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21 de mai de 2010

AS DUAS ONDAS DA ÁFRICA QUE VISITAMOS

Na África que visitamos, encontramos duas ondas: 
1. aquelas que o surf nunca surfou, já que ninguém entra onde manda a “rainha do mar”, a deusa que engole os pescadores!  
2. aquelas ondas de calamidades sem sentido, que caem sobre as pessoas feito tsunamis devastadores – no caso em questão, onde manda o deus “Mamon” que engole criancinhas!
Após termos iniciado o ano de 2010 em solo africano, voltamos ao Brasil e à Inglaterra – nossas bases de origem – para planejar os próximos passos no socorro ao grave problema social que aflige as crianças no Sul da Nigéria, além de outros países da África Central, onde uma falsificação de “Cristianismo” tem asseverado que os pequeninos podem ser bruxos, feiticeiros, causadores de males às suas famílias e vilarejos. Para que a estigmatização dos menores se instale basta que algum clérigo mal intencionado “revele”, como um oráculo, que a criança está possuída do espírito de bruxaria e, por isso, seus pais não prosperam, seus irmãos menores  tem enfermidades, sua vizinhança enfrenta perdas e danos, seus aparelhos eletrônicos quebram, etc.

Para socorrer pais desesperados com essa trágica notícia, as “igrejas” cobram pelo exorcismo proposto: um extravagante sistema de internação de criancinhas dentro de casebres e quartos isolados, onde nós próprios testemunhamos jovenzinhos que são amarrados à cama, sacerdotes que pingam sangue em seus ouvidos e olhos, orações feitas com elementos fetichistas adicionais como: chá de raízes, pingos de velas sobre as barriguinhas e muita violência física e emocional, pois um sentimento de perplexidade, confusão e pavor toma as crianças que conhecemos e abraçamos, pois são, de um dia para o outro, deixadas pelos pais numa espécie de seqüestro consentido, que costuma custar de três a quatro salários mensais.

Mais nefasto ainda do que o exorcismo conforme o descrevi, é o destino dos pequeninos que os pais não têm dinheiro para pagar pela “libertação”!
Essas crianças são expulsas de casa e perambulam pelas ruas. São agredidas enquanto dormem, violentadas, espancadas, queimadas vivas ou mantidas amarradas à arvores até que venham a morrer.
Tudo porque julgam que tais inocentes carregam uma capacidade de enfeitiçar a vida daqueles com quem com eles cruzam!
De 2007 para cá, essa onda já arrastou mais de 5 mil vítimas!

Nós conhecemos meninos e meninas estigmatizadas. Abraçamos, beijamos, choramos, rimos e surfamos com centenas delas!
Têm cicatrizes por todo o corpo: das navalhas que lhes passaram, dos braços que lhes quebraram, dos pregos com as quais furaram seus crânios, e também do ácido, do óleo ou da água quente sobre eles derramados na intenção macabra de livrar-lhes das possessões que a falsa “igreja” alardeia que eles possuem, até por meio de filmes e livros vendidos em esquinas e camelôs.

Creiam: visitamos o inferno! E decidimos que só sairemos de lá quando trouxermos junto os pequeninos de Deus!

Conseguimos salvar algumas crianças. Podemos salvar muito mais. Vamos continuar nosso trabalho de denúncia desse comércio de alminhas humanas; de esclarecimento de centenas de pais e mães; de prevenção ou recuperação da bruxificação infantil; e de ocupação educacional e esportiva dos pequenos afetados, que vivem feito zumbis inanimados.

O dia que vimos alguns deles de pé sobre uma prancha no mar, nós mesmos surfamos na idéia, e abraçamos o impossível; pois o simples sorriso de prazer em seus rostinhos vencedores das ondas da vida, já nos valeu o próprio existir! Pois nos demos conta que a rotina esportiva pode vitalizar a vidinha de quem vive feito múmia infantil.

O mar na Nigéria precisa ser desvirginado e essa onda de falsificação da fé também precisa ser enfrentada! Então, voltaremos à África Ocidental para realizar a segunda etapa da Missão: Ter uma casa de recolhimento, com uma estrutura de educação e esportes.

E é nessa intenção que convidamos todos à parceria!

Não ganhamos nada com isso; mas por outro lado, nada vale tudo isso que ganhamos!

Marcelo Quintela & Jojo de Olivença


Equipe: Way to the Nations

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