coisas, Nele, Jesus, estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento.

Por isso, até as Escrituras estão relativizadas. O escritor de Hebreus nos diz que a quantidade imensa de textos das Antigas Escrituras eram sombras, tipos, arquétipos, simbolizações que caíram em caducidade ou em obsolescência diante da realização da encarnação da plenitude do Verbo de todas as coisas, da Palavra eterna que é Jesus.

Então, nem a Escritura me serve mais para ser o ponto de referência. Meu único ponto de referencia é Jesus. A partir de Jesus eu releio a Bíblia inteira, o que couber e ficar conforme o espírito de Jesus e do Evangelho permanece, o que se antagonizar ou se tornar infantil diante da realização e do cumprimento pleno de tudo já em Jesus é descartado.

Jesus é o centro.

A Reforma dizia: “Só as Escrituras, só Cristo, só a Graça, só a Fé”. É muito pilar! O pilar é um só. A pedra de esquina é uma só. É de Jesus que toda a Graça procede. Não precisa afirmar a graça ao lado de Cristo, sem Cristo não há graça. Graça é o favor imerecido, é o Cordeiro que foi imolado antes da fundação do mundo que é o precipitador e o mantenedor de toda a graça. De modo que não posso falar Cristo e graça. Sem Cristo não há graça, não posso dizer só Cristo mais a fé, sem Cristo não há fé. Não posso dizer só Cristo mais as Escrituras, a Escritura concorrendo com Jesus esquizofreniza a mente.

É só Jesus! A Escritura tem que ser lida a partir do Verbo encarnado.

Quando essa conclusão entra no nosso coração, há uma revelação que simplifica o olhar na vida e também radicaliza até as essências das nossas decisões. Aí não há mais barganhas a fazer, aí não dá mais para você ficar com conluios com o cristianismo.

O cristianismo, praticamente, nos ofereceu 1700 anos de bruxaria desde o imperador Constantino e não parou com a Reforma Protestante. A gente não pode ficar nem com o lado protestante do cristianismo, que nada mais é do que uma versão grega, polida, de um catolicismo que fez literalmente dieta, dieta de santos de gesso, de barro, disso e daquilo, mas que por seu turno dogmatizou sua própria eclesiologia e trouxe para dentro pacotes e mais pacotes, doutrinas humanas que aguaram o Evangelho e criaram absolutos que relativizam a Verdade insofismável da Palavra.

Por isso, o próprio protestantismo está sob juízo. E este movimento que a gente chama de evangélico, que é essa coisa, essa Hidra, essa besta de muitas cabeças, tem tudo! Menos o Evangelho. É uma logorréia do nome de Jesus, que baba como gorococo o nome de Jesus, mas não é o Evangelho.

O que se anuncia é o anti-evangelho! O que se anuncia hoje dentro das igrejas é pura macumba. O Deus que está instaurado é Mamon.

O altar é aquele no qual a gente só se ajoelha com expectativa de receber alguma coisa diante de Deus se puser grana, se participar das campanhas, todas elas baseadas na obsolescência do Velho Testamento. Aí tem que ser baseado em Gideão, em Sansão, em Jefté, nos juízes, na pancadaria, na maldição, porque no espírito do Novo Testamento eles sabem que não dá para sobreviver com isso que eles chamam de igreja.

É por isso meus amigos que na parte que me diz respeito, com companhia ou sem companhia, essa é a minha trajetória que não está começando agora. Desde 94 que eu orava e pedia a Deus que me livrasse do meio evangélico, que para mim já me tornara insuportável, não “convivível”. Daí eu ter reduzido as minhas amizades a tão pouca gente... No mais não dava. Se não dava em 94 para mim, quando eu era presidente da Associação Evangélica Brasileira, quando eu ainda mantia os ecos de uma esperança que falia dentro de mim, quanto mais hoje.

Estou definitivamente rompido com isso, para poder estar definitivamente casado com o Evangelho. Não há barganhas a fazer com a igreja evangélica, nem com o movimento neopentecostal, não há barganhas a fazer com o puritanismo presbiteriano que também nega a graça e se apresenta com carteira de identidade de boa conduta e de purismo de interior hipócrita. Não há barganhas a fazer com o cristianismo, com a sua hiper valorização ideológica política, com seu culto aos bens, ao poder, ao status.

Não há barganhas a fazer com aqueles que ficam em cima do muro, anunciando de modo politicamente correto o Evangelho destes púlpitos de oráculos magificados pela superstição e pela paganidade da nossa religião de infantes perdidos, não dá! Para mim não dá mais!

Quem quiser e achar, e julgar, e crer que esse caminho é um caminho puro e simples do Evangelho, eu sou irmão de todo aquele que andar nessa vereda.

