COMPARTILHANDO FATOS, IDÉIAS E VIDA ENQUANTO CAMINHAMOS

15 de mar de 2011

O DEPOIMENTO DE UMA ALMA SOBREVIVENTE

Por: Alex Paiva
Manos da juventude caminhante e do Caminho da graça em Cristo, Paz!
Acredito que todos desconhecem a minha história e origem religiosa. Sim, porque de fato ainda não pude relatar, e, somente agora, após o depoimento do mano Tupi, resolvi fazê-lo.
Tenho um pouco menos de uma década de conversão ao Evangelho, sou oriundo de uma família Católica apostólica romana, como a grande maioria. Contudo, nunca fui praticante, mas lembro-me de que sempre fui muito dado a religião, desde a mais tenra idade. E as suas variadas formas e matizes me fascinavam.  A partir disto, busquei conhecer muitas delas: passando pelo budismo, Jeovismo (Testemunhas de Jeová), Taoísmo, Amorc (Antiga e mística ordem Rosa cruz) e por último o Evangelicalismo.
Foi no Evangelicalismo, em uma denominação “avivada”, que tive as minhas “maiores”(?) experiências religiosas. Antes mesmo de descer às águas batismais, tornei-me aluno do seminário desta instituição, sendo neste lugar, a arena onde travei muitas batalhas. Muitas coisas não faziam sentido pra mim e o que mais me chamava à atenção era a conflitante idéia da possível fusão - lei e graça. Alguns professores, e claro, sempre aqueles com pedigree denominacional, eram quem ensinavam as maiores aberrações bíblicas. Mas também, mesmo em meio ao paganismo evangélico-cristão, foi lá que ouvi um suave sussurro do nome, Caio Fábio. E por mais incrível que pareça, esse nome ecoava a minha mente de certa forma que me fazia imaginar e pensar, quem de fato era esse homem.
Pois bem, li muita coisa neste período, desde livros de confissão positiva, teologia da prosperidade (Kenneth Hagin, Copeland, Benny Hinn, R.R. Soares, Edir Macedo, Jorge Linhares) à Apologética cristã (Paulo Romeiro, Hank Hanegraaff), patrística, história da igreja, reforma, Calvinismo, arminianismo e etc. Todavia, tudo apenas me enfadava, pois a minha alma gritava e em oração me dirigia ao Pai: “Senhor, dá-me discernimento, quero viver e conhecer o verdadeiro Evangelho, como os teus filhos no passado!”
De lá pra cá, vivi muitas coisas, experimentei da mística pentecostal, passando pela glossolalia às “profetadas” carnais que enlouquecem os “crentes re-te-té”, numa verdadeira efusão psicológica (catarse), a moralismos excessivos e legalistas provenientes do neo-puritanismo norte-americano e suas variantes no Brasil – as assembléias pentecostais tradicionais. Em meio a tudo isso, casei. E casei em menos de um ano, após ter conhecido a minha esposa nesta mesma denominação. Casamos as pressas por ela estar grávida, numa verdadeira conciliação de amor e culpa, devido a tamanha imposição religiosa que nos suprimia a consciência e não nos fazia enxergar a imensa irresponsabilidade de uma união conjugal precipitada. Trazendo-nos posteriormente muitas dores, implicações decorrentes da falta de racionalidade.
Sempre fui um ser muito lúdico, fantasias povoavam a minha mente, muitas delas eram de caráter lascivo, herança de uma infância molestada por um primo mais velho, que me fez com ele, praticar felação. Depois, tive uma adolescência imersa na pornografia, formatando-me a mente com o software da licenciosidade, ou seja, da malícia e depravação, fazendo-me mal por muitos anos...
Com a supressão de tudo que me fazia mal, já então, inserido na “Matrix” religiosa, as bestas ressurgiram, ganhando forças absurdas e vociferavam violentamente no meu intimo. Foi então, que conheci a graça de Deus de uma maneira mais profunda, mas ainda de uma forma muito sistemática.
Observando os cinco pontos do Calvinismo (do acróstico em inglês, TULIP) e tomando conhecimento de Agostinho de Hipona, comecei a compreender a minha própria natureza a partir da depravação total que acometeu a raça humana desde Adão. A eleição incondicional de Deus, bem como o seu eterno amor por mim e sua maravilhosa graça, sempre me faziam dar razão a Ele em gratidão ao sacrifício vicário de Cristo. Isso me dava o descanso necessário para pacificar a minha alma em Deus e provar de sua paz, impulsionando-me para perseverar na fé concedida pelo Espírito e derramada como dom pelo seu favor imerecido.
Na denominação na qual fui membro, eu e minha esposa sofremos muito com o preconceito, fomos impedidos de participar da comunhão , da Ceia do Senhor, durante três meses (essa “ceia” era apenas para os justos, sãos e santos e não havia lugar para os doentes e transgressores... e então, acredito que provavelmente diziam – “Médico, cure-te a ti mesmo!”) nos tornamos os “caídos” da comunidade, e o nosso lugar de destaque era o mais digno possível, o famigerado “banco”. Um lugar muito apreciado pelos inquisidores locais e bastante conhecido pelos “mais pecadores”, conotação dada sempre aos membros com pecados sexuais. Como se mexericos, fofocas, emulações, facções e outras formas de entreveros comunitários fossem melhores. Paciência!
Em contrapartida, visitando uma banca evangélica em Santos, no Gonzaga, entre os títulos que observava, me deparei com o livreto introdutório “O caminho da graça para todos” do Caio [Fábio], embora já possuísse uma curiosidade latente na pessoa do autor, por ignorância e infantilidade típica dos crentes alienados e manipulados por líderes que se consideram acima de qualquer suspeita, relutei em adquirir o livro, por me concentrar naquilo que diziam maldosamente acerca deste homem (que ironia, logo eu que havia crido na Graça de Deus para a minha própria vida!). E então, com o título na mão, olhei aquele livro azul e ouvi uma voz muito suave que falava ao meu coração, dizendo-me: “Você não é melhor que ele e eles também não o são, porque não levá-lo?... leia e tire a suas próprias conclusões”. Foi desse modo, que a doce revolução abalou as minhas estruturas e desconstruiu os meus paradigmas doutrinários fazendo-me renascer espiritualmente. Passando a crer e a conhecer o Jesus dos evangelhos e abandonar aquilo que já não fazia mais nenhum sentido pra mim, a saber – a religião.
Após isso, pesquisei o ainda, sitio eletrônico, www.caiofabio.com, hoje, www.caiofabio.net, chegando a Estação do Caminho da graça em Santos, num domingo de Ceia (toda preparada pelo Pai, convidando-me para sua festa de amor ágape) sendo recebido com o amor e a total atenção do Marcelo [Quintela] e do véio ranzinza, Valmir [Bodruc] o qual amo muito.
Hoje, alegro-me por saber que Deus nunca me desamparou e que sempre ouviu os meus clamores, sinto-me grato e abençoado por isso. Eu que conheci o lado “negro” da “igreja”, do Evangelicalismo contemporâneo, mas resgatado das trevas para a sua maravilhosa luz, glorifico a Ele por ter me ouvido em minha angústia primal e também intermitente que acometera a minha alma nesses dolorosos anos de pura ilusão.
Nele, que nos diz: “Clama a mim no dia da angústia e eu te livrarei e tu me glorificarás”

 Carnaval de 2011,

Alex Paiva
Juventude Caminhante

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