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15 de jan de 2010

DIÁRIO 17 | NO MEIO DA GUERRA, OS FILHOS DA PAZ – relato do primeiro dia após a Cruzada


Nos jornais do país, líamos: "Missionários Brasileiros pregam contra a estigmatização infantil".
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E então, nos tornamos missionários!
Ora, vejam só... O treinamento para a África foi feito na África mesmo!
O Espírito já havia revelado – tanto aos que vieram quanto aos que nos enviaram em contribuição e oração: "Somente vão!"
Em verdade, nem nós sabíamos que era a primeira vez que uma equipe estrangeira formada por "white men" vinha, EM NOME DE JESUS, defender suas crianças dos constantes ataques que elas recebem EM NOME DE JESUS! Informaram-nos até que os poucos Missionários que vieram antes de nós, nunca chegaram tão perto, nunca se enfiaram no meio do povo, dentro das casas, vielas, favelas, igrejas, rodinhas de rua, debaixo do mesmo sol...

Para, além disso, só agora descobrimos que convocar uma Cruzada em terra estranha organizada por gente tão estranha quanto nós é algo que nunca dantes havia sido imaginado.

Ninguém vem para cá, essa é que é a verdade.

Ninguém fica aqui. Os colonizadores aqui deixaram somente a língua inglesa e a instituição cristã. Agora, eles mantêm presença distante via-exploração de recursos naturais, como é em toda África.

Vejam que até o presente momento, nenhum de nós viu ainda por aqui um único homem branco que seja, senão nós próprios. E olha que "white man" é termo genérico e diz respeito a todos e qualquer um que não sejam negros nativos.

Por isso, quando amanheceu o dia seguinte à Cruzada (Witchcraft Prevention Crusade), uma agenda de compromissos se auto-organizou. Tudo relacionado aos efeitos gerados pela Mensagem que trouxemos, associada a esse contexto acima descrito.

Pela manhã fomos à cidade de Uyo, distante em torno de duas horas de Eket, onde estamos instalados. Uyo tem tantas igrejas quanto aqui, senão mais ainda. Em Uyo, fica a sede da igreja "Solid Rock Church". Foi lá que fomos recebidos para uma "reunião ministerial" para nos homenagear. Pastores falaram. Nós falamos. A representante das mulheres e das mães nigerianas também expressou ao microfone gratidão por ter ouvido a mensagem do Reverendo Cesar (vulgo, Adailton) e pela primeira vez, ter refletido sobre a Graça de Deus da forma como foi levada a fazer. Um político presente assegurou-nos que o governo vai manter rigidez na consolidação das leis de proteção infantil e tudo o mais. Doaram-nos uma quantia em dinheiro para o almoço (Isso foi o que mais nos impressionou, já que até agora todo mundo só tinha nos pedido dinheiro e nunca nos oferecido!).

O telefone do Leonardo não parou todo o dia. Um evangelista infantil solitário quer se unir a nós. Seu trabalho é pregar de escola em escola. Um jornalista se diz impressionado com os pensamentos de Caio Fábio, após ouvir o DVD que temos em inglês e lamenta que seus livros não estejam traduzidos. A assistente social da ONG inglesa veio nos procurar dizendo que Deus ouviu suas orações, pois faltava gente que trabalhasse na causa dos problemas e não somente nos efeitos e conseqüências. Os motoristas – dois negros imensos – que nos conduziam para lá e para cá sem entender nada, agora, entretanto, sentem-se parte do time (o que para eles, por enquanto, significa não deixar ninguém chegar muito perto de nós e nem cobrar o dobro do valor das frutas nas feiras).

Todos querem nos acompanhar. A equipe parece maior. Somos uma comunidade...

Temos uma segunda etapa agora. Mais densa e abrangente. E para tal, já encontramos os filhos da Paz!

Vamos dobrando as esquinas...

Marcelo e Equipe, segunda-feira em Eket.

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