Agora, não me associo, não participo, não admito conluios, não creio que seja Evangelho o que se diz com o nome de Evangelho. Não creio que se esteja pregando a Jesus quando se fala o nome de Jesus, não me deixo confundir por nenhuma destas coisas, porque se o conteúdo não for exclusivamente do Evangelho, podem banhar o Cristo de purpurina, a esse Cristo eu direi: Arreda-te em nome de Jesus!

Autorização me é dada por Jesus, me é reforçada pelos apóstolos e, especificamente, recomendada por Paulo, que diz que se vier qualquer outro evangelho vestido de qualquer coisa, mesmo que chegue impregnado de terminologia por nós conhecida, mas se negar o fundamento e a essência da graça de Deus, de que está tudo feito, realizado, pago, consumado por Jesus, não é Evangelho.

E Paulo disse que mesmo se viesse um anjo de luz anunciando isso ou aquilo, mesmo que os anunciadores se travestissem de ministros de justiça ele vai mais além mesmo que eu o próprio Paulo chegue aqui pregando outro evangelho que não seja esse, me repreendam! Chamem-me de Anátema! Pois é sob a recomendação de Paulo que eu estou dizendo em nome de Jesus, que o que se instituiu a nossa volta é anátema! É abominação!

E quem quiser continuar andando em conluio com isso saiba: está caminhando de mãos dadas com a pior feitiçaria já inventada na terra, que é essa praticada blasfemamente em nome de Jesus. Essa que provoca esse grande estelionato do Evangelho. É essa que tornou o termo igreja algo que define um agrupamento de assaltados pelos assaltantes mais sofisticados, venais e calhordas que já surgiu na história humana.

Quem quiser continuar com esse conluio, achando que basta cultuar a Bíblia, carregar o livro, dizer que você é um homem da Palavra porque carrega esse livrão, que nada mais é do que um best seller que endinheira organizações que vivem é da venda do produto sem preocupação com a absorção do conteúdo, se você quiser continuar andando neste caminho, ande, se enterre com a Bíblia! E vá para o inferno com a Bíblia sem Jesus no coração!

Está me achando radical? Meu irmão, o adágio popular diz que uma andorinha só não faz verão, mas quando o verão chega, até as andorinhas acovardadas têm que voar porque fica quente demais.

A minha esperança, que vim até aqui fazendo um voo meio solitário com alguns amigos e irmãos queridos, é que o calor do verão se torne insuportável, aí quem sabe as andorinhas acovardadas batam asas e descubram que ou a gente se une para virar esta estação ou o verão eterno vai nos queimar até que se torne completamente insuportável.

Mas é você que define se o seu caminho é o do clube ou se é o do caminho do Caminho.

Se a jornada é daqueles que se tornam seguidores contemplativos de Jesus ou se você se tornará um discípulo engajado. Se você é daqueles que vão preferir lamber e beijar afetivamente o engano da religião ou se você vai cuspir essa maldade e vai comer o Pão da Vida, e vai apenas se alimentar daquilo que seja puro e simplesmente Jesus. Porque o que não seja Jesus provoca digestão eterna no coração.

É só isso que eu tenho a dizer!

O mais é decisão de quem quer que seja grande e não esteja mais disposto a ficar brincando no presépio do cristianismo, se enganando enquanto diz que sonha todo dia com uma grande mudança, uma reforma na igreja.

Reforma de igreja só acontece com templo, em pedra. Ninguém põe remendo de pano novo em veste velha, disse Jesus. O vinho novo a gente não põe em odre velho, momentos novos, catarses definitivas demandam conteúdos e formas que se adéquem ao tempo, à hora e ao momento.

De modo que não vai dar nem para aproveitar alguma coisa. A nossa viagem vai ter que ser muito mais radical, se alguém quiser fazê-la, a gente tem que voltar para a simplicidade do Caminho, para as jornadas do Evangelho, para as práticas sem interpretações teológicas, para a simplicidade que prescinde dos hermeneutas e dos exegetas, porque o Verbo se fez carne e, agora encarnado, o Verbo se explica.
Jesus é o hermeneuta, Jesus é o exegeta, aquilo que eu não entendo daquilo que ele diz, eu compreendo pelo seu modo de agir. Porque ele não era esquizofrênico, tudo o que Ele diz Ele encarnou. Eu não preciso procurar o melhor professor de grego ou hebraico para poder entender o espírito do Evangelho. Vendo os movimentos de Jesus tocando a vida humana, o Evangelho se autoilumina para quem quer, para quem queira. Sempre foi assim!

Não se pode permitir que isso se torne diferente, nem para os presunçosos que acham que o Evangelho cabe na academia dos seus pensamentos iluminados por luz negra e nem mesmo noutro polo desta mesma situação que é a arrogância carismática neopentecostal imacumbada, bruxificada e perversa que transforma a fé em Jesus neste cristianismo de feiticeiros.

Já falei mais do que devia! As conclusões são suas! Que Deus nos abençoe!

Caio Fábio

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Transcrição: Tião Camilo
Revisão: Dora Ramos
Adaptação: Francisco Pacheco




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