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19 de dez de 2009

Porque Escrever Pras Pessoas No Natal?


Acho que se criou um costume, uma tradição entre tantas outras, essa, a de se escrever alguma coisa pras pessoas e desejar "Feliz Nata!".

Lembro-me de cartões de 1962, não sei pra quem e nem de quem eram, pois com 5 anos não sabia ler, mas dos algarismos estilizados da época, me lembro bem.

Os desenhos eram em estilos europeu ou americano, sempre com neve, casinhas com chaminé, janelas iluminadas, telhados que mais pareciam feitos de travesseiros de tão gordinhos, pinheirinhos, Papai Noel, caminhos em formato de "S", pontes de madeira cruzada sobre riozinhos, tudo muito bonito e romântico.

Minha mãe sempre foi a mais romântica da família e passou isso pra alguns, já do meu pai me lembro que escrevia coisas do tipo: "Salve 1961 e viva 1962", fazendo a chamada para o Ano Novo que viria a seguir.

Era nosso costume guardar todos os cartões, pelas belas gravuras, por quem havia mandado, e também o que havia sido escrito neles. As mensagens eram bem elaboradas ou não, dependia do dom, e cada um tinha o seu.

Minha avó espanhola, avó materna, por exemplo, que sempre foi chamada por nós de "Guela", nem sabia ler, e eu sei que ela sofria por isso, primeiro porque lhe fazia falta a praticidade que as letras trazem pra vida de qualquer pessoa, e segundo porque o analfabetismo a frustrava, a entristecia, a diminuía aos seus próprios olhos, por isso, foi sempre apegada ao rádio.

Essa "Guelita", mesmo analfabeta, não se furtava do direito de entregar um cartão de Natal. O que vinha escrito não era de sua autoria, pois não se dava ao trabalho de ditar ou nunca teve essa idéia, mas os seus dons eram outros. O "inhoque" com frango que ela fazia, comíamos no almoço do dia 25 de dezembro. Era maravilhoso, a gente começava comendo ele cru mesmo na hora de ajudar a cortá-lo enquanto estava enfarinhado sobre a mesa.

Outro exemplo era meu tio Roberto, nunca escreveu e nem mandou comprar um cartão pra ninguém, não fazia seu tipo, mas ele era meu chapa.

Ele vinha com aquela pergunta que eu já esperava : "Cagamil*, quer tomar um rabo de galo?", e lá vinha um vinho, vermute, champanhe ou cerveja que ele me dava sem ninguém ver, mesmo que fosse à mesa durante a ceia, na cara de todos, ele me dava e ninguém via, ou se viam, nada diziam, era festa e dentro de casa havia liberdade alegre.

* (Esse Cagamil, como meu tio me chamava, eu não sei direito, mas deve ter a ver com o fato de eu não me dar bem com mamadeiras quando pequeno e a minha santa mãezinha resolveu, não sei por que cargas d'água, me alimentar com mamãozinho com açúcar...ninguém merece, haja fraldas de pano!)

Meu! Onde estou, no túnel do tempo?

Pois bem, estou escrevendo pra vocês, e o mais importante não é porque é Natal e estou escrevendo, mas sim porque e pra quem escrevo, pra quem participo, pra quem ofereço.

Seja um cartão, um "inhoque", um rabo de galo, uma mensagem, não importa, pois o que importa é que a gente quer se manifestar-ofertar com alegria, pois vem entendendo que mais importante que a oferta é a alegria de fazê-la, é doar algo de si para quem se ama.

Escrevo esta mensagem no Natal, também porque certamente
ninguém ofertou mais e com mais alegria do que Jesus Cristo, o verdadeiro motivo e símbolo do Natal.

Escrevo por lembrar que amo, e quero marcar esta data.

Sabe, dos cartões eu me lembro das gravuras, das grafias, dos perfumes que eles tinham.

Lembro também das ceias, da família, dos amigos, das ofertas em forma de presentes, não somente os que vinham embrulhados e eram colocados junto ao pinheirinho natural, mas os que eram fruto do empenho de cada um que se esforçava, que corria, que se aplicava, que se doava de alguma forma e oferecia um pedaço de sua própria vida, de seu empenho, dedicação entre outras coisas boas, se posso assim dizer, pois era um repartir, conforme o dom.

Desses queridos todos eu recebi dádivas e guardei em meu coração. Que grata, doce e viva lembrança.

Porque escrevo no Natal?

Tenho desejo de falar com vocês.

Escrevo, porque estou aprendendo ainda a receber e dar e quero me manifestar também desse modo escrito, que vai substituindo uma visita pessoal, infelizmente, mas ponho aqui meu coração.

Nem todos que amo receberão esta mensagem, por falta de recursos meus ou deles mesmos, somente vocês que estão lendo, mas todos são caros para mim, são de verdade.

Natal, nascimento.

Nasce o Filho de Deus, manifesta-se entre os homens, entrega-se ao sacrifício definitivo que tira o pecado do mundo, paga toda nossa dívida, Deus se reconcilia com os homens em Cristo...Graça.

Pra nós todos de graça, sem termos merecido, sem fazermos por merecer, sem obras, só Graça, só fé pra crer que é assim, que também é dom de Deus.

Lembro-me de tudo que vocês fizeram por mim e agradeço, muito obrigado.

E o que deixaram de fazer? Fica na graça que aprendo dia a dia, ninguém me deve nada.

Vocês estão na Graça, de Deus e na minha,  que aprendo com Ele dia a dia. Espero estar na Graça de vocês.

Muito obrigado.

Que a paz do Senhor Jesus esteja com todos vocês meus caros amigos, sempre amigos, sempre verdadeiros amigos.

Meu desejo a todos é que tenhamos a coragem e empenho em não construir novas barreiras e de destruir as antigas que possam existir entre nós.

Barreiras são escritos de dívida em cobrança, quando achamos que alguém nos deve alguma coisa porque pensamos que somos melhores, maiores, mais que o outro, e isso não convém, não edifica, envenena e destrói coisas belas e dessa situação, creio eu assim, nunca saímos justificados diante de Deus.

Bom Natal com a família e com os amados.

Na mesma Graça, que reconcilia e pacifica.

Valmir Bodruc

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