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12 de nov de 2009

Nascido para vencer

Aposentado das competições, Jojó de Olivença aposta no surf como instrumento de educação -PROJETO ONDAS
Por Ana Patricia Pacheco em 10/11/09 17:33 GMT-03:00

"Quais os tipos de ondas que vão sobrar para nossos filhos e netos?". Essa pergunta foi feita por Jocélio de Jesus, ou simplesmente Jojó de Olivença, 42 anos e uma das maiores referências do surf mundial.

Para ele, a proposta de vida é a de utilizar o surf como instrumento para a educação, ensinando jovens a domar as ondas, a amar o esporte e respeitar a natureza.

Atleta de Deus, diz que teve a vida transformada, salvo das drogas e das influências que o levaram a duvidar de que a felicidade existe. Mas diz não aos mega investimentos que propõem agredir a Mata Atlântica.

Na década de 80, embalado pelos hits da época, como "Menino do Rio", Jojó descobriu sua vocação. Começou a surfar aos 11 anos. No início as pranchas eram emprestadas, até que um grupo de amigos resolveu fazer uma "vaquinha" e comprar uma prancha para ele.
O baiano, acostumado a domar as ondas das praias do Backdoor e da Batuba, em Olivença, rapidamente conquistou os mais diferentes picos do mundo.

"Quem me conhece e acompanhou minha trajetória, sabe muito bem como na década de 80 o surf era bastante movimentado, promovendo eventos de cunho nacional e projetando atletas para o Brasil e para o mundo. Tudo era muito simples e tínhamos pessoas apaixonadas pelo surf. Lembro da Pizzaria Castelinho e Freitas Turismo, que sempre ajudavam com patrocínios, entre outros do comércio local e, inclusive, a prefeitura", relembrou Jojó.

Quase 10 anos depois Jojó ganhou o mundo. Foi bicampeão brasileiro profissional em 1988 e 92, vice em 93, ano em que também foi campeão paulista e ingressou no World Tour, que reúne a elite mundial, sendo top por cinco anos sem tentar a reclassificação pelo WQS.

Também foi top 16 do Super Surf durante vários anos. O atleta resolveu se aposentar das grandes competições, mas continua mais ativo do que nunca.

Ele fundou a ONG Projeto Ondas, Surf & Cidadania que oferece uma oportunidade para cerca de 50 crianças e adolescentes de 8 a 14 anos de idade de mudarem de vida e construírem um futuro através do surf. O projeto é desenvolvido na cidade do Guarujá, São Paulo, onde Jojó mora com a família.

Por esta missão, Jojó de Olivença conquistou fãs e admiradores por todo o mundo. Respeitado pelas suas ações, não esconde seu amor pelo Sul da Bahia. "Nunca esqueci de minha infância e adolescência, vivendo atrás dos portões da simplicidade, entre ondas boas e 'ruins', até que encontrei em Jesus o complemento que faltava para felicidade plena", afirmou Jojó.

A sua preocupação com a natureza também é marcante. Ele está preocupado com os rumos que Ilhéus vem tomando quando anuncia a destruição de ecossistemas em detrimento de empreendimentos que querem destruir nosso maior bem, como a instalação de um complexo intermodal na Ponta da Tulha, uma das regiões rica em mata atlântica da região e onde jovens também aprendem a surfar.

"Eu era desprovido de todos os recursos de informação e tecnologia porque era de família humilde. No entanto, desfrutava do maior patrimônio que tinha. Da natureza tirava tudo que precisava: alimento e muita diversão. Creio que esta foi uma base importante para formação do meu caráter e personalidade. Não tive pai presente, mas tive alguns amigos e o melhor deles foi a próprio contato com a natureza e isto me fez uma pessoa mais humilde. Compreendo que todos nós somos parte de um sistema divino inseparável: Deus, homem, natureza. No entanto, os olhos humanos estão matando a natureza e esquecemos que somos parte dela. Se ela morre, morreremos com ela!!!".

Jojó vê com bons olhos investimentos que tornem Ilhéus conhecida e que dêem espaço para o esporte em geral. "Adorei a idéia de a região sediar um evento tão importante como o Mahalo Pan Surfing Games & Music. Na minha humilde opinião, todo investimento para o esporte é bom e bem-vindo, entretanto, é preciso visualizar um pouco além do glamour momentâneo e daqueles beneficiados direto e indiretamente por quantias monetárias que não são bens duráveis. Que tipo de desenvolvimento trará esse tipo de empresa? Será desenvolvimento sustentável? Pensem nisso! O que gostaria é que todos refletissem sobre o fato da nossa ingenuidade imatura, cega e estúpida quando dropamos qualquer onda sem avaliar os riscos e suas conseqüências", desabafou o campeão.

"Que Deus abençoe a todos e inspire nossos governantes a agir com muita coerência e que exerçam suas funções com excelência e não legislem em causa própria", conclui Jojó.

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